Novo livro de poesia de José Tolentino Mendonça faz “Introdução à Pintura Rupestre” desde a infância

O novo livro de poesia de José Tolentino Mendonça, “Introdução à Pintura Rupestre”, conta com 19 poemas, alguns remetendo para a sua infância, e retoma o texto “A Quem Deixas o Teu Oiro”.

Novo livro de poesia de José Tolentino Mendonça faz

Novo livro de poesia de José Tolentino Mendonça faz “Introdução à Pintura Rupestre” desde a infância

O novo livro de poesia de José Tolentino Mendonça, “Introdução à Pintura Rupestre”, conta com 19 poemas, alguns remetendo para a sua infância, e retoma o texto “A Quem Deixas o Teu Oiro”.

Originalmente publicado em 2014, na revista “Granta”, “A Quem Deixas o Teu Oiro” surge no final deste novo livro, numa homenagem à avó Helena do poeta, que foi uma das fontes do “Novo Romanceiro do Arquipélago da Madeira”, numa edição de Pere Ferré e Sandra Boto.

O autor, sacerdote católico, atual responsável máximo pela Biblioteca Apostólica e pelo Arquivo do Vaticano, dedica “Introdução à Pintura Rupestre” a sua mãe.

O percurso na Igreja Católica parece surgir em paralelo com os passos na poesia. José Tolentino Mendonça editou o primeiro livro de poemas, “Os Dias Contados”, no ano em que foi ordenado sacerdote, em 1990.

“Baía do Lobito” é o poema que abre este novo livro, que fala da chegada dos barcos com o pescado e as mulheres indo ao seu encontro, “num alvoroço de cestas, caixas e panos/ como se festejassem o ouro/ e não aquele cortejo/ de pescadores/ que lança sobre a praia/ o peixe para ser trocado com destreza”, escreve o poeta.

Este é o primeiro poema da obra, com memórias da infância, como Tolentimo Mendonça afirma: “As manhãs da minha infância decorreram aí”, no areal, na restinga da cidade angolana do Lobito.

Segue-se o poema “A Vida Inventada dos Meus Avós”: “A vida dos nossos avós é inventada por nós/ e a essa fadiga o tempo não poupa ninguém”. “Assim inventei o meu avô Matias/ caçador de baleias e ocioso tocador de bandolim/ de colete e botas grossas/ que jamais se saciaram de paisagens”.

Neste livro “cruzam-se as reminiscências dos lugares da infância, a figura mítica da fala, ou a sombra dos objetos perdidos no tempo”, segundo a apresentação da Assírio & Alvim, que chancela a obra.

“A memória é anterior aos alfabetos/ exprime-se por riscos/ práticas de deriva/ subespaços que se acendem lentamente/ uma quantidade de indecifráveis vestígios/ semelhantes àqueles deixados/ pelas intempéries”, escreve Tolentino no poema “A Primeira Magia”.

“A história muda muitas vezes de direção e tem outros finais”, escreve no final de “A Quem Deixas o Teu Oiro”.

José Tolentino Mendonça, a completar 56 anos em dezembro próximo, foi elevado a cardeal pelo papa Francisco em 2019.

Nascido no Machico, na Ilha da Madeira, Tolentimo Mendonça tem publicados cerca de 45 títulos, maioritariamente de poesia, mas também ensaio, teatro e teologia.

José Tolentino Mendonça recebeu vários prémios, designadamente Cidade de Lisboa de Poesia (1998), P.E.N. Clube Português/Ensaio (2005), o Prémio Literário da Fundação Inês de Castro (2009), Res Magnae (2015), o Grande Prémio de Crónica da Associção Portuguesa de Escritores (2016) e o Grande Prémio de Poesia Teixeira de Pascoaes (2016), assim como os prémios Capri-San Michele (2017), “Uma vida por… paixão!” do jornal italiano Avvenire (2018), Cassidorio il Grande (2020) e, já este ano, o Prémio Universidade de Coimbra.

Em 2020 foi distinguido com o Prémio Europeu Helena Vaz da Silva.

O sacerdote e escritor foi também agraciado pelo Estado Português com duas comendas, da ordem do Infante, em 2001, e da de Sant’Iago da Espada, em 2015.

A Região Autónoma da Madeira atribuiu-lhe, em 2019, a Medalha de Mérito da Madeira.

NL // MAG

By Impala News / Lusa

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