Nova ponte repõe travessia reclamada por população afetada pela barragem do Alto Tâmega

A Iberdrola vai construir uma ponte entre duas aldeias de Vila Pouca de Aguiar e Boticas, para repor uma travessia do rio que as populações temiam perder por causa da barragem do Alto Tâmega.

Nova ponte repõe travessia reclamada por população afetada pela barragem do Alto Tâmega

Nova ponte repõe travessia reclamada por população afetada pela barragem do Alto Tâmega

A Iberdrola vai construir uma ponte entre duas aldeias de Vila Pouca de Aguiar e Boticas, para repor uma travessia do rio que as populações temiam perder por causa da barragem do Alto Tâmega.

Entre Sobradelo (Boticas) e Capeludos (Vila Pouca de Aguiar), no distrito de Vila Real, existe um pontão de cimento para passagem de carros e peões que vai ser atingido pela construção da barragem do Alto Tâmega, uma das três que constitui o Sistema Eletroprodutor do Tâmega (SET), concessionado à espanhola Iberdrola.

Na terça-feira, a empresa e as câmaras de Vila Pouca de Aguiar e Boticas anunciaram, naquelas aldeias, que a alternativa para a travessia do rio Tâmega vai passar pela construção de uma ponte, a 500 metros a montante do atual pontão, com 170 metros de extensão e uma altura de cerca de 45 a 50 metros acima da atual cota do rio.

“Não é a solução ideal, mas é uma solução muito boa”, afirmou o presidente da Junta de Capeludos, António Machado, após a apresentação do projeto.

O ideal, na sua opinião, seria a ponte ter largura para ser cruzada por dois carros em simultâneo. A estrutura terá dois sentidos, mas só poderá ser atravessada por um carro de cada vez.

O autarca referiu que, sem esta alternativa, os populares teriam de andar cerca de 60 quilómetros, numa viagem de ida e volta. As duas aldeias distam atualmente três quilómetros.

A vida destas populações cruza-se e completa-se. Cultivam terrenos e trabalham de um e do outro lado, convivem, vão a festas e a funerais.

Depois do anúncio da construção da barragem seguiram-se anos de incerteza e de luta pela reposição da travessia que não foi contemplada na Declaração de Impacto Ambiental (DIA) do SET.

“Foi um lapso e esse lapso foi corrigido. Sempre pugnámos por essa correção, é justo, é correto, foi assumido e felizmente foi viabilizado”, afirmou o presidente da câmara de Vila Pouca de Aguiar, Alberto Machado.

Esta é, para o autarca, uma “solução justa”.

“É um território já por si bastante isolado e, por isso, não será a barragem aqui a provocar mais cortes. Com a barragem serão feitas pontes que ligam as populações”, frisou.

David Bernardo, da Iberdrola, explicou que vai ser construída uma “estrutura prefabricada de betão” e adiantou que a obra deverá arrancar até ao final do primeiro trimestre de 2022, prevendo-se a sua conclusão até meados de 2023, antes do enchimento da barragem.

Mário Costa, residente em Capeludos, estava a regressar da vinha que tem do outro lado do rio, onde esteve a podar, quando contou à Lusa que vai perder parte do seu terreno para a barragem e uma outra parte para os acessos à nova ponte.

“Neste caso é por uma boa causa. Andávamos todos preocupados e com receio de termos de dar uma volta muito grande. Estamos aqui a metros e tínhamos que fazer quilómetros”, frisou.

Sem alternativa ao pontão, Fernando Pinto acredita que as aldeias “ficavam isoladas”.

“Antigamente nós passávamos em pedras colocadas no rio para irmos para o outro lado e de inverno tínhamos uma barca”, recordou este outro habitante daquela aldeia.

As câmaras e as juntas de freguesia uniram-se ao povo há 25 anos para construir a passagem que ainda hoje é utilizada. “Eu trabalhei lá muito”, referiu Mário Costa.

Depois de 21 anos como emigrante, João Cabo regressou a Capeludos, abriu um café há um mês e tem a expectativa que a nova ponte, a que se junta a reposição de duas áreas de lazer, em cada lado do rio Tâmega, traga também “mais gente” a esta localidade.

Por resolver está ainda a ligação entre Veral (Boticas) e Monteiros (Vila Pouca de Aguiar), onde a passagem pelo rio é feita por uma ponte pedonal de arame.

No âmbito da DIA esta ponte foi considerada um “elemento patrimonial”, pelo que a Iberdrola terá de a recolocar num outro local, sem que tenha que servir de ligação entre as duas margens.

“Não concordamos com essa solução. Continuamos a pugnar para que haja ali, pelo menos, uma reposição da ligação pedonal. Já conseguimos que a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) exigisse à Iberdrola a apresentação, até ao fim do ano, de soluções para mitigar aquela situação”, referiu Alberto Machado.

O SET é apresentado um dos maiores projetos hidroelétricos realizados na Europa nos últimos 25 anos, contemplando um investimento de 1.500 milhões de euros e a construção das barragens de Daivões, Gouvães e Alto Tâmega. A Iberdrola diz que empreendimento deverá estar concluído em 2023.

PLI // JAP

By Impala News / Lusa

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