Museu Soares dos Reis no Porto reabre com três exposições temporárias e um concerto

O Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, reabre este sábado com três exposições temporárias e um concerto do Ensemble Vento do Norte, porque é “urgente devolver o Museu à cidade e ao país”, anunciou hoje o diretor.

Museu Soares dos Reis no Porto reabre com três exposições temporárias e um concerto

Museu Soares dos Reis no Porto reabre com três exposições temporárias e um concerto

O Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, reabre este sábado com três exposições temporárias e um concerto do Ensemble Vento do Norte, porque é “urgente devolver o Museu à cidade e ao país”, anunciou hoje o diretor.

“Queremos reativar e fortalecer a relação com o público e, para isso, é também importante que o Museu [Nacional Soares dos Reis] se apresente de uma forma intensa, mas segura (…). Achámos que era urgente devolver o Museu à cidade e ao país, e, portanto, abrimos com esta política de exposições temporárias, mas que, de alguma forma, já coloca o Museu no campo da programação cultural”, explicou à agência Lusa o novo diretor do Soares dos Reis, António Ponte.

À margem da conferência de imprensa para anunciar a reabertura do Museu Nacional Soares dos Reis (MNSR) e a sua programação para os próximos meses, António Ponte explicou que a exposição de longa duração do MNSR vai ser adiada “por algum tempo”, por “questões de uma programação cuidada e rigorosa”, prevendo-se que esteja disponível para os visitantes em novembro próximo.

O MNSR reabre às 18:00 deste sábado, precisamente na Noite Europeia dos Museus -, e apresenta as exposições temporárias “A Índia em Portugal — um tempo de confluências artísticas” (patente até 30 de junho), “José Régio: [Re] Visitações à Torre de Marfim” (até 01 de agosto), e “Depositarium …1” (até 31 de agosto). A noite termina com um concerto agendado para as 20:00 do ensemble de saxofones Vento do Norte.

Na exposição “A Índia em Portugal — um tempo de confluências artísticas” é composta por cerca de 70 peças, como móveis e objetos domésticos de luxo, e reflete a ligação dos portugueses com a Índia, na época dos Descobrimentos, transportando os visitantes para os centros específicos de produção, ao longo da costa ocidental indiana.

Outra das exposições temporárias que António Ponte destacou foi “José Régio: [Re] Visitações à Torre de Marfim”, por ser uma exposição de poesia e desenho que permite conhecer a “obra gráfica do escritor José Régio, bem como a sua relação com o irmão e pintor Júlio”.

Rui Maia, curador desta exposição, contou aos jornalistas que, com 111 desenhos e três cadernos manuscritos, entre outros objetos, revela a capacidade que o desenho teve para dar “fisionomia a várias personagens e cenários” das obras literárias e do teatro do escritor.

O curador destacou o quadro “Benilde”, um desenho a lápis de cor que retrata a personagem principal da peça de teatro “Benilde, ou a Virgem Mãe”, de 1947, que a atriz Maria Barroso, mulher de antigo Presidente da República Mário Soares, viria a protagonizar nesse ano, na estreia da obra no Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa.

Rui Maia destacou também um conjunto de 15 desenhos pintados a tinta da China, em papel, para 15 poemas da obra “Fado”, de José Régio, e a curta-metragem “As Pinturas do Meu Irmão Júlio”, realizada por Manoel de Oliveira (que também adaptaria “Benilde ou a Virgem Mãe” ao cinema), com palavras de Régio, música de Carlos Paredes e pinturas de Júlio, o irmão de Régio.

A “Depositarium… 1” é a terceira exposição temporária e permite descobrir “peças que permanecem nas reservas e muito raramente são exibidas”, e onde se vai poder apreciar 16 obras escolhidas pela equipa do MNSR, provenientes das coleções de cerâmica, escultura, ourivesaria, joalharia, pintura e têxteis. A mostra inclui o “Album Phototypico e Descriptivo das Obras de Soares dos Reis”.

“O grande objetivo é, de facto, voltar a criar uma relação com o público. O Museu esteve fechado por duas razões. Por um lado, esteve num processo de intervenção [anterior à pandemia] e teve de encerrar, encerramento que a pandemia [da covid-19], acabou por prolongar e, portanto, este período terá causado um certo afastamento dos públicos do Museu”, observou António Ponte.

O diretor destacou também a parceria com a “Porto Design Biennale 2021”, durante a qual, em junho, vai haver exposições e instalações que “partem das peças do museu para interpretações contemporâneas dos temas fauna, flora e natureza”, além de outras mostras, como “Ouro e Azul”, sobre uma coleção de peças de esmalte do Museu Soares dos Reis e de outros museus portugueses (Continente e Ilhas).

Para setembro, está também programada uma grande exposição de desenhos dos mestres europeus dos séculos XVI e XVII.

Durante “todo este período, até novembro, a programação vai ser complementada com conferências, conversas, ciclos de música e ciclos de cinema”, acrescentou.

Neste sábado, o Museu Soares dos Reis encerra às 22:30, com a última visita a poder entrar às 22:00. Reabre no domingo, dia 16, no horário habitual, das 10:00 às 18:00.

O museu encerra às segundas-feiras, reabrindo de terça-feira a domingo entre as 10:00 e as 18:00.

Em junho de 2019, a Lusa avançava que o Museu Nacional Soares dos Reis iria encerrar parcialmente em julho de 2019, para obras de recuperação e manutenção, no valor de um milhão de euros.

Primeiro museu público de arte do país, o Soares dos Reis foi fundado como Museu Portuense de Pinturas e Estampas, em 1833, com o objetivo de “recolher os bens confiscados aos conventos abandonados do Porto e aos extintos de fora do Porto (mosteiros de S. Martinho de Tibães e de Santa Cruz de Coimbra)”, como explica a página da instituição.

O museu adquiriu o estatuto de nacional em 1932, e mudou-se para o Palácio dos Carrancas oito anos depois, onde permanece desde então.

“No âmbito das Artes Plásticas salientam-se os núcleos de pintura e escultura do século XIX e primeira metade do XX. Nas Artes Decorativas, distingue-se a cerâmica, com uma mostra de faiança nacional e porcelana oriental, e ainda peças de ourivesaria, joalharia, vidros e mobiliário dos séculos XVI a XIX”, pode ler-se na página da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), que tutela o museu.

A coleção de pintura, em particular, é constituída por 2.500 objetos, com datas que vão do século XVI ao XX, destacando-se obras de Silva Porto, Marques de Oliveira, Henrique Pousão, Aurélia de Souza e António Carneiro, entre outros artistas.

CCM // MAG

By Impala News / Lusa

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