Museu Nacional de Soares dos Reis expõe relação do pintor Júlio Resende com a escrita

Museu Nacional de Soares dos Reis expõe relação do pintor Júlio Resende com a escrita

O Museu Nacional de Soares dos Reis, no Porto, vai receber, de 22 de março a 19 de maio, a exposição “Júlio Resende. A Palavra e a Mão”, sobre a relação entre o pintor e a palavra escrita.

Segundo o museu, além de pinturas e fragmentos literários, a exposição vai também incluir “ilustrações literárias a que Júlio Resende se dedicou, da banda desenhada e do desenho humorístico, que desde cedo publicou na imprensa, e da produção de figurinos e cenários para textos dramáticos levados à cena”, por companhias como o Teatro Experimental do Porto, o Teatro Experimental de Cascais e a Seiva Trupe.

“A exposição tem como fio condutor a relação do pintor com escritores como Vergílio Ferreira, Eugénio de Andrade, Mário Cláudio, Vasco Graça Moura, Fernando Namora ou Viale Moutinho, que abordaram o seu trabalho em diferentes momentos do seu longo itinerário artístico e identificaram os traços definidores da sua presença na arte e na cultura portuguesas”, pode ler-se no texto de apresentação da mostra organizada em colaboração com a Fundação Júlio Resende — Lugar do Desenho.

De acordo com o mesmo texto, trabalhos de “pintura e desenho, estudos e projetos destinados a uma prática artística abrangente e de grande cunho experimental permitem observar Júlio Resende entre a imagem e o texto, na multiplicidade de discursos a que se soube adaptar e que sobre ele foram elaborados”.

A exposição vai incluir a publicação de um catálogo com textos do historiador de arte e curador João Pinharanda, atual diretor do Camões — Centro Cultural Português, em Paris, do professor universitário e escritor José António Gomes (João Pedro Mésseder) e de Júlio Gago, histórico do Teatro Experimental do Porto, entre outros.

Júlio Resende nasceu em 23 de outubro de 1917 no Porto, onde frequentou a Academia Silva Porto e a Escola de Belas-Artes, sendo discípulo de Dórdio Gomes, e terminando o curso em 1945, com a pintura “Os Fantoches”, como recorda a biografia disponibilizada pelo Lugar do Desenho.

“Por dificuldades financeiras decorrentes da má situação económica da loja paterna, viu-se obrigado a suportar sozinho as despesas do curso, através da venda de trabalhos gráficos, como desenhos publicitários, banda desenhada e ilustrações. Desta faceta menos conhecida da sua obra, que se prolongou temporalmente dos anos 1930 aos anos 1970, podem destacar-se as histórias de Matulinho e Matulão, publicadas n’O Primeiro de Janeiro, entre 1942 e 1952, e as colaborações nas Revistas Infantis O Papagaio e Tic-Tac”, recorda a biografia publicada pela Universidade do Porto, em memória de antigos alunos ilustres.

Professor do ensino secundário, esteve na criação do Grupo dos Independentes, com Júlio Pomar, Nadir Afonso e Fernando Lanhas, entre outros, e veio a diplomar-se também em Ciências Pedagógicas pela Universidade de Coimbra, em 1956.

Autor de múltiplas obras no espaço público, desde o fresco da escola Gomes Teixeira, no Porto, a painéis de azulejo para a estação de comboios de Vilar Formoso, passando por vários trabalhos nos palácios da Justiça de Lisboa e Porto, tem entre as suas criações mais conhecidas o painel “Ribeira Negra”.

Júlio Resende morreu em 21 de setembro de 2011, aos 93 anos, em Valbom, Gondomar.

TDI // MAG

By Impala News / Lusa

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