Museu do Chiado abre diálogo inédito entre pintura, fotografia e escultura

Uma exposição inédita de diálogo entre pintura, fotografia e escultura, na segunda metade do século XIX, a partir da coleção do Museu do Chiado e do Arquivo de Documentação Fotográfica da Direção-Geral do Património Cultural, abre quarta-feira, em Lisboa.

Museu do Chiado abre diálogo inédito entre pintura, fotografia e escultura

Museu do Chiado abre diálogo inédito entre pintura, fotografia e escultura

Uma exposição inédita de diálogo entre pintura, fotografia e escultura, na segunda metade do século XIX, a partir da coleção do Museu do Chiado e do Arquivo de Documentação Fotográfica da Direção-Geral do Património Cultural, abre quarta-feira, em Lisboa.

Intitulada “Dilema de Ser e Parecer – O retrato na pintura, fotografia e escultura (1850-1916)”, a mostra do Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado (MNAC) tem a curadoria de Emília Tavares e de Maria de Aires Silveira, e vai ficar patente na Sala dos Fornos até 18 de abril de 2021.

A exposição, criada com base no acervo do MNAC e na coleção do Arquivo de Documentação Fotográfica da Direção-Geral do Património Cultural, assenta “num dos mais tradicionais géneros artísticos – o retrato -, já que a invenção da fotografia em 1839, introduziu de forma significativa um novo paradigma perante a representação do sujeito”, destaca um texto das curadoras enviado à agência Lusa.

Através de seis núcleos, a mostra do MNAC aborda algumas das correntes e conceitos mais relevantes que marcaram a estética do retrato naquela época, e de que modo a fotografia, a pintura e a escultura foram evoluindo a sua estética e definindo novos modelos artísticos, que foram também representativos das mudanças sociais da arte.

“Os estúdios comerciais de retrato vão afirmar-se ao longo deste período, impondo-se a uma sociedade burguesa ávida de novidade e de instrumentos de consagração da sua importância social. A fotografia veio dar visibilidade a uma sociedade do parecer, de forma massificada e verista, que inevitavelmente se confrontaria com os conceitos metafísicos da pintura de retrato”, recorda o mesmo texto.

Nesta linha, as curadoras propõem “uma visão altercada entre os modelos mecânicos e veristas da representação do sujeito e a sua estética interpretativa desde o romantismo ao naturalismo”, num diálogo onde se encontra uma “evidente transferência de influências, já que o retrato fotográfico foi compilado a partir das referências interpretativas pictóricas, mas a pintura também se reformulou perante o novo gosto realista fotográfico do detalhe e da verosimilhança”.

Um movimento estético em que transparece a sedução pela modernidade, através de “fórmulas naturalistas da arte moderna”, como comentou o escritor e jornalista Ramalho Ortigão (1836 — 1915), em 1883.

“Entre o ser e o parecer, entre a verdade na arte e a vontade de introduzir o realismo como nova expressão artística, estabelece-se o dilema, a partir da afirmação do artista com entusiasmo inovador na observação do autorretrato, do drama humano e retrato da natureza, em apontamentos no intimismo, até à realização do que o espírito sente, em retratos captados sob a influência do sujeito e orgulhosos dos seus ´inconscientes imortais´”, salientam ainda as curadoras.

No âmbito da exposição, o MNAC vai organizar um curso de retrato para o público em geral, orientado pelo pintor, desenhador e docente Nelson ferreira.

Intitulado “Introdução ao método Alla Prima – técnica de óleo”, o curso decorrerá nos dois últimos fins de semana de novembro e no primeiro de dezembro, para estudar a técnica de Alla Prima, (molhado sobre molhado), com tintas de óleo sobre painel, a partir de modelo, dirigido a principiantes e profissionais.

AG // TDI

By Impala News / Lusa

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