Moçambique/Ataques: ONG alerta para impacto de encerramento de unidades de saúde em Cabo Delgado
“Num país como Moçambique, com graves problemas de acesso à saúde, o encerramento de 37 unidades sanitárias [em Cabo Delgado] agrava a situação de milhares de habitantes”, refere-se numa nota da OCS distribuída hoje à comunicação social.
Cabo Delgado é desde outubro de 2017 palco de ações de grupos armados, que, de acordo com as Nações Unidas, forçaram à fuga de 250.000 pessoas de distritos afetados pela violência, mais a norte da província.
A capital provincial, Pemba, tem sido o principal refúgio para as pessoas que procuraram abrigo e segurança em Cabo Delgado, mas há quem prefira fugir para outros lugares, incluindo Nampula, província vizinha.
Para o OCS, o Governo moçambicano deve rapidamente tomar medidas para travar o conflito, evitando que “décadas de progresso em relação à expansão e acesso aos serviços de saúde” sejam afetados.
“Se, por um lado, um grupo de cidadãos perde a vida por não ter conseguido escapar dos ataques perpetrados pelos rebeldes, por outro lado, aqueles que sobrevivem correm o risco de perder a vida por falta de acesso ao sistema de saúde”, afirma a ONG, observando que é também “importante salvaguardar a integridade dos profissionais de saúde, para melhor servirem as populações vítimas de conflito e doenças”.
A ONG observa ainda que a situação de Cabo Delgado é mais complexa tendo em conta que a província está entre as mais afetadas pela covid-19 em Moçambique, que já registou um total de 1.557 casos, 11 mortos e 523 pessoas recuperadas.
A província de Cabo Delgado é a segunda que regista o maior número de casos ativos de infeção pelo novo coronavírus no país, com 203 infetados, antecedida por Nampula, com 239.
A cidade de Pemba é o segundo ponto declarado como de transmissão comunitária do novo coronavírus, a 21 de junho, na sequência da rápida evolução do número de infeções naquela cidade.
O conflito armado naquela província já matou, pelo menos, 1.000 pessoas, e algumas das ações dos grupos armados têm sido reivindicadas pelo grupo ‘jihadista’ Estado Islâmico (EI).
RYR // VM
By Impala News / Lusa
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