Moçambique precisa de libertar o ensino de história das

Moçambique precisa de libertar o ensino de história das “amarras de um suposto passado libertador” — académicos

Moçambique precisa de adequar os processos de construção de conhecimento à realidade do povo e libertar o ensino de história das “amarras de um suposto passado libertador”, defenderam hoje à Lusa académicos moçambicanos.

Maputo, 31 mar (Lusa) – Moçambique precisa de adequar os processos de construção de conhecimento à realidade do povo e libertar o ensino de história das “amarras de um suposto passado libertador”, defenderam hoje à Lusa académicos moçambicanos.


“O país precisa de perceber que está em constante alteração e é importante que esta mudança seja acompanhada pela adequação do conhecimento à realidade do povo”, disse o académico moçambicano Guilherme Basílio, à margem da 7.ª Conferência da Oficina de História Moçambique, uma associação de investigadores que promove a partilha de pesquisas em diversas áreas de conhecimento científico.


Para o académico, a nova era que se apresenta é “totalmente diferente” e, consequentemente, exige que o país perceba que o ensino não pode estar preso a uma narrativa linear e fechada, na medida em que a ciência é um processo de contínua evolução.


“Temos de colocar nos manuais a nossa história e a nossa realidade”, frisou o professor universitário, lembrando que a história é feita por um sujeito em constante mutação e, por isso, deve ser sempre pensada como um “devir”.


A multiplicidade de fontes que caracteriza a época atual deve ser fortemente aproveitada na ótica do Guilherme Basílio, que, no entanto, alerta para necessidade de uma interpretação rigoroso e imparcial da história de um povo com um “passado rico”.


“É necessário adequar o passado ao nosso presente. Temos de evitar as amarras da história libertadora, na medida em que todos nós hoje estamos continuamente a libertar o país”, frisou.


Por sua vez, o diretor da Biblioteca Nacional de Moçambique, Jorge Jairoce, entende que qualquer mudança na forma como é concedido o ensino em Moçambique passa, primeiro, por uma compreensão geral do que realmente é a era da globalização, considerando que este período “mexeu por completo” com a vida das pessoas.


“Nós, como moçambicanos, temos de analisar as dimensões da globalização e também quais são os seus efeitos “, alertou Jorge Jairoce, acrescentando que com o domínio destes dois pontos será possível revitalizar o ensino em Moçambique.


Para Jorge Jairoce esta medida abriria espaço a uma contínua atualização do conhecimento por parte dos professores, que seriam obrigados a atualizar constantemente os seus métodos de ensino para lecionar novos conhecimentos.


“Precisamos de disciplina, tanto na pedagogia como na pesquisa”, concluiu o diretor da Biblioteca Nacional de Moçambique.


Subordinada ao tema “Tendências Metodológicas de Ensino de História na Era da Globalização”, a 7.ª Oficina de História, organizada em cooperação com a Universidade Pedagógica (UP), reuniu historiadores, professores e estudantes na capital moçambicana, um projeto que acontece mensalmente e cujo principal objetivo é a partilha de pesquisas nas diversas áreas de conhecimento.



EYAC // EL

By Impala News / Lusa

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