Ministro do Ambiente dá estado de emergência do caudal do Tejo como ultrapassado

O ministro do Ambiente disse que a emergência no caudal do Tejo “está ultrapassada” e adiantou que Espanha prometeu resolver o quase esvaziamento da barragem de Cedillo até 15 de dezembro.

Ministro do Ambiente dá estado de emergência do caudal do Tejo como ultrapassado

Ministro do Ambiente dá estado de emergência do caudal do Tejo como ultrapassado

O ministro do Ambiente disse que a emergência no caudal do Tejo “está ultrapassada” e adiantou que Espanha prometeu resolver o quase esvaziamento da barragem de Cedillo até 15 de dezembro.

Lisboa, 02 dez 2019 (Lusa) — O ministro do Ambiente e da Ação Climática afirmou que a emergência no caudal do Tejo “está ultrapassada” e adiantou que o Governo espanhol prometeu resolver o quase esvaziamento da barragem de Cedillo até 15 de dezembro.

Em declarações à rádio TSF, João Pedro Matos Fernandes adiantou que existiu uma reunião entre Portugal e Espanha sobre o assunto.

“A reunião foi feita – não por mim, mas pelo nosso embaixador em Madrid -, e Espanha, ao pedido que o Governo português fez, subscrito por mim, respondeu sim e comprometeu-se com a data de 15 de dezembro para estar regularizado. Chegar à quota 114 partindo de uma quota 96”, assevera o governante.

De acordo com o ministro, a evolução está a ser favorável, salientando que no domingo já tinha chegado à quota 109.”

João Pedro Matos Fernandes disse que a “emergência” no caudal do Tejo “está ultrapassada” e adiantou que “terá oportunidade de falar sobre o assunto com a ministra da Transição Ecológica espanhola, Teresa Ribera, na quarta-feira no Conselho de Ministros, em Bruxelas.

O ministro esclareceu, em declarações à TSF, que uma reunião direta com a ministra espanhola do Ambiente “já não é urgente, porque a situação está ultrapassada”.

O governante destacou também estar a trabalhar com as autarquias afetadas pela barragem de Cedillo (Castelo Branco e Vila Velha de Ródão) para que os prejuízos causados nas estruturas locais sejam “rapidamente repostas ou financiadas pela Agência Portuguesa do Ambiente”

A ministra da Transição Ecológica de Espanha, Teresa Ribera, reconheceu na semana passada haver “um problema de represas em cadeia” que afetam o caudal do rio Tejo, mas assegurou que Madrid “nunca falhou” os acordos com Portugal.

“O nosso problema é que temos de assegurar uma quota mínima [na albufeira de Cedillo], porque abaixo dessa quota não está assegurado o abastecimento [de água] a Cáceres [cidade espanhola a cerca de 90 quilómetros da fronteira portuguesa], disse Teresa Ribera à agência Lusa em Madrid.

A ministra em exercício acrescentou que Espanha está a “enviar e a soltar água” de Cedillo de acordo com “picos” que vai recebendo a montante, mas assegurou estar “confiante” que “isso se vai estabilizar no curto prazo”.

A regularização do caudal que chega a Portugal, o principal problema apontado pelo Governo de Lisboa, “depende da água que vem de mais acima”, disse Teresa Ribera.

“O principal problema de Cedillo é que está associado ao abastecimento de Cáceres. Esse é um ponto crítico que temos de ver como se resolve”, concluiu a ministra da Transição Ecológica espanhola, que afirmou manter “uma relação e conversação, não só cordiais como também frequentes, com o ministro português” da mesma pasta.

O ministro português do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, reafirmou há umas semanas em Ílhavo (Aveiro) a necessidade de “aprofundar a Convenção de Albufeira”, que regula as transferências de água de Espanha para Portugal, para haver uma maior regularidade nos caudais do Tejo, afastando, no entanto, a possibilidade de o país obter um maior caudal vindo de Espanha.

Matos Fernandes avisou que a negociação dos caudais do Tejo é uma tarefa “extraordinariamente difícil”, adiantando que “Espanha defende que se há maior irregularidade na chuva também se deveria tornar ainda mais irregular o cumprimento dos caudais previstos na Convenção” de Albufeira.

O ministro criticou na altura a forma como Espanha cumpriu esse acordo no último ano hidrológico, com “o esvaziamento da albufeira de Cedillo sem compensação a partir das albufeiras a montante, nomeadamente Alcántara e Valdecañas”, esperando que esta atitude não se repita.

DD (FPB/JDN) // SB

By Impala News / Lusa

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