Ministro brasileiro diz que Fundo Amazónia está suspenso após Noruega bloquear verbas

O ministro do Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, anunciou na quinta-feira a suspensão do Fundo Amazónia após a Noruega, principal doador para a proteção da floresta amazónica, ter anunciado o bloqueio de 30 milhões de euros destinados ao Fundo.

Ministro brasileiro diz que Fundo Amazónia está suspenso após Noruega bloquear verbas

Ministro brasileiro diz que Fundo Amazónia está suspenso após Noruega bloquear verbas

O ministro do Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, anunciou na quinta-feira a suspensão do Fundo Amazónia após a Noruega, principal doador para a proteção da floresta amazónica, ter anunciado o bloqueio de 30 milhões de euros destinados ao Fundo.

O país escandinavo acusa Brasília de “já não querer parar a desflorestação” e de ter “rompido o acordo” com os doadores do Fundo para a Preservação da Floresta Amazónica, para o qual Oslo já transferiu 828 milhões de euros desde a sua criação, em 2008.

“O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e com a Alemanha desde que suspendeu o conselho de administração e o comité técnico do Fundo Amazónia”, afirmou o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, ao jornal norueguês Dagens Naeringsliv (DN).

“O Brasil não pode fazer isso sem que a Noruega e a Alemanha concordem”, acrescentou o governante.

Em São Paulo, o ministro do Ambiente brasileiro, Ricardo Salles, declarou que o Fundo está “suspenso”.

“As regras do Fundo Amazónia estão em discussão. É natural que qualquer transferência de verbas aguarde o desfecho acerca da definição das regras. (…) O Fundo está suspenso. Portanto, temos que aguardar o resultado”, disse Salles, após reunir-se com ministros do Ambiente dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China).

Criado em 2008, o Fundo Amazónia é mantido, maioritariamente, com doações da Noruega e Alemanha, e é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil (BNDES).

A captação de recursos para o Fundo Amazónia é condicionada pela redução das emissões de gases de efeito estufa oriundas da desflorestação, calculados por um comité técnico, ou seja, é preciso comprovar a redução da desflorestação na Amazónia para viabilizar a captação de verbas.

De acordo com cálculos ainda provisórios com base nos volumes de desflorestação de 2018, a Noruega deveria pagar este ano ao Brasil cerca de 30 milhões de euros, o que agora se recusa a fazer.

“O que o Brasil mostrou é que não quer mais parar a desflorestação”, disse Elvestuen.

Em reação à suspensão da transferência de verbas para o Fundo Amazónia pela Noruega, o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, questionou se o país nórdico “não é aquele que mata baleias e explora petróleo”.

“A Noruega não é aquele que mata baleias lá em cima, no Polo Norte? Que explora petróleo também lá? Não tem nada a oferecer-nos. Peguem no dinheiro e ajudem a [chanceler alemã] Angela Merkel a reflorestar a Alemanha”, declarou o chefe de Estado, citado pela imprensa local.

No sábado, também a ministra alemã do Ambiente, Svenja Schulze, anunciou, em entrevista ao jornal alemão “Tagesspiegel”, a suspensão do financiamento de projetos para a proteção da floresta e da biodiversidade na Amazónia, no valor de 35 milhões de euros, devido ao aumento da desflorestação na região.

“Apoiamos a região amazónica para que haja muito menos desflorestação. Se o Presidente [Bolsonaro] não quer isso no momento, então precisamos conversar. Eu não posso simplesmente ficar a dar dinheiro enquanto continuam a desflorestar”, acrescentou a ministra ao jornal alemão Deutsche Welle.

Bolsonaro reagiu dizendo que o seu país não “precisa” de subsídios alemães.

As recentes divulgações do Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais (Inpe) apontam que a desflorestação da Amazónia Legal brasileira cresceu 88% em junho e 278% em julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo, possuindo a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios pertencentes ao Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

MYMM // ANP

By Impala News / Lusa

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