Meridional celebra 25 anos com espetáculo que revela lado invisível do ato criativo

Meridional celebra 25 anos com espetáculo que revela lado invisível do ato criativo

“Devíamos ter parado”, espetáculo do Teatro Meridional que assinala o 25.º aniversário, mostra o “avesso” da criação, o que está por detrás do que se apresenta, a intimidade e inquietação dos atores, mas também a “inevitabilidade de prosseguir”.

Lisboa, 12 nov (Lusa) – “Devíamos ter parado”, espetáculo do Teatro Meridional que assinala o 25.º aniversário, mostra o “avesso” da criação, o que está por detrás do que se apresenta, a intimidade e inquietação dos atores, mas também a “inevitabilidade de prosseguir”.


“Um espetáculo sobre o avesso, sobre o que não se costuma ver, a intimidade do ato criativo, o que está por detrás do que se apresenta. O caminho do ator é contar histórias. Esta história é sobre quem conta histórias”, descreve à Lusa o encenador Miguel Seabra.


Em “Devíamos ter parado”, que se estreia na quarta-feira, em Lisboa, “a palavra não é a principal forma de comunicação cénica”: há música ao vivo, da responsabilidade de Rui Rebelo, e muito movimento, numa coreografia teatral.


A “implantação cénica” também é diferente de tudo o que o grupo do Teatro Meridional fez até hoje, já que vai ser “em arena”, com o público dos quatro lados da sala, e tudo a passar-se no meio, explica Miguel Seabra.


“Essa proximidade é como se o público estivesse a espreitar pelo buraco da fechadura”, e o que se revela perante o seu olhar furtivo é tudo aquilo que está invisível no palco, a intimidade, as dúvidas, as ansiedades dos atores, a sua vontade de cumprir, a urgência, que sentem em palco, para contar uma história.


É por isso que o próprio título do espetáculo é uma “metáfora sobre a inevitabilidade de prosseguir”.


“Quem é ator, vive assim toda a vida. É um caminho de um só sentido e cada espetáculo é como se fosse o primeiro e o único”, considera o encenador.


“Devíamos ter parado” complementa a pergunta “o que estamos nós (ainda) aqui a fazer?”, que serve de mote para o espetáculo e para os 25 anos do Meridional, fazendo também uma ligação à pergunta que deu título ao primeiro espetáculo da companhia: “Ki Fatxiamu Noi Kui?” (Que fazemos nós aqui?).


O que fazem é uma “reflexão” sobre tudo o que fizeram até agora: “Neste momento, estamos numa estação de serviço, parámos para tomar um café e para olhar para o mapa e certificar que este é o caminho que queremos seguir, o de contar histórias”.


Essa certeza, porém, não chega nunca, porque “o caminho faz-se caminhando”, procurando novas linguagens e novos percursos, através de “uma estrada para a utopia, sabendo que esse horizonte se afasta na mesma medida, sempre que o procuramos atingir”, explica Miguel Seabra.


A única certeza é a de que a equipa está “estruturada e pronta para enfrentar novos desafios, com energia, determinação e inquietação”.


Essa “inquietação, que se mantém questionadora e dinâmica, é um aliado involuntário, que precisa de ser alimentado, com renovação, coragem e capacidade de arriscar”, acrescenta.


“Devíamos ter parado” tem assistência artística de Natália Luiza, interpretação de Margarida Gonçalves, Miguel Damião, Mónica Garnel, Paulo Pinto, Rosinda Costa, Rui Rebelo e Telmo Mendes, e cenários e figurinos de Marta Carreiras.


No âmbito dos 25 anos, o Teatro Meridional vai também apresentar um vídeo sobre o ‘making of’ da construção deste espetáculo, da autoria de João Pinto, cineasta e videasta, que tem acompanhado os ensaios.


As celebrações contam ainda com três dias de debate, em dezembro, sobre o percurso desta companhia – com convidados e temas próprios -, com a continuação do trabalho de itinerância, com uma ação de formação de Tiago Torres da Silva sobre escrita para música e com uma alteração do logótipo do Teatro Meridional.



AL // TDI

By Impala News / Lusa

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