Meia centena de condutores de animação turística protestam em Sintra contra interdições

Cerca de meia centena de pessoas em representação da animação turística que opera na vila de Sintra protestaram hoje junto à câmara municipal contra os condicionamentos do trânsito motivados pelos alertas de incêndio, alegando que prejudicam o seu trabalho.

Meia centena de condutores de animação turística protestam em Sintra contra interdições

Meia centena de condutores de animação turística protestam em Sintra contra interdições

Cerca de meia centena de pessoas em representação da animação turística que opera na vila de Sintra protestaram hoje junto à câmara municipal contra os condicionamentos do trânsito motivados pelos alertas de incêndio, alegando que prejudicam o seu trabalho.

Os manifestantes começaram a reunir-se ao final da manhã junto ao edifício da câmara municipal, no distrito de Lisboa, percorrendo depois cerca de um quilómetro até ao Palácio Valenças, onde o presidente da autarquia, Basílio Horta, eleito pelo PS, se encontrava reunido com a reitora da Universidade Católica.

Em declarações aos jornalistas, Inês Henriques, da Associação Nacional de Condutores de Animação Turística e Animadores Turísticos (ANCAT), reiterou estar em causa a reivindicação da instalação de uma estação meteorológica na serra de Sintra, devido ao microclima específico do local, de forma a que os alertas de incêndio estejam mais de acordo com o tempo da zona.

“O microclima da serra de Sintra tem de ser analisado de forma individua. A temperatura que está na serra de Sintra não é igual à que está em Cascais”, exemplificou Inês Henriques.

No terceiro protesto do setor no espaço de um mês, a responsável alertou que nos últimos 60 dias os empresários da animação turística, na sua grande maioria condutores de ‘tuk-tuk’, só puderam trabalhar 12 dias.

“E na maior parte dos dias esteve nevoeiro, cacimba, temperaturas baixas, as pessoas tiveram de usar agasalho, e a serra esteve cortada devido aos alertas”, frisou.

Segundo a representante, não se trata de “pôr em causa a segurança das pessoas”, considerando a necessidade de ser respeitado os perigos dos incêndios rurais, mas é necessário analisar este microclima, pelo que se defende a possibilidade de instalação de uma estação meteorológica do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) na serra, ou a utilização de alguma já existente que pertença a empresas estatais e/ou a particulares.

Os animadores turísticos reclamam ainda que nos dias de alerta laranja “só deveriam circular os transportes de passageiros de serviço público, que usassem somente o passe social, de forma a garantir os serviços mínimos de transportes para os residentes e trabalhadores”.

“Não se pode promover o turismo massificado como está acontecer”, referiu, denunciando que os autocarros estão a circular na serra cheios de turistas, numa ocupação “muita além do permitido pela Direção-Geral da Saúde”.

Em declarações aos jornalistas, o vereador da Mobilidade na Câmara de Sintra, Rui Pereira, afirmou que os animadores turísticos “não fizeram chegar à autarquia qualquer reivindicação”, avançando, no entanto, que a intenção de uma estação meteorológica na serra é “um verdadeiro disparate”.

“O controlo e o Sistema de Alertas Nacional é garantido através das informações do IPMA, a entidade que tem idoneidade para fazer estas medições e para avaliar as condições climatéricas do país. É ridículo”, comentou.

De acordo com Rui Pereira, quando se fecha o trânsito à serra, apenas é cortado o acesso ao Palácio da Pena, pelo que a animação turística continua a trabalhar na vila, mas, segundo o responsável, “há pouco trabalho porque há poucos turistas”.

“Temos o mesmo problema em Sintra do que em Lisboa. Tínhamos cinco, seis milhões de visitantes por ano, estamos agora a 10% dos números de anos anteriores, contrariando uma tendência de crescimento”, frisou.

Rui Pereira acusou ainda os animadores turísticos de não terem “noção da sua função”, lembrando que o sistema de animação turística “não é um sistema de transporte público, mas sim para fazer circuitos turísticos, ’tour’, não é levar pessoas da estação de comboios para o hotel ou para a Pena, que está vedada”.

“Estamos preocupados com toda a população do concelho: restaurantes, hotéis, taxistas, não só com a animação turística. Estamos preocupados com o emprego em geral, implementando medidas de apoio às empresas e trabalhadores”, referiu.

A serra de Sintra, localizada no distrito de Lisboa, integra uma região de proteção classificada como sensível ao risco de incêndio florestal, caracterizada por um elevado número de visitantes.

A circulação de trânsito tem sofrido condicionamentos desde o dia 17 de julho devido aos alertas da Proteção Civil para risco de incêndio.

RCP // ROC

By Impala News / Lusa

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