Médicos alertam para doentes prejudicados com mais burocracia na emissão de receitas

Médicos alertam para doentes prejudicados com mais burocracia na emissão de receitas

A Ordem dos Médicos avisa que está a agravar-se a “burocracia informática” que envolve a emissão de receitas médicas sem papel, considerando que está a ser prejudicado o tempo de consulta a dedicar ao doente.

Segundo o bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães, os serviços do Ministério da Saúde responsáveis pela gestão dos sistemas informáticos emitiram uma circular na qual é solicitado aos médicos mais um procedimento a executar na emissão das receitas médicas.

É pedido aos médicos um “procedimento informático extra”, que passa por informar um ‘helpdesk’ sobre a falência do sistema informático para que seja gerado um número de código que devem incluir quando na receita manual quando não é possível passar uma receita eletrónica.

Segundo a Ordem, quando há um problema informático que impossibilita passar uma receita eletrónica, os médicos estão a ser obrigados a colocar na receita manual um código numérico que é o indicador da falha informática.

Em declarações à agência Lusa, o bastonário Miguel Guimarães explica que esse código nem sempre é fácil de encontrar, levando a que os médicos “percam muito tempo” a ligar para um ‘helpdesk’.

“Faz perder muito tempo. Às vezes pode levar uma, duas ou três horas. Isto é trabalho burocrático, não é trabalho médico”, sublinha o bastonário, indicando que já escreveu aos Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) sobre este assunto, mas que ainda não recebeu qualquer resposta.

Miguel Guimarães não tem dúvidas de que “isto está a ter repercussões negativas na atividade médica”, apontando para uma excessiva burocratização informática que “prejudica o trabalho dos médicos e a relação médico/doente”.

“Isto não é aceitável. Isto é para cair. Não é forma de funcionamento”, afirma,

Os médicos entendem que as novas exigências na emissão de receitas médicas “complicam um processo burocrático e administrativo” que é já excessivo e “roubam tempo útil à observação do doente”, segundo a presidente do colégio de especialidade de medicina geral e familiar, Isabel Santos.

O bastonário considera até que “qualquer alteração nos sistemas informáticos” devia ser “acompanhada, no terreno, por médicos”, que experimentassem a sua viabilidade.

ARP // PMC

By Impala News / Lusa

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