Mário Machado | «Hoje, um Salazar não chegaria, teriam que ser mais dois ou três»

Numa entrevista conduzida por Manuel Luís Goucha no programa da manhã da TVI, Mário Machado abordou os seus ideais e as polémicas em que se viu envolvido.

Mário Machado | «Hoje, um Salazar não chegaria, teriam que ser mais dois ou três»

Numa entrevista conduzida por Manuel Luís Goucha no programa da manhã da TVI, Mário Machado abordou os seus ideais e as polémicas em que se viu envolvido.

Mário Machado, antigo militante do Partido Nacional Renovador, deu uma entrevista à TVI onde falou sobre a sua ideologia e abordou alguns temas sensíveis.

Numa entrevista de Manuel Luís Goucha e Maria Cerqueira Gomes, o líder da extrema-direita mostrou o descontentamento com as políticas seguidas pelo governo.

Para Mário Machado, António de Oliveira Salazar faz muita falta hoje em dia. «Um Salazar não chegaria, teriam que ser mais dois ou três», afiança. Para o entrevistado, o ditador «conseguiu que existisse respeito pela autoridade, seja dos netos pelos avós, seja pela policia» e que «nada disso existe hoje em dia», o que levou a um aumento «galopante da criminalidade».

Falando sobre a ditadura do Estado Novo,  Machado vangloria o antigo ditador e afirma que na actualidade o dinheiro vale mais do que a união familiar, algo que não acontecia durante a ditadura portuguesa. Questionado sobre o analfabetismo de então, Mário Machado desvalorizou o assunto e preferiu enaltecer as políticas que levaram à não participação de Portugal de II Guerra Mundial.

Mário Machado já passou mais de uma década na prisão

 

Filho único de uma família de classe média, o entrevistado afirma que descobriu o nacionalismo «por moda», aos 15 anos. Hoje, define-se como um nacionalista convicto mas com percalços; esteve preso 12 anos o que, no seu entendimento, moldou a personalidade que tem hoje. Porém, Mário Machado não se arrepende. Diz que a cadeia o ajudou a crescer como pessoa, apesar de confidenciar que que o «ódio» foi o seu combustível durante muitos anos.

Em 95,  foi preso após um grupo  – do qual fazia parte –, ter agredido brutalmente e assassinado um individuo de raça negra, Alcindo Monteiro, no Bairro Alto.

Inquirido sobre a sua participação no homicídio e respectiva pena, Machado afirma «Destruíram a minha vida» e que foi «um erro gravíssimo da Justiça portuguesa».

O político afirmou ainda que foi preso «por escrever um texto na internet», onde apenas pedia a mobilização dos nacionalistas, ressalvando que nem no tempo do Estado Novo alguém teria sido preso dois anos e meio por ter escrito um texto onde expressava as suas ideias.

Durante o tempo que esteve preso, o político aproveitou para estudar e formar-se em direito.

Não é racista

Sobre o ódio racial que lhe é imputado, Mário Machado afirma não ser racista e que tem diversos amigos de outras etnias, não se revendo nas posturas raciais ou xenófobas da extrema-direita.

Contudo, Machado afirma que há um problema com a «comunidade negra e a criminalidade» e que o facto de muitas cadeias portuguesas serem dominadas por indivíduos africanos é algo que «deveria ser debatido abertamente».

Já sobre a comunidade cigana, as ideias do entrevistado apontam para que estes tenham «regalias que não são dadas aos portugueses, ainda que «depois não ajudem o país em nada».

 

Novo partido político

A organização política Nova Ordem Social (NOS) , liderada por Mário Machado, quer ser um partido em 2020. O líder do movimento quer ser «um tornado que pretende dar um novo rumo a Portugal», e que no mundo existem alguns «ventos de mudança», como é o caso do Brasil de Jair Bolsonaro.

Questionado se poderia assumir esse cargo de líder da nação, Mário Machado afirma que pode ser «o novo Salazar». O líder do NOS considera o antigo político português como um homem honesto que não é nada como os políticos de hoje em dia e pretende celebrar o antigo ditador português numa manifestação agendada para o próximo mês de fevereiro.

 

LEIA MAIS: Relatório alerta para atividade de grupos de extrema-direita em Portugal

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