Marcelo pede que Estado e privados completem compra de obras de Paula Rego feita pela Gulbenkian

O Presidente da República destacou hoje a recente compra de obras da pintora Paula Rego pela Fundação Calouste Gulbenkian, “mesmo no final da sua vida”, e pediu que Estado e privados completem essa iniciativa.

Marcelo pede que Estado e privados completem compra de obras de Paula Rego feita pela Gulbenkian

Marcelo pede que Estado e privados completem compra de obras de Paula Rego feita pela Gulbenkian

O Presidente da República destacou hoje a recente compra de obras da pintora Paula Rego pela Fundação Calouste Gulbenkian, “mesmo no final da sua vida”, e pediu que Estado e privados completem essa iniciativa.

Marcelo Rebelo de Sousa falava aos jornalistas em Braga, a propósito da nota de condolências que hoje fez publicar, em que defende que a maior homenagem que se pode fazer à pintora é “garantir, através de intervenções de organismos públicos e privados, que uma parte relevante do legado de Paula Rego ficará em Portugal”.

“Felizmente, nos últimos tempos, a Fundação Gulbenkian comprou talvez as obras mais significativas de Paula Rego. Isso foi feito mesmo no final da sua vida, sabemos hoje, por iniciativa de seu filho, Nick, e pela compreensão da então presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, doutora Isabel Mota”, assinalou.

Em seguida, o chefe de Estado defendeu que “tudo o que se possa fazer, completando aquilo que a Gulbenkian já fez, mesmo relativamente a obras que não são as mais emblemáticas, para haver em Portugal no futuro o testemunho daquilo que foi uma vida riquíssima e uma projeção no mundo, deve ser feito”.

O Presidente da República referiu que “uma parte das obras” de Paula Rego estão, “a título não definitivo, num museu que é o seu museu em Cascais”, a Casa das Histórias.

“No futuro, quer o Estado, quer entidades privadas que o possam, devem trazer para Portugal ou manter em Portugal a título definitivo o maior número de obras da Paula Rego”, acrescentou.

Marcelo Rebelo de Sousa prestou declarações à comunicação social no fim de uma visita à Escola Secundária de Maximinos, em Braga, onde se encontra para as comemorações do Dia de Portugal, que começam oficialmente na quinta-feira de manhã.

O programa de comemorações do 10 de Junho prosseguirá em Londres, até dia 12, com a participação do Presidente da República e o primeiro-ministro, junto da comunidade portuguesa no Reino Unido.

Paula Rego morreu hoje, aos 87 anos, em Londres, onde vivia.

Em 28 de janeiro deste ano, a Fundação Calouste Gulbenkian anunciou a aquisição das obras de Paula Rego “O Anjo”, de 1998, e “O Banho Turco”, de 1960.

De acordo com um comunicado divulgado na altura, “com esta incorporação, a Fundação Calouste Gulbenkian “consolidou a sua posição internacional como instituição privada com o maior e mais significativo acervo da artista, constituído por 37 obras”.

Isabel Mota cessou entretanto funções como presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, cargo que é atualmente exercido por António Feijó, desde 03 de maio.

Maria Paula Figueiroa Rego, nascida em Lisboa a 26 de janeiro de 1935, numa família de tradição republicana e liberal, começou a desenhar ainda criança, um talento que lhe foi reconhecido pelos professores da St. Julian’s School, em Carcavelos, e partiu para a capital britânica com 17 anos, para estudar na Slade School of Fine Art.

Foi bolseira da Fundação Calouste Gulbenkian para fazer pesquisa sobre contos infantis, em 1975, e em Londres conheceu o futuro marido, o artista inglês Victor Willing, cuja obra Paula Rego exibiu por várias vezes na Casa das Histórias, em Cascais.

A Casa das Histórias, que abriu em Cascais em 2009, projeto do arquiteto Eduardo Souto de Moura, com um acervo significativo de obras da autora, apresentou exposições do seu trabalho e de outros artistas, sobretudo portugueses, com quem a pintora tinha afinidades.

Nas últimas décadas, Paula Rego abordou temas políticos, como o abuso de poder, e sociais, como o aborto, entre outros, do universo feminino. O seu trabalho foi influenciado pelos contos populares e pela literatura, nomeadamente a escrita de Eça de Queirós, que a levou a pintar quadros inspirados em livros como “A Relíquia” e “O Primo Basílio”.

Em 2010, foi ordenada Dama Oficial da Ordem do Império Britânico pela rainha Isabel II e recebeu, em Lisboa, o Prémio Personalidade Portuguesa do Ano atribuído pela Associação da Imprensa Estrangeira em Portugal.

Para incentivar os jovens a desenhar, em 2016 foi criado o Prémio Paula Rego, galardão anual atribuído a estudantes da Faculdade de Belas Artes de Lisboa.

Paula Rego recebeu, em 1995, as insígnias de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, em 2004 a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada, e em 2011 o doutoramento ‘honoris causa’ pela Universidade de Lisboa, título que possui de várias universidades no Reino Unido, como as de Oxford e Roehampton.

Em 2019, foi distinguida com a Medalha de Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura.

A sua obra está representada em múltiplas coleções públicas, a nível nacional e internacional.

Em novembro de 2021, também a Galeria 111, que representou a pintora em Portugal desde o início da carreira, organizou uma exposição em sua homenagem, e da “relação de amizade e cumplicidade”, que titulou “Saudades”, com 27 obras que revisitam o seu percurso artístico desde os anos 1980 até trabalhos mais recentes, provenientes do atelier da pintora, em Londres.

IEL (AG) // JPS

By Impala News / Lusa

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