Mais dois linces libertados no Vale do Guadiana no Alentejo, 37 desde 2014

Duas fêmeas de lince-ibérico criadas em cativeiro foram hoje libertadas numa herdade em Mértola (Beja), elevando para 37 o total de animais desta espécie soltos na área do Parque Natural do Vale do Guadiana, desde 2014.

Mais dois linces libertados no Vale do Guadiana no Alentejo, 37 desde 2014

Mais dois linces libertados no Vale do Guadiana no Alentejo, 37 desde 2014

Duas fêmeas de lince-ibérico criadas em cativeiro foram hoje libertadas numa herdade em Mértola (Beja), elevando para 37 o total de animais desta espécie soltos na área do Parque Natural do Vale do Guadiana, desde 2014.

“Correu muito bem, foi uma solta memorável”, disse à agência Lusa Pedro Rocha, diretor do departamento no Alentejo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

Os animais, explicou o ICNF, em comunicado, são duas fêmeas, com cerca de 11 meses de idade, e foram libertadas na Herdade da Bombeira, no concelho de Mértola.

O responsável do ICNF no Alentejo e do Parque Natural do Vale do Guadiana (PNVG) indicou à Lusa que uma das fêmeas se chama Paprika e é oriunda do Centro Nacional de Reprodução em Cativeiro em Silves (CNRLI), no distrito de Faro, enquanto a outra se chama Puntilla, sendo proveniente do Centro La Granadilla, em Espanha.

“Foi a primeira vez que libertámos linces nesta herdade, mas era uma das que estava na lista de reintrodução. É uma herdade que tem tudo o que nos interessa, ou seja, a tranquilidade necessária, é mesmo à beira do Rio Guadiana, e o refúgio e o alimento, os coelhos, de que os animais precisam”, destacou Pedro Rocha.

Segundo o Ministério do Ambiente e da Transição Energética, com a ação realizada hoje, subiu para 37 o total de linces libertados, desde 2014, na área do Vale do Guadiana, classificado como Sítio de Importância Comunitária da Rede Natura 2000.

“Este reforço populacional do lince-ibérico tem como objetivo restabelecer uma população selvagem autónoma, garantindo também uma diversidade genética adequada”, explicou o Ministério do Ambiente, realçando que este animal “é um dos felinos selvagens mais ameaçados do mundo” e que “tem tido uma atenção particular de toda a comunidade internacional”.

A libertação das duas fêmeas de lince, presenciada pela secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, foi antecedida pela inauguração da exposição “Partilhando territórios: o regresso do Lince”, na sede do Parque Natural do Vale do Guadiana, em Mértola.

A mostra, apresentada pelo ICNF, insere-se no projeto “Recuperação da Distribuição Histórica do Lince-Ibérico” (Lynx pardinus) em Espanha e Portugal e tem o apoio da Comissão Europeia, através do programa LIFE.

A iniciativa, de acordo com o ICNF, pretende “retratar a coexistência entre o lince-ibérico e os humanos, no passado e no presente, apresentando aspetos da história da espécie, da preparação da reintrodução, bem como da atual distribuição dos animais fundadores e os encontros dos que vivem, trabalham ou visitam o concelho de Mértola” com estes exemplares.

“A exposição quer mostrar que há um território associado ao lince, onde se desenvolvem atividades, onde há vinho, gado, caça e onde o lince convive com as pessoas. E queremos também mostrar as gentes, com memórias antigas do lince, faladas e vividas, através de uma aplicação multimédia, e a identidade” que se está a construir “nos territórios onde ele voltou a habitar”, referiu Pedro Rocha.

A outra vertente da mostra, que vai ficar como exposição permanente na sede do parque natural, incorporando imagens, utensílios e até uma estátua, é “dar a conhecer o trabalho que está por trás da reintrodução do lince, o seguimento, a seleção das áreas, o trabalho nos centros de reprodução”, acrescentou.

RRL // MLM

By Impala News / Lusa

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