Maioria das grávidas e mulheres a amamentar em São Tomé e Príncipe consomem álcool

Um estudo sobre o consumo de álcool em São Tomé e Príncipe revelou que 79% das grávidas, 92% das mulheres em período de amamentação e 28% das crianças menores de cinco anos consumiram bebidas alcoólicas nos 12 meses anteriores ao inquérito.

Maioria das grávidas e mulheres a amamentar em São Tomé e Príncipe consomem álcool

Maioria das grávidas e mulheres a amamentar em São Tomé e Príncipe consomem álcool

Um estudo sobre o consumo de álcool em São Tomé e Príncipe revelou que 79% das grávidas, 92% das mulheres em período de amamentação e 28% das crianças menores de cinco anos consumiram bebidas alcoólicas nos 12 meses anteriores ao inquérito.

As conclusões são do projeto Popmisa – População Maternoinfantil sem álcool em São Tomé e Príncipe, promovido pela organização não governamental Helpo e que se baseou nas respostas a um questionário supervisionado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD), de Portugal.

O questionário contou com a participação de 937 mulheres em idade fértil, algumas com filhos menores de cinco anos, e 67 enfermeiros de São Tomé e Príncipe, com o objetivo de conhecer melhor a realidade do consumo de bebidas alcoólicas na população do arquipélago.

Das 354 grávidas inquiridas, 79% consumiram bebidas alcoólicas pelo menos uma vez durante a gestação, a maioria das quais (64%) vinho de palma.

O estudo contou com 190 mulheres a amamentar, 92% das quais disseram ter consumido bebidas alcoólicas pelo menos uma vez nos últimos 12 meses.

Neste inquérito, 402 mulheres tinham filhos com menos de cinco anos. Destes, 28% já tinham bebido bebidas alcoólicas e metade das quais com menos de um ano.

A investigação, que começou a ser feita em 2019, apurou ainda que mais de 80% das grávidas e mulheres a amamentar consumiram álcool o fizeram-no até três vezes por semana.

Destas, e tendo por base os 30 dias anteriores ao inquérito, 5% das grávidas e 11% das mulheres em período de amamentação admitiram que tiveram pelo menos um consumo alcoólico excessivo, ou seja, que consumiram mais de quatro copos numa única ocasião.

A demonstrar a “falta de informação sobre os malefícios do álcool”, o estudo identificou 48% das mulheres e 36% dos enfermeiros que desconheciam que o vinho da palma tem teor alcoólico.

“Esta bebida, produzida artesanalmente a partir da fermentação da seiva de várias espécies de palmeiras, é a bebida alcoólica mais consumida pelas mulheres inquiridas, com uma frequência de até três vezes por semana, em média”, lê-se nas conclusões do estudo.

As análises de teor alcoólico desta bebida indicam uma variação entre os 4% e 6%, tendo em conta que quanto maior for a exposição da bebida ao tempo, maior é o teor alcoólico da mesma.

Os resultados do projeto Popmisa foram apresentados no dia 20 de outubro, numa videoconferência entre Portugal e São Tomé e Príncipe.

Será agora lançada uma campanha de sensibilização para os efeitos do consumo do vinho da palma doce e um manual sobre “Gravidez e Alimentação — Boas Práticas de Alimentação e Prevenção do Consumo de Bebidas Alcoólicas”.

 

 

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