Maestro Pedro Carneiro celebra paixão pela música com “Carta Branca” do CCB até junho

O maestro Pedro Carneiro é o convidado do ciclo “Carta Branca”, pelo Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, que começa no sábado e se prolonga até junho próximo, num total de quatro momentos musicais.

Maestro Pedro Carneiro celebra paixão pela música com

Maestro Pedro Carneiro celebra paixão pela música com “Carta Branca” do CCB até junho

O maestro Pedro Carneiro é o convidado do ciclo “Carta Branca”, pelo Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa, que começa no sábado e se prolonga até junho próximo, num total de quatro momentos musicais.

“É uma celebração da minha paixão pela música e minha ligação ao CCB”, disse o maestro titular da Orquestra de Câmara Portuguesa (OCP) e da Jovem Orquestra Portuguesa (JOP), referindo-se à programação que propõe para o ciclo “Carta Branca”, em declarações à agência Lusa.

“No fundo acaba por ser o centro da minha atividade enquanto intérprete, compositor, enquanto improvisador, enfim como criador”, prosseguiu Pedro Carneiro, que realçou a sua ligação ao CCB, onde realizou “um dos {seus] primeiros recitais em Lisboa”, e “onde [viu] nascer a Orquestra de Câmara Portuguesa, em setembro de 2007”.

“Vivi horas sem fim nas suas salas de ensaio, nos palcos, bastidores, corredores, em todas estas múltiplas valências”, realçou.

O maestro e percussionista afirmou que este convite implica também “a responsabilidade de encontrar projetos interessantes e de poder concretizar o trabalho” que tem vindo a fazer.

Para o maestro, o convite dirigido visa também “revelar alguns” dos seus interesses que “tem sido um pouco fora do CCB, nomeadamente a OCP e a JOP e a direção de orquestra”.

O primeiro concerto, no próximo sábado, “é à volta da percussão” e, no segundo concerto, a 20 de abril de 2023, Pedro Carneiro vai também apresentar-se a solo e revelar uma peça que compôs há 20 anos,

No sábado, pelas 21:00, com Pedro Carneiro sobem ao palco do pequeno auditório do CCB João Braga Simões, Rafael Picamilho, Carlos Zíngaro, Rodrigo Pinheiro, Pedro Melo Alves e Vítor Vieira.

Sobre o concerto de abertura do ciclo, Pedro Carneiro disse: “Celebra a percussão, o centro da minha vida criativa há mais de três décadas, com a obra incontornável de alguns criadores que fazem parte da sua história nos séculos XX e XXI, Toru Takemitsu, Alejandro Viñao e Iannis Xenakis, pontuados por momentos de improvisação/criação, com artistas de várias gerações”

No concerto do próximo 20 de abril, também no pequeno auditório, Pedro Carneiro apresentar-se-á a solo, e estreia uma obra que compôs há 20 anos, para sete músicos, soprano e eletrónica, que inclui poesia da sua autoria, assim como de Sebastião da Gama (1924-1952) e do húngaro Miklós Radnóti (1909-1944).

Carneiro partilha ainda o palco com o jovem músico Henrique Constância, “um novíssimo talento, que irá rematar o concerto com uma das mais belas páginas de Joseph Haydn, a sinfonia ‘La Passione'”. Este concerto dedicado à “Música de Câmara” conta ainda com o projeto Notas de Contacto e a Orquestra de Câmara Portuguesa.

A 19 de maio do próximo ano, Pedro Carneiro enceta “a viagem mais inaudita” com Moullinex, alter-ego do multi-instrumentista Luís Clara Gomes, com quem está “ainda a criar um projeto à volta da árvore e da sustentabilidade [ambiental]”.

“Um concerto para marimba e eletrónica, que toma a árvore como símbolo, em particular a madeira da marimba, o pau-rosa do Belize, como mote”.

O Belize, referiu o músico Pedro Carneiro, “é um país [na América Central] com um índice elevado de pobreza, onde metade das crianças carece de necessidades básicas. A árvore é, deste modo, um espírito, uma oração, um órgão feito de floresta”.

Pedro Carneiro e Moullinex vão apresentar “Árvore” no grande auditório do CCB.

O ciclo “Carta Branca” a Pedro Carneiro encerra no dia 24 de junho de 2023 com “24 horas de música, numa grande festa que é também a celebração do espaço CCB”, pois acontece em diferentes locais do centro, em que irá também tocar e vai “convidar alguns amigos musicais de longa data, partilhando o gosto pela música ao longo de todas as épocas sem barreiras estéticas”.

Nesse dia, propõe-se “uma maratona musical de 24 horas de música”, sendo “uma oportunidade única de viajar, sentir, ver e ouvir o CCB por dentro, pelos seus espaços [acústicos] múltiplos, a sua luz e a sua magia, através da música, da palavra, do som e do movimento”.

Além de Pedro Carneiro, a “maratona musical” conta com uma Orquestra Participativa, o ‘ensemble’ vocal Vocês Caelestes, sob a direção do maestro Sérgio Fontão, o Grupo de Percussão da Orquestra de Câmara Portuguesa, o flautista Rui Borges Maia e a pianista Joana Gama.

“É fazer uma grande festa, que é fazer um bocadinho mais do que me foi pedido, mas a música é generosidade e entrega, e esta partilha grande”.

Haverá também uma orquestra participativa, na qual se poderá inscrever quem o entender. Pedro Carneiro vai aliás disponibilizar a todos a partitura da peça.

O dia encerra com uma obra de cinco horas para percussão, flauta e piano, “For Philip Guston”, de Morton Feldman (1926-1937).

Neste dia, além da “tenacidade” de Feldman, escutar-se-á música da “genialidade de Johann Sebastian Bach, ao sublime György Kurtág, da invenção de Carlos Gesualdo à energia transcendente de Iannis Xenakis”, atravessando mais de 400 anos de criação musical.

O percussionista Pedro Carneiro, nascido em 1975, é cofundador, diretor artístico e maestro titular da OCP e da JOP.

Estudou piano, violoncelo e trompete, desde os cinco anos; foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian na Guildhall School of Music and Drama, em Londres, onde terminou a licenciatura com a distinção “Head of Department Award”.

Estudou direção de orquestra com Emilio Pomàrico, na Accademia Internazionale della Musica, em Milão.

Carneiro tocou, em estreia absoluta, mais de uma centena de obras, e trabalha regularmente músicos, orquestras e compositores, tendo atuado como solista convidado de orquestras como a Filarmónica de Los Angeles, Orquestra Sinfónica de Seattle, Orquestra Nacional de Gales da BBC, Filarmónica de Helsínquia, a Orquestra Sinfónica da Rádio Finlandesa e Sinfónica da Islândia, Orquestra de Câmara Inglesa, Orquestra de Câmara de Viena, Orquestra do Festival de Budapeste, Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo, Sinfónica da Rádio de Leipzig e Orquestra de Câmara Sueca, entre outras.

Carneiro já tocou sob a direção de maestros como Gustavo Dudamel, Oliver Knussen, John Neschling e Christian Lindberg, e, entre outros, colaborou com os quartetos Tokyo, Shanghai, New Zealand, Latinoamericano e Arditti, com o qual gravou.

Da sua extensa discografia, destaca-se a monografia de Xenakis (2004).

Carneiro trabalhou igualmente com as orquestras Gulbenkian, Sinfónica Portuguesa, Clássica da Madeira, do Algarve e Fundação Orquestra Estúdio, no plano nacional e, no estrangeiro, com a Orquestra Sinfónica da Estónia, sendo maestro convidado no Round Top Festival, no Texas, e no Festival de Música de Santa Catarina, no Brasil.

Colabora regularmente com o realizador João Viana e o encenador e Miguel Moreira. Trabalhou igualmente com o ator, encenador e dramaturgo com Jorge Silva Melo (1948-2022), fundador da companhia Artistas Unidos.

Entre outros, recebeu o Prémio Maestro Silva Pereira (1997) e o Park Lane Young Artists Auditions (1998), assim como o Prémio da Hattori Foundation for Young Musicians (2001), a Medalha de Honra da Cidade de Setúbal (2011) e o Prémio Gulbenkian Arte (2011).

NL // MAG

By Impala News / Lusa

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