Madeleine Peyroux e Chico César no “não festival” Artes à Rua, em Évora

A cantora de jazz norte-americana Madeleine Peyroux e o músico brasileiro Chico César são dois dos artistas internacionais que participam no Artes à Rua, o “não festival” que durante dois meses vai espalhar cultura pela cidade de Évora.

Madeleine Peyroux e Chico César no

Madeleine Peyroux e Chico César no “não festival” Artes à Rua, em Évora

A cantora de jazz norte-americana Madeleine Peyroux e o músico brasileiro Chico César são dois dos artistas internacionais que participam no Artes à Rua, o “não festival” que durante dois meses vai espalhar cultura pela cidade de Évora.

A Câmara Municipal de Évora, através do vereador do Património e da Cultura, Eduardo Luciano, apresentou hoje, em Lisboa, o programa Artes à Rua, que decorre de 13 de julho a 05 de setembro, e consolidou a candidatura daquela cidade a Capital Europeia da Cultura.

Numa conferência de imprensa que decorreu na Casa do Alentejo, em Lisboa, Eduardo Luciano revelou que o Artes à Rua vai contar com cerca de 300 participantes, dos quais vários internacionais, provenientes de 12 países, em quase cem espetáculos.

O festival, que vai versar áreas culturais tão diversas como cinema, dança, teatro, escultura, fotografia, música, performance, teatro e literatura, “não é um festival como os outros, não é um festival de três dias, é um ‘não festival’ de dois meses, um elemento de resistência para afirmar a cultura como algo essencial para a liberdade, a democracia e a paz”, afirmou.

Esta ideia do “não festival” é explicada pelo responsável autárquico como um “conceito”, o de “transformar a cidade em diversos palcos, com espetáculos gratuitos, criações únicas que cruzam todas as artes e intervenções artísticas.

Como exemplo aponta o cruzamento de música Jazz, por Madeleine Teyroux, com música barroca, ou de música medieval com os Venga Venga, uma dupla brasileira que apresenta uma proposta musical que mistura folclore com experiencias musicais eletrónicas, apostando num visual andrógino e multicolorido.

“Um festival tem três dias, é composto por concertos para atrair gente, que paga bilhetes e se fecha ali. O Artes à Rua não é uma oferta fechada, é uma proposta”, disse.

Para este “não festival” foi lançado o desafio a mais de cem criadores locais para apresentarem criações novas, de que é exemplo a ópera “Geraldo e Samira”, que terá lugar no dia 31 de agosto, ou o projeto “Mar-Planície”, que mistura música com literatura, que será apresentado a 15 de agosto e conta com a participação do escritor José Luís Peixoto e os músicos Carlos Martins, João Paulo Esteves da Silva, Mário Delgado, Carlos Barreto, Alexandre Frazão, Manuel Linhares, Joana Guerra e José Manuel Rodrigues, além do Grupo de Cantares de Évora.

Relativamente à ópera, foi composta com música de Amílcar Vasques Dias, encenada por F. Pedro Oliveira, com a participação de Nélia Pinheiro, da Companhia de Dança Contemporânea de Évora, e de vozes líricas nacionais e internacionais, como Marco Alves dos Santos ou Natasa Sibalic, de uma orquestra, do Coro Eborae Musica e de outros instrumentistas, bailarinos e cantores.

Eduardo Luciano destacou que a aposta em criações novas é uma das marcas distintivas do Artes à Rua, e que a outra marca distintiva é a “apropriação do espaço público”.

Assim, durante o Artes à Rua, Évora converte-se num único e grande palco ao ar livre, oferecendo a residentes e visitantes da cidade uma programação cultural que este ano reúne nomes das artes, portugueses e estrangeiros, como a cantora e compositora irlandesa Sharon Shannon, a artista francófona, originária do Haiti, Moonlight Benjamin, o brasileiro Chico César, a dupla Martirio e Chano Dominguez, de Espanha, ou os portugueses Manel Cruz, Filho da Mãe, Bruno Pernadas e B Fachada.

Este ano, uma das opções de programação contempla o público infantil e familiar, de que é exemplo o espetáculo Canções de Roda, com Ana Bacalhau, Jorge Benvinda, Sérgio Godinho e Vitorino.

Entre as novas criações, além da produção “Mar-Planície” e da ópera “Geraldo e Samira”, contam-se os trabalhos de Omiri, com “Alentejo Volume 1 Évora” e das Mulheres de Palavra, projeto criado de raiz, e propositadamente, que junta as cantoras Uxia, Mynda Guevara, Mara e Emmy Curl ao grupo eborense Vozes do Imaginário;

Todo o programa está agrupado por ciclos e/ou por outros festivais ou por extensões de festivais.

No primeiro caso incluem-se o Transiberia Mundi, o Guitarras Ao Alto, o FIME, a Música Portuguesa a Gostar Dela Própria ou O Bairro, um festival de hip hop.

Em extensões de festivais, a que o Artes à Rua, se associa, surgem o Ev.Ex, que traz a música e a poesia experimental à cidade de Évora; o Festival Cister Música, de Alcobaça; o Lisbon Music Fest ou o Ethno Portugal, da Associação Pé de Xumbo.

No momento em que Évora se assume como candidata a Capital Europeia da Cultura, esta edição do Artes à Rua surge com redobrada ambição e expectativa, afirma a autarquia eborense.

“Queremos continuar assim até 2027, quando acreditamos que Évora será cidade Europeia da Cultura. Cultura para Évora é a ancora principal do desenvolvimento. Primeiro o património depois a cultura: não renunciamos ao nosso património mas queremos que seja mais”, afirmou o vereador.

Para Eduardo Luciano, esta candidatura “foca-se no caminho do aprofundamento”, e o Artes à Rua “insere-se nessa aposta”.

“Temos esse foco claro, que a cultura é para ser vivida por todos, e é por aí que queremos ir”.

AL // MAG

By Impala News / Lusa

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