Lusa e Inesc-ID convidam cidadãos a apoiar construção de ferramenta contra desinformação

A agência Lusa e o Inesc-ID convidam os cidadãos a participarem na construção de uma ferramenta que ajudará a combater a desinformação, através da resposta a um inquérito para aferir a perceção sobre credibilidade dos conteúdos noticiosos.

Lusa e Inesc-ID convidam cidadãos a apoiar construção de ferramenta contra desinformação

Lusa e Inesc-ID convidam cidadãos a apoiar construção de ferramenta contra desinformação

A agência Lusa e o Inesc-ID convidam os cidadãos a participarem na construção de uma ferramenta que ajudará a combater a desinformação, através da resposta a um inquérito para aferir a perceção sobre credibilidade dos conteúdos noticiosos.

O inquérito, que está disponível em http://inforadar.inesc-id.pt/inquerito/#artigo, é parte de um projeto maior, em desenvolvimento, de construção de uma ferramenta que tem como objetivo final estimular o espírito crítico dos leitores e contribuir, assim, para a sua literacia mediática.

“O objetivo da aplicação que pretendemos criar assenta na ideia de que deverão ser os utilizadores a selecionar a informação que pretendem consumir — ou partilhar –, fornecendo-lhes um conjunto de indicadores relevantes que lhes permitam averiguar ou questionar a credibilidade da informação que estão prestes a consumir”, explica a investigadora do Inesc-ID, Paula Carvalho.

O objetivo, reforça Paula Carvalho, “não é censurar, é empoderar os leitores, dotá-los de meios que lhes permitam tomar decisões informadas”.

Numa primeira etapa de desenvolvimento desta aplicação, que está a ser desenvolvida pela agência Lusa e o Inesc-ID, foi feito um estudo que consistia na anotação de notícias por um conjunto restrito de profissionais da comunicação, o que permitiu identificar indicadores relevantes para distinguir notícias credíveis de não credíveis.

Como a ferramenta não se destina especificamente a profissionais da comunicação, mas ao público em geral e à partida menos sensível aos princípios e regras da redação jornalística, foi considerado “fundamental que os indicadores de credibilidade previamente identificados sejam também avaliados por leitores comuns, de modo a verificar a sua pertinência e ponderar a sua integração na ferramenta em desenvolvimento”, afirmou.

Ao participarem no inquérito, disponível ‘online’, que terá tanto mais sucesso quantas mais forem as pessoas a participar, os cidadãos estarão a verificar aspetos como, por exemplo, as estratégias utilizadas no título da notícia, a menção no texto a fontes credíveis, o grau de imparcialidade do autor, normalmente alinhado com o uso de uma linguagem neutra e objetiva, um discurso coerente, que não recorra a falácias, etc.

“O que pretendemos investigar é a importância relativa que os utilizadores atribuem a cada um destes aspetos, de modo a selecionar os atributos por si considerados mais relevantes e informativos para determinar a credibilidade dos conteúdos com que são confrontados” esclarece a investigadora do Inesc-ID.

Muitos trabalhos se têm focado em encontrar estratégias para distinguir notícias credíveis de notícias não credíveis ou falsas (conhecidas como ‘fake news’), mas, de acordo com a investigadora, “esta abordagem é bastante redutora, procurando agrupar um conjunto muito heterogéneo de conteúdos noticiosos e, em última análise, estilos jornalísticos, em apenas duas categorias”.

Usando a metáfora das cores, Paula Carvalho simplifica que “nem tudo é branco ou preto. Pelo contrário, o cinza impera. Portanto, o que consideramos mais adequado é assumir que conteúdos textuais podem apresentar diferentes graus de credibilidade, em função da análise dos diferentes indicadores tidos em consideração”.

Por exemplo, se o leitor for confrontado com um texto que revele ter um baixo grau de rigor linguístico, utilize estratégias de ‘clickbait’ no título, para atrair a atenção e gerar cliques, que não cite fontes fidedignas e emita opiniões e sentimento, “cremos que não terá dificuldade em fazer os seus próprios juízos de valor acerca da credibilidade do texto”.

Pretende-se com esta ferramenta perceber quais as características textuais que estão mais associadas a conteúdo jornalístico rigoroso, por um lado, e a desinformação, pelo outro, na ótica de um leitor comum.

Em relação à estrutura do inquérito, é pedido a cada respondente que leia um texto (que lhe será aleatoriamente atribuído) e responda a um breve questionário, composto por um conjunto de perguntas fechadas sobre esse texto.

Esse questionário coloca em evidência aspetos textuais que devem ser considerados ao julgar criticamente a credibilidade de um artigo, acabando por ter um caráter didático.

A investigadora do Inesc-ID diz acreditar que, “ao responder a essas perguntas, o leitor está a exercer o seu espírito crítico, podendo acontecer que, em alguns casos, a sua intuição inicial acerca da credibilidade do conteúdo noticioso se altere, após refletir sobre os aspetos com que foi confrontado nas suas respostas”.

Este é um dos objetivos do projeto: “A ferramenta a ser disponibilizada permitirá estimular o espírito crítico dos leitores e contribuir, assim, para a sua literacia mediática”, assinalou.

Na medida em que as respostas a este inquérito vão estar espelhadas na ferramenta, pode dizer-se que os leitores vão contribuir ativamente para a definição dos “ingredientes” que devem compor os rótulos nutricionais das notícias.

O inquérito está incluído no 5.º módulo do Curso Cidadão Ciberinformado, https://www.nau.edu.pt/pt/curso/cidadao-ciberinformado/, desenvolvido pela agência Lusa e o Centro Nacional de CiberSegurança, mas pode ser respondido de forma independente, sem ter que fazer todo o curso. O Cidadão Ciberinformado vai já na sua segunda edição, tendo tido até ao momento mais de oito mil participantes.

O novo módulo do curso “Cidadão Ciberinformado” ajuda o formando a compreender e a analisar a “informação nutricional” de uma notícia, considerando todo o seu conteúdo, desde a credibilidade das fontes, a origem ou se o texto tem elevada carga emocional ou subjetividade.

O curso “Cidadão Ciberinformado” tem a duração média de quatro horas, é gratuito, destina-se a todos os cidadãos que consultam informação ‘online’ e está disponível até 31 de agosto 2021.

JPF // CSJ

By Impala News / Lusa

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