Julião Sarmento, Yuri Dojc e Miguel Telles da Gama no Museu Berardo em 2022

A programação do Museu Berardo para 2022 foi reduzida, mas “reforçada em qualidade”, com apostas numa exposição antológica de Julião Sarmento, numa mostra de fotografia da Eslováquia deserta pós-holocausto e na primeira grande exposição de Miguel Telles da Gama.

Julião Sarmento, Yuri Dojc e Miguel Telles da Gama no Museu Berardo em 2022

Julião Sarmento, Yuri Dojc e Miguel Telles da Gama no Museu Berardo em 2022

A programação do Museu Berardo para 2022 foi reduzida, mas “reforçada em qualidade”, com apostas numa exposição antológica de Julião Sarmento, numa mostra de fotografia da Eslováquia deserta pós-holocausto e na primeira grande exposição de Miguel Telles da Gama.

As palavras são da diretora artística do Museu Coleção Berardo, Rita Lougares, que confessou que estes dois últimos anos têm sido “muito difíceis por causa da pandemia”.

Rita Lougares falava à Lusa a propósito do número de visitas ao museu, que, no dia 30 de outubro, atingiu os 10 milhões, no total das 122 exposições inauguradas desde a sua abertura, a 25 de Junho de 2007.

O maior pico de visitantes foi alcançado em 2019, ano em que ultrapassou a marca de um milhão, para depois cair abruptamente para 317 mil, em 2020, e para 211 mil este ano (até 31 de outubro), segundo dados do museu.

“Somos o museu mais visitado em Lisboa, mas este ano tivemos uma redução brutal e temos muito menos dinheiro, por isso optei por ter menos exposições, mas com grande qualidade”, afirmou Rita Lougares.

Assim, a programação do próximo ano abre em janeiro com “Last Folio”, uma exposição de Yuri Dojc, fotógrafo eslovaco que vive no Canadá e que apresenta um conjunto de fotografias da Eslováquia deserta depois do holocausto.

São imagens de “uma cidade encontrada nos anos 90 tal como foi deixada e que são reveladoras do que pode ser a interrupção social e cultural”, mas ao mesmo tempo são fotografias de “uma beleza espetacular”, contou a diretora artística.

“É bom ter presente um recordar de coisas mal feitas para não repetir os erros”, considerou.

Em fevereiro, o museu inaugura uma exposição do artista visual francês Gérard Fromanger, com curadoria de Eric Corne.

“O esplendor de Gérard Fromanger” é uma exposição que faz parte da temporada França-Portugal, e este artista é “um dos grandes nomes da pintura francesa, mas tem também muito a ver com a nossa coleção”, disse Rita Lougares.

Gérard Fromanger passou por um período artístico inspirado pela Pop Art, depois foi evoluindo para um estilo muito ligado a todos os temas contemporâneos, e trabalha em séries, disse a responsável, adiantando que na exposição vão estar cerca de 30 séries representadas.

Para maio está prevista a inauguração de uma exposição do pintor e artista plástico Julião Sarmento, que morreu em maio deste ano.

Autor de uma obra multifacetada, iniciada nos anos de 1970 e voltada mais para o conceptualismo, foi evoluindo, trabalhando sempre em cima do momento artístico que se vivia e afirmando-se como um dos artistas plásticos portugueses com maior projeção, nacional e internacional.

A mostra, que vai estar patente no Museu Coleção Berardo, é “uma exposição quase antológica com obras de todos os períodos até à atualidade”.

Em julho, a programação traz “Debaixo da Pele”, de Miguel Telles da Gama, a “primeira grande exposição” deste pintor e desenhador português, que apresentará obras desde o início do seu percurso artístico, nos anos 1980, com curadoria de José Luís Porfírio.

Rita Lougares destaca o nome escolhido para curador da exposição, lembrando que o museólogo e crítico de arte, que trabalhou como conservador e diretor do Museu Nacional de Arte Antiga, é “um dos grandes nomes na área da curadoria de pintura”.

Além disso, a diretora artística quis jogar com as diferenças de idade, já que Miguel Telles da Gama é mais de duas décadas mais novo do que José Luís Porfírio.

No final do ano, chega uma exposição do artista brasileiro Luis Zerbini, que esteve em Paris, que consiste em “grandes instalações que envolvem a natureza”.

O museu tem atualmente quatro exposições patentes, das quais duas são permanentes: “Coleção Berardo do Primeiro Modernismo às Novas Vanguardas do Século XX” e “Coleção Berardo de 1960 à atualidade”, e duas são temporárias: “Matéria Luminal” e “André Gomes e Pedro Calapez. Seja dia ou seja noite pouco importa”.

Rita Lougares destacou a “grande qualidade” de “Matéria Luminal”, uma exposição coletiva sobre temáticas relacionadas com a luz, que traça um percurso pela arte portuguesa dos anos 1960 até à atualidade, através de pintura, desenho, escultura, instalação, fotografia e vídeo.

A diretora artística do museu afirmou que este ano fez exposições só com portugueses, não só por causa do orçamento reduzido, mas para “dar força aos nossos artistas”. Confessou, porém, que no futuro quer trazer mais exposições internacionais.

O Museu Coleção Berardo está desde 2009 incluído no ‘ranking’ da publicação internacional especializada em arte contemporânea – The Art Newspaper -, destacando-se entre os 100 museus mais visitados do mundo nos anos de 2009, 2010, 2011, 2015, 2016, 2018, 2019, 2020.

Ainda de acordo com os dados do museu, continua a ser o mais visitado de Portugal desde 2007 (enquanto teve entrada gratuita), e mesmo após o dia 1 de maio de 2017, data em que os bilhetes passaram a custar cinco euros, ficando a gratuidade reservada para os sábados.

AL // MAG

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS