Jovens iniciam dois meses de protestos contra Parlamento Nacional timorense

Cerca de centena e meia de jovens concentraram-se em protesto à frente do Parlamento Nacional timorense, contra o que dizem ser políticas de “elite”, que ignoram as carências da maioria da população

Jovens iniciam dois meses de protestos contra Parlamento Nacional timorense

Jovens iniciam dois meses de protestos contra Parlamento Nacional timorense

Cerca de centena e meia de jovens concentraram-se em protesto à frente do Parlamento Nacional timorense, contra o que dizem ser políticas de “elite”, que ignoram as carências da maioria da população

Organizado pela Aliança Maubere Nacional (AMN), o protesto vai decorrer todas as segundas, terças e quartas-feiras durante dois meses, segundo explicou à Lusa Miguel Monsil, porta-voz do movimento de jovens.

“Representamos os jovens e o povo mais pequeno que não se considera representado pelos deputados. A elite política goza de bons salários, direitos e regalias e pensão vitalícia. E depois gastam muito dinheiro a comprar novos carros”, explicou Monsil.

“Mas, em contrapartida, muita da população vive na miséria. Muitos trabalhadores são escravos salariais, recebendo 115 dólares [115,8 euros] por mês, os vendedores ambulantes não têm espaço e o setor agrícola não tem apoio e continuamos a importar a maior parte do que comemos”, disse.

O protesto está a decorrer na altura em que se iniciava no plenário o debate na generalidade da proposta de lei do Orçamento Geral do Estado para 2023.

Com palavras de ordem em defesa de Timor-Leste e de críticas ao que chamaram de “deputados traidores”, os jovens concentraram-se no passeio em frente à entrada principal da Universidade Nacional Timor Lorosa’e, do outro lado da estrada da entrada do Parlamento Nacional.

Empunhando cartazes acusando os deputados de políticas neocolonialistas e considerando que não representam os interesses do povo, os manifestantes contestam, simbolicamente, a decisão do Parlamento de comprar novos carros e computadores portáteis para os deputados.

“Lançamos esta ação com o objetivo de fazer pressão política ao parlamento para que não transformem o orçamento num orçamento de interesses privados e invistam em setores de grande importância para o país, como educação, saúde, água e agricultura”, sublinhou Miguel Monsil.

O porta-voz disse que muitos professores continuam sem contrato, que a economia não avança, que os jovens são obrigados a emigrar e que o parlamento “é um negócio de interesses privados” que “não é a favor do povo”.

E justificou com políticas erradas e o investimento desadequado no setor educativo o facto de terem aumentado nos últimos meses os conflitos entre jovens em vários bairros de Díli e noutros locais do país, em muitos casos ligados a grupos de artes marciais.

“Estes conflitos são a consequência lógica da elite não dar atenção adequada à educação. Um dos fatores dos conflitos tem a ver com o caráter dos jovens que não é ajudado pela educação, mas também pela falta de trabalho”, afirmou Monsil.

O protesto decorreu sob observação de um pequeno grupo de polícias que obrigaram os jovens a confinar a sua ação ao passeio.

 

ASP // VQ

By Impala News / Lusa

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