Investigadores criam estimulantes para plantas resistirem a alterações climáticas

Investigadores do Centro Mundial de Inovação, em França, e de outros centros de investigação desenvolveram cinco segmentos de bioestimulantes que, provenientes de recursos marinhos e dos solos, visam tornar as plantas mais resilientes aos efeitos extremos das alterações climáticas.

Investigadores criam estimulantes para plantas resistirem a alterações climáticas

Investigadores criam estimulantes para plantas resistirem a alterações climáticas

Investigadores do Centro Mundial de Inovação, em França, e de outros centros de investigação desenvolveram cinco segmentos de bioestimulantes que, provenientes de recursos marinhos e dos solos, visam tornar as plantas mais resilientes aos efeitos extremos das alterações climáticas.

Em declarações à agência Lusa, José García-Mina, investigador da Universidade de Navarra (Espanha) – uma das instituições envolvidas na investigação — afirmou hoje que os bioestimulantes surgem da “necessidade de existirem produtos com um respeito muito grande pelo meio ambiente e com capacidade de revitalizar os solos e as plantas”.

A nova família de bioestimulantes, intitulada gama ADN e criada pela Timac Agro, resulta da articulação entre o Centro Mundial de Inovação com outras instituições académicas, como a Universidade de Navarra, o INRA Caen e a Universidade de Nottingham (Inglaterra). “É fruto de um trabalho bastante sério realizado durante anos e que está descrito em diversas publicações científicas”, afirmou José García-Mina, também presidente da Sociedade Internacional de Substâncias Húmicas.

Tendo em conta os diferentes efeitos das alterações climáticas na agricultura e no planeta, como o aumento da temperatura, a “desorganização das chuvas”, a distribuição e falta de água, o aumento do CO2, entre outros, os investigadores procuraram “desenvolver produtos capazes de estimular a eficiência do uso de água nas circunstâncias de altas temperaturas e falta de água”.

Recorrendo a recursos e moléculas naturais, provenientes na sua maioria de origem marinha, mas também de húmus, os investigadores desenvolveram uma “nova família de bioestimulantes para estimular naturalmente as plantas e reforçar a expressão do potencial genético, regulando e otimizando a expressão de alguns genes”.

“Há um aproveitamento dos recursos naturais e estas moléculas também têm como função preservar a envolvência sob a qual os cultivos se desenvolvem”, afirmou o investigador, acrescentando que estes novos produtos permitem que a “planta se desenvolva melhor” em condições extremas. A nova família de bioestimulantes ramifica-se em cinco gamas com diferentes objetivos: Kaoris para a remodelação celular, Genaktis para a performance genética, Seactiv para menos ‘stress’ da planta, Irys para uma nutrição estimulada e Astelis para a nutrição bioativada dos cereais.

“Por um lado, há um bioestimulante que atua fundamentalmente na interação da raiz com o solo e, sobretudo, nos micro-organismos. Há um efeito fundamental sob a atividade litosférica que preserva a vida microbiana, através da qual é possível criar vida e preservar o futuro do solo”, referiu. Já os restantes bioestimulantes, José García-Mina esclareceu que atuam sobre “genes específicos e responsáveis por processos metabólicos da planta”, como pelo uso do ferro, fósforo e carbono.

“Os bioestimulantes atuam em torno de uma série de genes fundamentais. Os recursos e moléculas naturais provenientes do mundo marinho ou do húmus têm a capacidade de atuar sobre estes genes”, afirmou. O investigador disse também que a maioria destes produtos são “admitidos na agricultura biológica” e lembrou que um dos objetivos da Europa é que “25% de todo o território cultivado seja de agricultura ecológica”.

“É muito importante poder dotar os agricultores de produtos que se podem usar neste âmbito. Há que reconhecer que o solo é o motor da empresa, a máquina fundamental que move a empresa e que, portanto, se o solo e o seu redor não são cuidados, isso tem repercussões negativas. É o negócio deles, mas também de todos nós. É a nossa terra e temos de a preservar”, salientou.

À Lusa, José García-Mina adiantou ainda que o objetivo da equipa de investigação é continuar a trabalhar, por um lado, investigando o efeito destes produtos em condições extremas e em diferentes cultivos, mas também preparar “os produtos de amanhã”. “Para estarmos, dentro de cinco a 10 anos, a contribuir para produtos mais eficazes”, afirmou. A nova geração de bioestimulantes criada pela Timac Agro, vai ser lançada a nível mundial terça-feira, na Agroglobal.

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