Infarmed recusa aprovar tratamento para o cancro da mama

Uma doente com cancro da mama recidivado viu ser recusado pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) um tratamento com um medicamento de uso hospitalar, por existirem “alternativas terapêuticas” para este caso, o que a utente contesta.

Infarmed recusa aprovar tratamento para o cancro da mama

Infarmed recusa aprovar tratamento para o cancro da mama

Uma doente com cancro da mama recidivado viu ser recusado pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) um tratamento com um medicamento de uso hospitalar, por existirem “alternativas terapêuticas” para este caso, o que a utente contesta.

Uma doente com cancro da mama viu ser recusado pela Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed) um tratamento com um medicamento de uso hospitalar, por existirem “alternativas terapêuticas” para este caso.

Há de oito anos, Susana Vilaça, de 42 anos, foi diagnosticada com o tumor. Recidivou três vezes em 2018, 2019 e no final de 2020. Assim, o Hospital de Braga, onde é acompanhada, solicitou ao Infarmed uma Autorização de Utilização Excecional (AUE) do medicamento Lynparza, com a substância ativa olaparib.

Segundo a Agência Europeia do Medicamento (EMA na sigla em inglês), que em 2014 autorizou este medicamento em toda a União Europeia, o Lynparza mostrou-se eficaz num estudo que incluiu 302 doentes com cancro da mama.

De acordo com a EMA, as doentes tratadas com Lynparza viveram, em média, sete meses sem agravamento da doença, em comparação com 4,2 meses nas doentes tratadas com outro medicamento contra o cancro à escolha do médico.

“A possibilidade deste tratamento, que é um inibidor do crescimento das células tumorais, para mim foi uma esperança“, salientou à Agência Lusa Susana Vilaça.

Após a última recidiva, Susana Vilaça realizou um teste de genética, que deu positivo, ou seja, demonstrou que se tratava de um tumor “hereditário“.

“Quando recebi o teste da genética, a médica disse-me que seria uma esperança: a partir do momento que é genético, temos esta substância que é o olaparid, que é indicado para este seu tipo de cancro”, explica.

Acrescenta que tem consciência que não é um tratamento curativo, mas que lhe permitiria aumentar a qualidade e a esperança de vida.

Infarmed diz que Susana cumpre «todos os critérios» mas recusou

Perante isso, foi solicitado ao Infarmed a autorização para o uso do medicamento em causa, que recusou, apesar de a doente considerar que cumpre “todos os critérios para fazer este tipo de medicamento”.

Face a esta resposta, Susana Vilaça enviou cartas ao primeiro-ministro, à ministra da Saúde e ao Infarmed, para tentar saber a razão da recusa, tendo recebido a resposta do gabinete de Marta Temido na sexta-feira a informar que “reencaminharam a carta” para a entidade reguladora nacional.

“Já fui submetida a todos os tratamentos que o hospital de Braga me propôs e que se tornaram ineficientes. Só me resta mesmo esta alternativa”, garantiu. Lamenta ainda que este tratamento esteja disponível em hospitais privados e não no Serviço Nacional de Saúde.

“O que eu quero é ter o mesmo direito de outro cidadão que tenha ADSE ou seguro de saúde”, afirmou.

«Ainda existem alternativas terapêuticas», explica Infarmed

O Infarmed explica que, no “contexto de tratamento com o medicamento Lynparza em doentes multitratados, foi considerado pelos peritos clínicos das comissões […] que ainda existem alternativas terapêuticas“.

O regulador assegurou ainda que, nestes casos, estas respostas são sempre comunicadas de forma rápida ao hospital que acompanha os doentes para serem analisadas outras soluções de tratamento.

 

Sobre este medicamento, o Infarmed adiantou ainda que, no âmbito da avaliação para efeitos de financiamento público, a empresa farmacêutica submeteu na semana passada o último estudo necessário à conclusão da avaliação técnica por parte dos peritos.

Nesse sentido, o Infarmed “está a desenvolver todos os esforços para concluir a avaliação e poder disponibilizar mais esta opção terapêutica nas melhores condições para o Serviço Nacional de Saúde e seus utentes”, assegura a entidade reguladora.

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