Incêndios: Gerir risco eficientemente é “gastar menos dinheiro por área ardida”

O desafio de gerir eficientemente o risco de incêndio passa por “gastar menos dinheiro por área ardida”, contrariando a ideia de “apagar tudo e a todo o custo”, avançou a Agência de Gestão Integrada dos Fogos Rurais (AGIF).

Incêndios: Gerir risco eficientemente é

Incêndios: Gerir risco eficientemente é “gastar menos dinheiro por área ardida”

O desafio de gerir eficientemente o risco de incêndio passa por “gastar menos dinheiro por área ardida”, contrariando a ideia de “apagar tudo e a todo o custo”, avançou a Agência de Gestão Integrada dos Fogos Rurais (AGIF).

“O dinheiro que existe, a própria frota de aviões e de bombeiros e de recursos dedicados ao combate é suficiente, não é necessário mais. Se calhar tem de se equacionar, com estudo que suporte essa gestão, poupanças nessa matéria, para que essas poupanças consigam promover a gestão eficiente do risco”, afirmou o presidente da AGIF, Tiago Oliveira, em entrevista à agência Lusa.

Para o engenheiro florestal, especializado na gestão e governança de risco de incêndio, “não é preciso ir a todos os incêndios com todos os recursos”, o que implica flexibilidade a gerir o risco, nomeadamente nos dias mais críticos ter a capacidade de “escolher quais são os incêndios que não podem progredir de uma certa maneira e atacar esses incêndios prioritariamente”.

“Isso implica avaliar o risco, estimar o valor, determinar o risco, fazer uma análise de sensibilidade e escolher quais são os incêndios que são críticos”, indicou Tiago Oliveira, explicando que, nos dias mais frescos, sobretudo no inverno, “há incêndios que não produzem grande mal e que não ameaçam valor”, contribuindo até para queimar o mosaico florestal e promover alguma regeneração natural de uma forma mais interessante.

“A cultura da supressão, apagar tudo e a todo o custo trouxe-nos aqui: fomos capazes de apagar os incêndios todos, mas ao apagarmos o incêndio logo no curto prazo também estamos a deixar que a vegetação cresça, criando um problema mais grave no futuro”, alertou o presidente da AGIF, considerando que é necessário um equilíbrio, colocando o fogo a trabalhar na floresta durante o inverno, que “seja um bom criado, para não ser um mau patrão durante o verão”.

Com o objetivo de “gastar menos dinheiro por área ardida, gastar menos dinheiro por hectare protegido”, a gestão eficiente do risco implica conhecimento, premiar estruturas que fazem “melhor, mais barato e com capacidade de maior eficácia”, gerir recursos e motivá-los para atingir resultados.

No âmbito do Programa Nacional de Ação (PNA) do Plano Nacional de Gestão Integrada de Fogos Rurais (PNGIFR), com o horizonte de 2020-2030 e um orçamento total de cerca de 7.000 milhões de euros, a AGIF propõe que “do investimento que Portugal dedica à gestão do risco de incêndio, 57% vá para prevenção”, quando em 2017 era 20%.

Tiago Oliveira referiu que, em 2020, 50% do orçamento foi destinado a prevenir essas ocorrências.

“É uma transição para uma cultura mais de prevenção, com o consequente investimento nessa área”, reforçou.

Sobre o recente anúncio do Governo de aquisição de 14 meios aéreos próprios de combate aos incêndios rurais até 2026, num investimento de 156 milhões de euros, o presidente da AGIF ressalvou que Portugal só vai gastar 10% do Orçamento do Estado, porque o restante valor é financiamento do Instrumento de Recuperação e Resiliência (IRR).

“Consegue-se uma vantagem económica e gera poupanças, porque permite libertar Orçamento do Estado para outras áreas. Perguntar-me-á qual é a eficiência económica do investimento do IRR em meios de combate? Portugal precisa de ter uma certa independência na gestão do dispositivo. Estou confiante que a Força Aérea vai ser capaz de administrar os recursos de combate de uma forma mais eficiente, portanto acho que vai conseguir no médio prazo reduzir os custos de combate e vamos ter uma frota própria, complementada no verão em picos com recurso a contratos, que vai custar menos no médio prazo”, perspetivou Tiago Oliveira.

Relativamente ao impacto da pandemia da covid-19 na prevenção e no combate dos fogos, o engenheiro florestal disse que, à semelhança de 2020, os trabalhos vão continuar a ser assegurados, com o cumprimento das medidas sanitárias, sem se prever grandes constrangimentos, inclusive “o número de hectares tratado aumentou, pelo menos das entidades públicas e das privadas, e houve capacidade de reduzir o número de ignições”.

“Este ano, com a vacinação, na perspetiva dos efetivos de combate não se estima grande problema. Há sempre essa questão, tem de se fazer bem um planeamento cuidado, mas as forças estão a tratar disso”, expôs o presidente da AGIF, acrescentando que, quanto à atividade de gestão de combustível, o prazo foi alargado até 15 de maio, para permitir que os proprietários possam assegurar a limpeza de terrenos em segurança.

 

 

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