Human Rights Watch critica política de Bolsonaro contra direitos humanos no Brasil

O presidente da organização Human Rights Watch (HRW), Kenneth Roth, manifestou hoje, em São Paulo, uma extrema preocupação com as políticas adotadas pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que considerou serem contra os direitos humanos.

Human Rights Watch critica política de Bolsonaro contra direitos humanos no Brasil

Human Rights Watch critica política de Bolsonaro contra direitos humanos no Brasil

O presidente da organização Human Rights Watch (HRW), Kenneth Roth, manifestou hoje, em São Paulo, uma extrema preocupação com as políticas adotadas pelo Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, que considerou serem contra os direitos humanos.

«A Human Rights Watch está profundamente preocupada com a política contra os direitos [humanos] do Governo Bolsonaro. Vemos isto de várias formas, porque ele [Bolsonaro] deu sinal verde para a polícia matar pessoas sem justificação. Ele reforçou políticas que minam o combate ao problema brasileiro da tortura sistemática», declarou numa conferencia de imprensa. O dirigente da organização de defesa de direitos humanos acusou o Presidente brasileiro de atacar «jornalistas e ativistas civis».

LEIA DEPOIS

Vizinho de prédio que desabou em Fortaleza diz ter ouvido «uma explosão»

Bolsonaro recusa-se a receber direção da HRW no Brasil

«Nós vemos, na Amazónia, ele [Bolsonaro] se posicionando a favor dos desflorestadores e, por isto, a desflorestação e as queimadas aumentam. De muitas maneiras ele se opõe aos direitos humanos», acrescentou.

Kenneth Roth contou que representantes da direção da HRW estão pela primeira vez reunidos no Brasil e que tentaram marcar reuniões com membros do Governo, incluindo com Jair Bolsonaro e com o ministro da Justiça, Sergio Moro, mas ambos se recusaram a recebê-los. «Ficamos desapontados que o Presidente Bolsonaro, que luta contra os direitos humanos, não aceite conversar frente a frente connosco para que pudesse justificar as políticas que defende», afirmou.

A organização, frisou Roth, está alarmada com um conjunto de tendências perigosas patrocinadas pelos governantes do país contra os direitos humanos e, por isto, decidiu reunir o seu conselho internacional no Brasil. «Não quero fingir que não há democracia no Brasil. Estamos preocupados porque o Presidente Bolsonaro está atacando muitos elementos que tornam o Brasil uma grande democracia e isto é um plano que já vimos em muitos outros lugares no mundo», argumentou.

Presidente da HRW critica a posição de Bolsonaro em relação ao cumprimento das leis para os direitos humanos

O dirigente da HRW notou que há governos no mundo eleitos com agendas «contra os direitos humanos». «Vimos isso nos Estados Unidos, na Hungria, no Egito, nas Filipinas, na Rússia. Não queremos que o Brasil siga os caminhos destes países que acabei de mencionar», completou.

O presidente da HRW fez questão de mencionar que não contesta a legitimidade do chefe de Estado brasileiro, mas critica as suas posições em relação ao cumprimento das leis internacionais para os direitos humanos. «Ele [Bolsonaro] foi eleito e nós respeitamos este resultado, mas também é importante reconhecer que isto não lhe dá liberdade de ferir os direitos humanos. Um Presidente, porque foi eleito, não está acima da lei», frisou.

Os direitos dos brasileiros estão em risco, defenda a HRW

Roth também disse acreditar que os direitos dos brasileiros estão em risco e isto coloca em perigo também a vitalidade da democracia no país. «O Brasil vai continuar a ser uma democracia forte ou vai abraçar a política contra os direitos humanos defendida pelo Governo Bolsonaro?», questionou.

O presidente da HRW disse à Lusa «que o vencedor de uma eleição tem que aceitar que está limitado pelas leis e pelos direitos humanos» e acusou: «O Presidente Bolsonaro parece não aceitar isto, ele está tentando criar uma ditadura eleita na qual ele pode comandar tudo.»

A organização identificou grupos criminosos a atuar na destruição da maior floresta tropical do mundo no Brasil, beneficiando da falta de fiscalização e punição. «[Ernesto Araújo] disse que não era a posição do Governo brasileiro [defender os responsáveis pela desflorestação]. Eu disse tudo bem, então prove que o Brasil reconhece o problema das mudanças climáticas, a importância da Amazónia, dos defensores da floresta, e das comunidades que vivem lá em paz. Estas são coisas que o Governo do Brasil precisa fazer, mas que ainda não fez», concluiu Roth.

LEIA MAIS

Portugal é o país da Europa que menos gasta em cuidados de bem-estar

Impala Instagram


RELACIONADOS