História de Anne Frank leva mensagem de esperança ao palco do Teatro da Trindade

Uma tragédia no contexto do Holocausto, “recheada de muita esperança”, estreia-se quinta-feira, no Teatro da Trindade, em Lisboa, através da vida da jovem Anne Frank, cujo diário continua a ser um dos livros mais vendidos do mundo.

História de Anne Frank leva mensagem de esperança ao palco do Teatro da Trindade

História de Anne Frank leva mensagem de esperança ao palco do Teatro da Trindade

Uma tragédia no contexto do Holocausto, “recheada de muita esperança”, estreia-se quinta-feira, no Teatro da Trindade, em Lisboa, através da vida da jovem Anne Frank, cujo diário continua a ser um dos livros mais vendidos do mundo.

Encenada por Marco Medeiros, a peça “O Diário de Anne Frank”, de Frances Goodrich e Albert Hackett, tem Beatriz Frazão no papel da alemã de origem judaica que viveu escondida dos nazis durante dois anos, relatando o seu desafiante quotidiano.

Anne Frank tornou-se uma figura reconhecida depois da divulgação do seu diário, pelo pai, único sobrevivente da família perseguida pelos nazis, que, entre 1941 e 1945, mataram mais de seis milhões de judeus.

“É uma tragédia, mas recheada de muita esperança, que nos é dada por uma criança que se torna adolescente durante o espetáculo”, salientou o encenador, Marco Medeiros, em declarações à agência Lusa.

O seu maior objetivo, na reconstrução desta história em palco, foi “o sentido de alerta, e, por isso, o que regrou, foi uma enorme responsabilidade pelo tema”.

No diário, a jovem descreve o período em que sobreviveu à perseguição nazi – que aniquilou judeus, ciganos, deficientes, homossexuais e opositores políticos – deixando um testemunho de resiliência e esperança que continua a inspirar gerações até à atualidade.

“Este diário é, talvez, das obras literárias mais vendidas do século passado e também deste século, e não há quem não conheça a história. Toda a gente que quer ver o espetáculo já sabe ao que vem”, disse, sobre o desfecho trágico da protagonista, que viria a ser descoberta e levada para o campo de concentração de Bergen-Belsen, onde morreria, em 1945, no final da 2.ª Guerra Mundial.

Marco Medeiros disse à Lusa que realizou uma profunda pesquisa histórica sobre o tema, recorrendo a testemunhos de vítimas do Holocausto: “Vários diziam que tinham medo que este acontecimento se tornasse numa peça de museu, ou num filme muito bonito e fantasiado”, referiu, acrescentando que a morte de milhões de pessoas que atravessaram este calvário dos campos de concentração “não tem nada de bonito”.

Na construção da peça, o encenador tentou “passar a maior crueza, sem artifícios”, e quando os usa, “são propositados, para contrastar, porque muitas vezes apoia-se a esperança em romancear, em pôr rodriguinhos, artifícios”, em algo que deve servir de alerta “com a maior crueza”.

No entanto, Marco Medeiros encontra beleza nesta história: “É a esperança de um grupo de pessoas que durante dois anos esteve enclausurado, para fugir à ignorância humana”.

“Passados 70 anos desde o Holocausto, o mais interessante é que a essência humana não se alterou: a inocência é transparente neste espetáculo, e temos a perceção que a inteligência desta criança era inacreditável”, concluiu o criador.

Escrito entre 12 de junho de 1942 e 01 de agosto de 1944, o “Diário de Anne Frank” foi publicado pela primeira vez em 1947, revelando ao mundo o quotidiano de dois longos anos de uma adolescente forçada a esconder-se, durante a ocupação nazi em Amesterdão.

“A esperança é o que alimenta os nossos jovens e crianças para combater a ignorância humana, que mantivemos”, reiterou o encenador, que junta em palco Anabela Moreira, Carla Chambel, Catarina Couto Sousa, Diogo Mesquita, João Bettencourt, João Reis, Paulo Pinto, Rita Tristão da Silva e Romeu Vala.

Apesar de ser uma história com mais de meio século, continua atual, na opinião do encenador: “Mais do que nunca, faz hoje sentido. Com o passar das gerações, felizmente temos acesso a muita informação, e deixaram de ser tabu, mas há temas que estão fechados, e não são debatidos, acontecem à frente dos nossos olhos. Ainda por cima, votamos neles e permitimos que aconteçam. Isso é que é muito assustador”.

Do medo dessa altura, Marco Medeiros faz a ponte com o medo atual da guerra que decorre na Ucrânia, invadida pela Rússia: “É preciso coragem para enfrentar estes tempos”, sustenta.

“Ainda há temas como o das raças que incentivam batalhas, em pleno século XXI. Será que não evoluímos?”, questiona o encenador.

“O Diário de Anne Frank” estreia-se na quinta-feira, às 21:00, resultado de uma produção do Teatro da Trindade INATEL e estará em cena até 13 de novembro, de quarta-feira a sábado às 21:00m e aos domingos às 16:30.

Na quarta-feira decorrerá um ensaio solidário, cuja receita reverterá na integra para a associação Padrinhos do Mundo.

AG // TDI

By Impala News / Lusa

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