Ainda há 102 escolas com amianto em Portugal

Mais de uma centena de escolas ainda têm estruturas com amianto, segundo o Movimento Escolas Sem Amianto, que alerta para que a retirada do material pôs em causa a segurança dos utentes.

Ainda há 102 escolas com amianto em Portugal

Ainda há 102 escolas com amianto em Portugal

Mais de uma centena de escolas ainda têm estruturas com amianto, segundo o Movimento Escolas Sem Amianto, que alerta para que a retirada do material pôs em causa a segurança dos utentes.

Mais de uma centena de escolas ainda têm estruturas com amianto, segundo o Movimento Escolas Sem Amianto (MESA), que alerta para casos de obras em que a retirada do material perigoso pôs em causa a segurança de alunos e funcionários.

A plataforma “Há amianto na Escola” surgiu há cerca de dois meses e identificou até agora 102 estabelecimentos de ensino onde a presença do amianto é um potencial problema para a saúde de quem ali estuda ou trabalha.

O coordenador do MESA, André Julião, disse à Lusa que a plataforma recebe muitas denúncias, mas só são contabilizadas aquelas em que há fotografias e informação que comprove o problema.

“Neste momento temos 102 escolas apontadas como tendo amianto. Muitas fizeram queixa à Direção-geral dos Estabelecimentos Escolares (DGEstE) mas quase nenhuma recebeu resposta”, adiantou André Julião.

Nem sempre a presença de amianto nas estruturas é sinónimo de urgência na retirada dos materiais, disse também à Lusa a arquiteta e membro da associação ambientalista Zero, Iria Roriz Madeira, adiantando que o grande problema é quando os materiais estão degradados ou quando se trata de materiais friáveis (que se desfazem), o que permite a libertação das fibras de amianto.

Existe uma lista dos edifícios públicos com amianto que estão identificados consoante o estado de conservação das estruturas e grau de urgência das obras.

“Quando não há uma prioridade alta é preciso esperar”, sublinhou Iria Roriz Madeira, denunciando casos de “remoções bastante mal feitas” que acabam por se revelar mais perigosos para a saúde das pessoas, uma vez que podem provocar a libertação das fibras.

“Sabemos de casos em que foram usados materiais inadequados, com rebarbadoras que partem as estruturas e acabam por libertar as fibras. Também sabemos de remoções feitas durante o período de aulas em que as placas foram deixadas nos recreios sem qualquer proteção”, contou à Lusa.

André Julião lembrou o caso da escola secundária João de Barros, em Arroios, e outras em Oliveira do Hospital onde as obras de remoção pararam a meio e as estruturas a remover ficaram dentro da escola “com o amianto a descoberto”. “Mas há outros casos”, lamentou em declarações à Lusa.

O coordenador do MESA criticou o facto de continuar desconhecida a lista atualizada de edifícios públicos com estruturas de amianto e a calendarização das obras, cuja divulgação é obrigatória por lei e que a associação tem pedido.

“A única resposta que recebemos da DGEstE foi em novembro dizendo que estavam a ultimar a lista com os dados sobre as intervenções realizadas nas escolas em 2019”, recordou.

O porta-voz do MESA acusa os serviços da DGEstE de estarem a fazer o levantamento de problemas nos estabelecimentos de ensino de forma pouco credível.

Diretores de escolas da zona metropolitana de Lisboa contaram a André Julião que “a DGEstE lhes tinha ligado a perguntar se a sua escola tinha amianto”, disse à Lusa, criticando a “leviandade” com que os serviços estão a tratar o assunto.

“Desta forma, qualquer lista perde a credibilidade”, criticou.

 

 

Impala Instagram


RELACIONADOS