Guterres pede a Conselho de Segurança financiamento previsível para operações em África

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu hoje ao Conselho de Segurança que garanta um “financiamento previsível” para as operações da União Africana autorizadas pelo próprio órgão.

Guterres pede a Conselho de Segurança financiamento previsível para operações em África

Guterres pede a Conselho de Segurança financiamento previsível para operações em África

O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu hoje ao Conselho de Segurança que garanta um “financiamento previsível” para as operações da União Africana autorizadas pelo próprio órgão.

Numa reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre a cooperação entre as Nações Unidas e a União Africana, Guterres informou estar a preparar um relatório de progressos sobre o financiamento dessas operações, que deve ser entregue em abril de 2023.

“Cabe-nos a nós implementar uma arquitetura inovadora que apoie as operações de paz africanas de maneira eficaz e sustentável”, afirmou o líder da ONU, acrescentando que África continua a enfrentar “desafios persistentes”, que “só podem ser atendidos através de uma abordagem local e adaptada, bem como de uma grande determinação da comunidade internacional — inclusive dentro deste Conselho”.

No seu discurso, o ex-primeiro-ministro português indicou uma série de problemas que afetam o continente africano, como o facto de o uso da força continuar a ser visto, com frequência, como o único método de resolução de disputas; a ascensão de mudanças inconstitucionais de Governo; e o facto de afiliados do Daesh e da Al-Qaida continuarem os seus ataques mortais e a extensão do seu domínio no Sahel.

No Corno de África, Etiópia, leste da República Democrática do Congo, Mali, Sudão e Líbia, conflitos prolongados e uma terrível situação humanitária estão a levar as pessoas ao desespero, indicou ainda Guterres.

Para o secretário-geral, África é um “caso clássico de injustiça moral e económica”, referindo-se às alterações climáticas.

“Estamos a ir em direção a um penhasco climático. Para muitos africanos, esta não é uma ameaça distante, mas uma realidade diária. África mal contribui para as emissões globais de gases de efeito estufa. No entanto, está a pagar um preço exorbitante”, disse.

“Louvo os muitos Estados, regiões e municípios africanos que estão a dar passos ousados para combater as mudanças climáticas, apesar dos sérios desafios”, afirmou Guterres, apelando aos países do G20 – que são responsáveis por 80% das emissões de gases de efeito estufa — “que finalmente tomem as medidas urgentes necessárias”.

Ao abordar os problemas que afetam a União Africana, o chefe das Nações Unidas defendeu ainda a necessidade de um mecanismo global eficaz de alívio da dívida.

“Presto homenagem à dedicação da União Africana e à perseverança de todos os que trabalham diariamente por um continente integrado, pacífico e próspero. Apelo a todos os líderes — neste Conselho, no continente africano e não só — que não poupem esforços para apoiar a União Africana na execução destes objetivos”, concluiu António Guterres.

MYMM // VM

By Impala News / Lusa

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