Gulbenkian celebra 150 anos do fundador com exposição sobre arte islâmica

Obras do colecionador Calouste Gulbenkian, do Museu do Louvre e do Metropolitan Museum of Art, entre outras, vão estar reunidas a partir de 12 de julho, em Lisboa, numa exposição sobre o gosto pela arte islâmica do mecenas arménio.

Gulbenkian celebra 150 anos do fundador com exposição sobre arte islâmica

Gulbenkian celebra 150 anos do fundador com exposição sobre arte islâmica

Obras do colecionador Calouste Gulbenkian, do Museu do Louvre e do Metropolitan Museum of Art, entre outras, vão estar reunidas a partir de 12 de julho, em Lisboa, numa exposição sobre o gosto pela arte islâmica do mecenas arménio.

“O Gosto pela Arte Islâmica” é o título desta mostra que visa celebrar, na sede da fundação, em Lisboa, os 150 anos do nascimento do fundador, e que ficará até 07 de outubro na galeria principal da Fundação Gulbenkian.

Além de peças cedidas pelo Museu do Louvre, em Paris, e do Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque, também o Victoria & Albert Museum, de Londres, estará representado, entre outras coleções internacionais.

A exposição terá curadoria de Jessica Hallett, uma das responsáveis pelo núcleo islâmico do Museu Gulbenkian, que selecionou as peças ligadas a este gosto do fundador, nascido no Império Otomano, educado na Europa, e que, ao longo da vida, conviveu com diferentes culturas, do Oriente e do Ocidente.

Os 150 anos do nascimento do colecionador, empresário e filantropo arménio Calouste Sarkis Gulbenkian, estão a ser alvo de um programa de celebrações que incluem várias iniciativas, entre elas uma exposição sobre a sua vida e obra, que está patente desde março, intitulada “Calouste: uma vida, não uma exposição”.

Nascido em 23 de março de 1869, em Istambul, a então Constantinopla, Gulbenkian morreu em 20 de julho de 1955, em Lisboa, depois de uma vida a percorrer o mundo, atravessando as duas grandes guerras mundiais.

Diplomata, homem de negócios, nomeadamente na área petrolífera, Calouste Sarkis Gulbenkian foi também filantropo e colecionador de arte, que acabaria por fixar-se em Lisboa, onde encontrou refúgio da segunda Guerra Mundial.

Devido à sua atividade como empresário, na área da indústria petrolífera, a região do Médio Oriente ocupou um lugar central no seu percurso profissional e teve impacto na escolha das peças de arte que adquiriu.

Esta nova exposição sobre o gosto pela arte islâmica lança um novo olhar sobre a sua coleção à luz da situação geopolítica em que as obras foram adquiridas: o declínio do Império Otomano, o colonialismo e as duas Guerras Mundiais, recorda a fundação em nome do empresário e mecenas arménio.

A partir da coleção de arte, dos livros e dos arquivos de Calouste Gulbenkian, bem como de alguns empréstimos-chave internacionais, esta exposição “aprofunda as relações entre o colecionismo e a ´Realpolitik´, identificando as notáveis sinergias entre as atividades colecionistas de Gulbenkian entre 1900 e 1930 e o conceito de ‘Arte Islâmica’, que ganhou forma nesta época, estimulando a criação de novos estilos artísticos e de novas formas de arte na Europa”.

O fascínio de Gulbenkian pela arte persa, síria e turca foi “partilhado por outros colecionadores, como Jean Paul Getty e John D. Rockefeller Jr., que também faziam a sua fortuna na extração petrolífera e que rivalizaram entre si na procura de peças”.

No mesmo dia, a Gulbenkian abre ao público a exposição “Sarah Affonso e a arte Popular do Minho”, com curadoria de Ana Vasconcelos, que também ficará patente até outubro, na galeria do piso inferior.

Criada para assinalar o 120.º aniversário do nascimento de Sarah Affonso (1899-1983), o Museu Gulbenkian apresenta uma exposição dedicada à pintora modernista conhecida sobretudo como a mulher de Almada Negreiros, “com uma obra pouco conhecida e raramente exposta”, assinala.

Esta exposição reúne obras de pintura, desenho, bordado e cerâmica, inspiradas na iconografia popular do Minho, região que marcou fortemente a artista desde a infância e adolescência em Viana do Castelo, entre 1904 e 1915.

Apesar de o retrato ter sido muito importante no início da carreira de Sarah Affonso, são as suas composições inspiradas na iconografia do Minho, no artesanato, nas procissões, feiras e romarias, que constituem o conjunto de pinturas mais conhecido da sua obra, realizado a partir de 1936 e exposto com muito sucesso em 1939.

“Diversos aspetos do vernáculo minhoto incorporam os seus trabalhos, embora filtrados por um olhar urbano e por uma extensa aprendizagem artística. Sarah Affonso decide interromper a sua carreira como pintora a partir destes anos, mantendo atividade artística noutros suportes”, assinala a Gulbenkian num texto sobre a exposição.

As obras de Sarah Affonso serão mostradas ao lado de objetos de cerâmica, têxteis ou ourivesaria, que formam parte do léxico visual que a inspirou, e onde se incluem empréstimos de diversos museus e colecionadores portugueses.

O Museu Calouste Gulbenkian associa-se ao Museu Nacional de Arte Contemporânea do Chiado, que também assinala este aniversário com uma exposição sobre a artista, a inaugurar em setembro deste ano.

AG // TDI

By Impala News / Lusa

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