Grupo de cidadãos pede explicações ao Governo sobre abandono do Pinhal de Leiria

Um grupo de cidadãos pediu hoje explicações ao ministro do Ambiente e da Ação Climática sobre o abandono a que foi votado o Pinhal de Leiria, três anos após o incêndio que consumiu 86% da sua área.

Grupo de cidadãos pede explicações ao Governo sobre abandono do Pinhal de Leiria

Grupo de cidadãos pede explicações ao Governo sobre abandono do Pinhal de Leiria

Um grupo de cidadãos pediu hoje explicações ao ministro do Ambiente e da Ação Climática sobre o abandono a que foi votado o Pinhal de Leiria, três anos após o incêndio que consumiu 86% da sua área.

Numa carta enviada hoje ao ministro João Pedro Matos Fernandes, o grupo de cidadãos, que inclui os ex-candidatos presidenciais Paulo de Morais e Henrique Neto, o ex-presidente da associação Transparência e Integridade João Paulo Batalha, a economista Susana Peralta e a ativista Joana Amaral Dias, quer saber quais os meios financeiros comprometidos pelo Governo para o plano de recuperação.

O grupo lembra, na carta a que a Lusa teve acesso, que três anos após o incêndio que devastou a quase totalidade do Pinhal de Leiria não foram levadas a cabo “quaisquer ações de relevo no terreno”.

“Três anos depois, o Pinhal de Leiria continua pouco mais do que um monte de cinzas sem trabalhos de reflorestação em curso, para lá de ações pontuais pouco mais do que simbólicas, sem o investimento público necessário à sua regeneração e à manutenção do pinhal sobrevivente e sem um real compromisso do Estado na recuperação da área ardida”, escrevem.

O grupo chama também a atenção para uma nova ameaça ao Pinhal de Leiria: “as espécies invasoras que impedem a regeneração natural, sufocando os pinheiros entretanto nascidos naturalmente, a falta de meios humanos e de investimento que garanta a boa manutenção e a regeneração daquela área natural”.

Alertam também para a erosão agravada pelo desaparecimento da mata nacional, “da incúria pública”.

Por isso, querem saber quais são os meios financeiros comprometidos pelo Governo — designadamente em sede da proposta de Orçamento do Estado para 2021 — para o plano de recuperação, incluindo a reflorestação integral do Pinhal de Leiria.

Querem saber também quando será feita a “contratação de um quadro de pessoal suficiente — no quadro do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas ou de qualquer outra estrutura de gestão existente ou a criar — para assegurar a manutenção eficiente daquele património público, incluindo o combate às espécies infestantes, bem como a reflorestação continuada da área ardida”.

O grupo questiona também o ministro sobre quando haverá um portal eletrónico de acesso geral onde seja divulgada, regularmente, informação sobre o prosseguimento das ações necessárias à recuperação e valorização da Mata Nacional de Leiria.

Por fim, querem saber se o Governo tem intenção de encetar o processo com vista à classificação da Mata Nacional de Leiria como Reserva da Biosfera da UNESCO tendo em conta o seu valor histórico, social, cultural e natural e quando.

O grupo considera que a “importância deste património exige mais do que palavras de circunstância e eventos mediáticos nas cinzas do que foi destruído. Exige um compromisso político, orçamental e humano para a regeneração de tudo o que o país perdeu há três anos”, é referido.

A Mata Nacional de Leiria, também conhecida por Pinhal de Leiria e Pinhal do Rei, é propriedade do Estado. Tem 11.062 hectares e ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande. A principal espécie é o pinheiro bravo.

No incêndio de 15 de outubro de 2017 arderam 9.480 hectares de área, equivalente a 54% do território do concelho e 86% da Mata Nacional de Leiria, informou na altura o município.

DD (EYC) // SB

By Impala News / Lusa

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