Governo brasileiro acusado de censurar exame estudantil

O Governo liderado pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi acusado de censurar temas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aceite por universidades do Brasil e também de Portugal, por funcionários do Ministério da Educação.

Governo brasileiro acusado de censurar exame estudantil

Governo brasileiro acusado de censurar exame estudantil

O Governo liderado pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, foi acusado de censurar temas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), aceite por universidades do Brasil e também de Portugal, por funcionários do Ministério da Educação.

Longe de negar as acusações, o chefe de Estado brasileiro saudou na segunda-feira o facto de as questões do Enem, que será aplicado no próximo domingo, “começaram a se assemelhar ao Governo”.

As declarações ocorreram à margem de uma visita oficial de Bolsonaro ao Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e geraram alvoroço junto de deputados brasileiros que anunciaram hoje a intenção de convocar o ministro da Educação, Milton Ribeiro, para prestar informações sobre o Enem.

Na semana passada, 37 funcionários do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão público brasileiro responsável pela organização do Enem, pediram demissão.

Mas o escândalo rebentou mesmo no domingo, com depoimentos de alguns dos demissionários a disseram haver “censura” por parte do Governo em questões do exame numa reportagem exibida pelo programa Fantástico, da TV Globo.

Além da censura, os funcionários, que não quiseram testemunhar abertamente, também denunciaram o que classificaram como uma “pressão insuportável” e “assédio moral” dentro do Inep.

Um deles revelou ainda que um dos seus superiores tinha apelado à retirada de “mais de 20 questões” da primeira versão do exame, que tem no total 180 perguntas de várias disciplinas.

“Eram, em sua maioria, perguntas sobre a história recente do país”, explicou o funcionário.

Devido a este pedido de modificação das questões, duas novas versões do teste tiveram que ser escritas.

“É um erro grave simplesmente riscar elementos de um teste porque não apreciamos seu conteúdo”, resumiu outro denunciante.

Jair Bolsonaro já havia criticado uma questão do Enem sobre um tema relacionado com as comunidades Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgênero (LGBT) logo após a sua eleição em novembro de 2018.

“Fiquem tranquilos, não haverá mais perguntas como essa no ano que vem, porque teremos conhecimento do conteúdo com antecedência”, anunciou Jair Bolsonaro na ocasião.

Em janeiro passado, o Presidente brasileiro também criticou uma pergunta sobre a disparidade salarial entre duas estrelas do futebol.

O Enem é uma avaliação multidisciplinar usada em processos de seleção de estudantes que pretendem entrar em universidades públicas e privadas do Brasil, e que também é aceite por instituições de ensino superior de Portugal, como a Universidade de Coimbra.

Este ano, mais de três milhões de alunos estão inscritos no teste do Enem, previsto para os dias 21 e 28 de novembro.

CYR // LFS

By Impala News / Lusa

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