«Free Solo» ganha o Óscar de Melhor Documentário e tem dois portugueses na equipa

«Free Solo» ganha o Óscar de Melhor Documentário e tem dois portugueses na equipa

O filme norte-americano «Free Solo» ganhou o Óscar de Melhor Documentário e conta na ficha técnica com dois nomes portugueses: Joana Niza Braga e Nuno Bento, da equipa de som.

O filme norte-americano «Free Solo» ganhou o ‘Óscar de Melhor Documentário’ e tem dois nomes portugueses na equipa: Joana Niza Braga e Nuno Bento.

Foi o segundo prémio da noite e o único com portugueses na ficha técnica. Esta é uma conquista para o país que vê pela primeira vez o reconhecimento na cerimónia mais importante do ano. Portugal é o país que mais vezes submeteu títulos à nomeação de ‘Melhor Filme Estrangeiro’, sem alguma vez ter conquistado alguma. No total foram 35 títulos submetidos desde 1980.

Este domingo, 24 de fevereiro, Portugal não subiu ao palco, na 91.ª cerimónia dos Óscares, mas houve um documentário – «Free Solo» – a conquistar a estatueta dourada e que conta com a participação de dois portugueses na ficha técnica.

Joana Niza Braga e Nuno Bento, ambos de 27 anos, fazem parte da equipa de edição de som do documentário da National Geographic, vencedor na categoria de Melhor Documentário.

Um filme onde os realizadores Jimmy Chin e Elizabeth Chai Vasarhelyi acompanham o alpinista norte-americano Alex Honnold na escalada, sem cordas ou proteções, da parede de granito El Capitan, com 900 metros de altura, situada no Parque de Yosemite, nos Estados Unidos.

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O trabalho de Joana Niza Braga e de Nuno Bento foi «todo feito remotamente», a partir de Lisboa, na pós-produtora de cinema Loudness Films, onde há «um estúdio de ‘foley’ bastante grande», contou aquela profissional, em declarações à Lusa.

O ‘foley’ permite criar sons que por vezes não são captados nas rodagens. «Muitas vezes aquilo que estamos a ver nos filmes, em termos de som, não está lá, não existe ou está muito mal gravado, especialmente no ‘Free Solo’, em que temos o Alex a escalar uma montanha gigante», referiu Joana, considerando que «deve ter sido muito difícil conseguir captar algum som decente» na rodagem daquele documentário.

Com o ‘foley’, é possível «criar a ilusão de que existe essa proximidade com as personagens que estão no ecrã».

«Por exemplo, temos o Alex a escalar e nós conseguimos ouvir a parede e todo o material dele, quando na verdade é tudo falso. É tudo criado por nós: pelo ‘foley artist’ e pelo ‘foley mixer’, que juntos trabalhamos para conseguir tornar esse som verdadeiro para aquilo que estamos a ver», desvendou.

O processo é feito com o ‘foley mixer’ na régie e o ‘foley artist’ num estúdio ao lado, com os dois separados por um vidro.

«Eu digo, por exemplo, ‘agora preciso que faças os passos dele nesta casa em madeira enquanto ele usa ténis. O meu colega tem uma televisão e quando eu carrego ‘play’, para gravar, ele tem que olhar para a imagem e repetir exatamente aquilo que está a acontecer», descreveu.

«Nós temos que fazer novamente a olhar para a imagem, de maneira síncrona, para que cole com a imagem. E quando as pessoas estão a ver o filme parece que aquilo que estão a ouvir é aquilo que está ali, quando é falso. O meu colega esteve a fazer os barulhos, sozinho, aquilo fica gravado e depois editado e fica como se fosse o som verdadeiro da cena», explicou.

Enquanto dupla, Joana Niza Braga e Nuno Bento fizeram «inúmeros projetos juntos, portugueses e norte-americanos».

Da Escola Superior de Teatro e Cinema para Hollywood

Três anos depois de ter terminado o curso de Cinema, na vertente Som, da Escola Superior de Teatro e Cinema, Joana Niza Braga tem o nome da ficha técnica de um filme nomeado aos Óscares, algo que «é um bocado surreal».

«Para mim isto ainda é um bocado surreal estar a acontecer, ainda por cima não estou a trabalhar assim há tanto tempo. E claro uma pessoa diz sempre ‘o meu sonho é um dia trabalhar num filme que esteja nomeado para os Óscares’, mas nunca achamos que, especialmente em Portugal, isto possa acontecer», partilhou.

«Free Solo» está ainda nomeado para os prémios da Cinema Audio Society (CAS) e para os Golden Real, os prémios da Motion Picture Sound Editors (MPSE).

Aos 27 anos, Joana Niza Braga conta no currículo com um filme premiado. Em «Balada de um batráquio», de Leonor Teles, filme vencedor do Urso de Ouro de Curta-Metragem no Festival de Cinema de Berlim, em 2016, foi responsável pela montagem de som.

Foi através desse filme, da colega de curso Leonor Teles, que chegou à Loudness Films, onde estagiou e onde permanece até hoje. Nuno Bento começou a trabalhar na pós-produtora de cinema depois ter estudado Produção e Tecnologias da Música na ETIC/EPI e Som para Audiovisuais e New Media na Restart.

Fotos: Reprodução Youtube

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