Fogo no Pantanal brasileiro ameaça maior santuário de onças-pintadas do mundo

Os incêndios que assolam o Pantanal, maior zona húmida do planeta, ameaçam uma reserva natural conhecida por abrigar a maior população de onças-pintadas do mundo, alertaram na terça-feira as autoridades do estado brasileiro de Mato Grosso.

Fogo no Pantanal brasileiro ameaça maior santuário de onças-pintadas do mundo

Fogo no Pantanal brasileiro ameaça maior santuário de onças-pintadas do mundo

Os incêndios que assolam o Pantanal, maior zona húmida do planeta, ameaçam uma reserva natural conhecida por abrigar a maior população de onças-pintadas do mundo, alertaram na terça-feira as autoridades do estado brasileiro de Mato Grosso.

“Reforços foram enviados para combater o incêndio no Parque Estadual Encontro das Águas”, próximo à fronteira do Brasil com o Paraguai, e “estão concentrados na parte leste do parque, conhecido por abrigar a maior concentração de onças-pintadas do mundo”, sublinha o comunicado das autoridades locais.

Duas mulheres e sete crianças, cujas casas foram cercadas por chamas, foram resgatadas por equipas de salvamento, que também tentam proteger as 140 pontes que existem na região, para evitar que as populações fiquem isoladas, acrescentou o texto.

Situado na região centro-oeste, no sul da Amazónia, o Pantanal é uma planície que tem 80% de sua área inundada na estação chuvosa e é considerado um santuário onde ainda se encontra preservada uma fauna extremamente rica, que inclui animais como jacarés, arara-azul ou onças-pintadas, espécie classificada como “quase ameaçada” de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza.

A maior área do Pantanal (62% ou 150.355 quilómetros quadrados) está no território brasileiro. Cerca de 20% do bioma (conjunto de ecossistemas) situa-se na região norte do Paraguai e 18% na Bolívia.

Esta grande planície, atravessada por muitos rios, foi afetada por um número recorde de incêndios este ano.

Já ocorreram mais incêndios no Pantanal brasileiro este ano (12.102) do que em todos os anos de 2018 e 2019 juntos, de acordo com dados de satélite recolhidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Em julho, os satélites detetaram 1.684 incêndios na região, número três vezes superior ao registado em julho de 2019, considerado até então o pior mês desde o início das pesquisas do Inpe, em 1998.

As autoridades brasileiras lançaram a Operação Pantanal II em 07 de agosto para limitar o impacto desses incêndios e 122 bombeiros estão atualmente a lutar contra as chamas, apoiados por cinco aeronaves.

Especialistas indicam que o aumento das chamas na zona húmida do Pantanal se deve ao aumento da desflorestação ilegal, que vem crescendo gradativamente a cada ano, causando uma série de mudanças climáticas, como a alteração do ciclo natural das chuvas.

Este ano não choveu o suficiente durante a temporada, o que baixou os níveis de humidade do Pantanal para os menores índices dos últimos anos.

MYMM // JH

By Impala News / Lusa

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