Filme “Paraíso” de Sérgio Tréfaut premiado em França

O filme “Paraíso”, do realizador português Sérgio Tréfaut, foi premiado no Festival Internacional do Documentário FIPADOC, que terminou no domingo em Biarritz, França.

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Filme “Paraíso” de Sérgio Tréfaut premiado em França

O filme “Paraíso”, do realizador português Sérgio Tréfaut, foi premiado no Festival Internacional do Documentário FIPADOC, que terminou no domingo em Biarritz, França.

De acordo com a organização, “Paraíso” recebeu o grande prémio de documentário musical.

“Paraíso”, que cumpriu a estreia em França neste festival, é um retrato do Brasil a partir da música popular, à escala de um jardim no Rio de Janeiro, onde decorre praticamente toda a narrativa.

No documentário, Tréfaut registou homens e mulheres, todos eles idosos, que se encontram regularmente nos jardins do Palácio do Catete (que acolhe o Museu da República) para cantar sambas, choros e outras músicas do património comum brasileiro. Chamam-lhes “serestas”, uma derivação das serenatas.

“Paraíso” fala de “pessoas consideradas dispensáveis à luz dos valores contemporâneos, e que estão à espera que o seu destino termine, e que lhes é impedido o acesso à felicidade”, afirmou o realizador em setembro passado à agência Lusa.

Para Sérgio Tréfaut, aquela comunidade, que encontrou nos jardins do Palácio do Catete, “transporta algo de um Brasil antigo e que foi obliterado”.

O filme foi feito entre finais de 2019 e início de 2020, ou seja, antes da pandemia da covid-19, que teve um impacto particularmente violento no Brasil.

Sérgio Tréfaut queria ter filmado e conversado mais com aquela comunidade, que não voltou a cantar com regularidade naqueles jardins por causa da pandemia. Montou o filme com as imagens que tinha e dedicou-o aos protagonistas, em particular aos que já morreram, vítimas do novo coronavírus.

Filho de mãe francesa e pai português, Sérgio Tréfaut nasceu e viveu no Brasil até ao final da infância, mas a família acabou por sair do país, exilar-se em França e, mais tarde, já depois da Revolução de Abril de 1974, regressar a Portugal.

“Queria voltar [ao Brasil] desde os dez anos, com uma necessidade de me confrontar com o país onde passei a minha infância. Quando você chega aos 50 é ‘agora ou nunca,’ mesmo que vá para a pior fase do Brasil”, reconheceu Tréfaut, que ativamente tem criticado a presidência de Jair Bolsonaro.

“Paraíso” é, então, o resultado dessa aproximação de Sérgio Tréfaut ao Brasil, feita através da música popular brasileira.

Tréfaut, realizador, produtor, programador, é autor de vários filmes premiados, sobretudo no registo documental, como “Outro país” (2000), “Lisboetas” (2004) e “Alentejo, Alentejo” (2014), aos quais se juntam as ficções “Raiva” (2018) ou “A noiva”, ainda inédito em sala.

SS // MAG

By Impala News / Lusa

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