Fenprof cria “contador de alunos sem professor” no início do ano letivo

A Fenprof vai ter um “contador de alunos sem professor” no próximo ano letivo, que estima que voltará a ser problemático, até porque 2022 deverá ser o segundo ano com mais docentes aposentados.

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Fenprof cria “contador de alunos sem professor” no início do ano letivo

A Fenprof vai ter um “contador de alunos sem professor” no próximo ano letivo, que estima que voltará a ser problemático, até porque 2022 deverá ser o segundo ano com mais docentes aposentados.

“Este ano, provavelmente, vai ser, depois de 2013, o segundo ano com mais saída de professores para a aposentação, num número que irá crescendo até ao final da década”, afirmou o secretário-geral da Fenprof, Mário Nogueira, durante uma conferência de imprensa para avaliar o ano letivo que terminou e divulgar as expectativas para o próximo. Segundo Mário Nogueira, durante este ano civil deverão reformar-se “mais de três mil docentes”.

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Mário Nogueira lembrou as estimativas da Pordata que apontam para que cerca de 110 mil alunos do ensino obrigatório não tenham professor a pelo menos uma disciplina no próximo ano letivo, caso não haja medidas que contrariem a tendência de carência de docentes. “Infelizmente nós pensamos que poderão ser bastante mais” alunos sem aulas, disse Mário Nogueira, anunciando que vai criar um “contador de alunos sem professor” que permitirá fazer um retrato “a nível nacional”.

Sobre as medidas anunciadas pelo ministro da Educação, João Costa, para tentar resolver o problema, Mário Nogueira afirmou que “não deixam água na boca”. “Nós não confiamos nas medidas como sendo as que vão dar resposta. Podem dar respostas pontuais, mas não são respostas que respondam ou possam ser eficazes para um problema de fundo”, disse.

Para a Fenprof, a possibilidade de as escolas poderem renovar os horários incompletos não terá o efeito pretendido: “Mas quantos professores quererão renovar a precariedade e os horários reduzidos?”, questionou Mário Nogueira.

Já a medida que permite às escolas de zonas mais complicadas – como é o Algarve ou Lisboa – completar horários incompletos, poderá fazer deslocar o problema para outras zonas do país, na visão da Fenprof. “Como garante o ministro que ao tapar os pés não vai destapar o tronco?”, questionou Mário Nogueira, explicando que a Fenprof não está contra o completamento de horários, mas que a medida deve “ser nacional e não apenas para algumas regiões”.

A Federação teme que os docentes com horários incompletos se desloquem para o sul, deslocalizando o problema para as escolas do norte e centro. “Quem vai renovar num horário incompleto no Porto se souber que pode fazer três anos de sacrifício e entrar no quadro. Isto pode criar um problema numa outra região”, alertou.

Mário Nogueira acusou a tutela de “total ausência de medidas capazes de atrair jovens para a profissão”, de não conseguir tornar a carreira atrativa e de os horários de trabalho continuarem sem ser cumpridos. “Da parte do ministro não se ouviu uma palavra sobre o que seria essencial para resolver a falta de professores”, acusou o secretário-geral da Fenprof, que hoje admitiu que os docentes poderão avançar para a greve no primeiro período de aulas do próximo ano letivo.

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