Feira do Livro de Sevilha dedica conferência a Sophia e Jorge de Sena nos seus 100 anos

Os escritores portugueses Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena vão estar no centro de uma conferência que assinala os seus centenários, na sexta-feira, na Feira do Livro de Sevilha, que tem Portugal como país convidado.

Feira do Livro de Sevilha dedica conferência a Sophia e Jorge de Sena nos seus 100 anos

Feira do Livro de Sevilha dedica conferência a Sophia e Jorge de Sena nos seus 100 anos

Os escritores portugueses Sophia de Mello Breyner Andresen e Jorge de Sena vão estar no centro de uma conferência que assinala os seus centenários, na sexta-feira, na Feira do Livro de Sevilha, que tem Portugal como país convidado.

“Sophia, Jorge de Sena e a justiça como tema capital da poesia” é o tema da conferência a ser proferida às 12:00 pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, no marco do centenário do nascimento dos dois poetas, de acordo com a programação.

Considerados dois dos maiores poetas portugueses do século XX, Jorge de Sena e Sophia de Mello Breyner nasceram ambos há cem anos, os dois no mês de novembro de 1919, e mantiveram em vida uma profunda amizade, que ficou registada, entre outros escritos, na correspondência regular, desde o final dos anos 1950, após o exílio de Sena, e que constitui não só uma obra da literatura e da estética, como um retrato da época, até aos anos 1970.

A Feira do Livro de Sevilha, que se iniciou no dia 23 de maio e decorre até domingo, conta este ano com Portugal como país convidado, tendo programadas uma série de atividades, como a exibição do filme “São Jorge”, de Marco Martins, no mesmo dia, pelas 18:00.

Trata-se de uma das longas-metragens portuguesas mais premiadas nos últimos anos, um drama sobre as dificuldades vividas em Portugal durante a crise económica, pelos olhos de um pugilista desempregado.

O escritor português Gonçalo M. Tavares vai apresentar a sua obra “O Reino” (“El Reino”), uma tetralogia que reúne os seus quatro principais romances: “Um Homem: Klaus Klump”, “A Máquina de Joseph Walser”, “Jerusalém” e “Aprender a Rezar na Era da Técnica”.

A fechar as atividades portuguesas deste dia, o duo musical Fado Violado apresenta uma atuação intitulada “La balsa de Piedra” (“A jangada de Pedra”).

Este projeto musical foi criado há mais de dez anos pela cantora Ana Pinhal e pelo guitarrista Francisco de Almeida, que, acompanhados de palmas e percussão, criaram uma fusão entre o fado e o flamenco.

Os dois músicos fizeram parte da sua formação musical em Sevilha, aprendendo flamenco na Fundacíon Cristina Heeren, e quando regressaram a Portugal decidiram formar o grupo “Fado Violado”, misturando os dois géneros musicais.

Hoje, o dia vai ser marcado pelas comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, com uma receção e um concerto comemorativo, no Consulado Geral de Portugal.

As atividades culturais portuguesas de sábado arrancam às 10:30 com um curso de literatura ministrado por Gonçalo M. Tavares, a partir dos seus livros “Breves notas sobre literatura — Bloom” e “O Senhor Valéry”, traduzidos para espanhol.

Ao fim da tarde, haverá uma palestra que se debruça sobre uma “breve panorâmica” das perceções que o escritor espanhol Miguel Unamuno tinha sobre Portugal e Espanha, intitulada “Unamuno: um olhar para Portugal”, a que se seguirá uma intervenção do autor português José Luís Peixoto, com vários livros traduzidos para espanhol, que apresentará as suas obras mais recentes.

No domingo, a programação portuguesa conta com um colóquio subordinado ao tema “O riso de Eça de Queirós”, no qual é feita uma aproximação aos grandes temas de debate do século XIX, através da obra literária daquele que é considerado um dos grandes escritores da época.

Desde o início da Feira do Livro de Sevilha, já passaram pelo certame nomes consagrados da literatura portuguesa, como Lídia Jorge, Manuel Alegre ou Dulce Maria Cardoso.

O Prémio Nobel português José Saramago esteve também no centro de vários encontros sobre a sua pessoa e a sua produção literária, como uma conferência conduzida pela sua companheira de vida e presidente da Fundação Saramago, Pilar del Río.

Houve também degustação de vinhos portugueses, a exibição do filme “Os Maias” de João Botelho, uma conferência sobre “Pessoa multiplicado por si mesmo”, por um dos grandes especialistas mundiais na obra de Fernando Pessoa, Jerónimo Pizarro, e uma outra conferência sobre os “45 anos do 25 de Abril: Portugal e Espanha”.

Portugal é o país convidado da Feira do Livro de Sevilha, que decorre na Plaza Nueva, no centro da cidade, e é considerada uma das principais feiras literárias de Espanha, com várias décadas de existência.

Portugal foi país convidado da Feira de Madrid em 2017, pelo que esta participação dá seguimento à estratégia de promoção da literatura portuguesa no país vizinho, especifica o MNE.

A Feira do Livro de Sevilha integra-se nas comemorações dos 500 anos da primeira circum-navegação, pelo que, para além da promoção da literatura e cultura portuguesas, a participação nacional incluiu iniciativas relacionadas com a viagem iniciada em 1519, em Sevilha, por Fernão de Magalhães.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros, através do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua, apoia a participação de autores portugueses na Feira.

AL // TDI

By Impala News / Lusa

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