Falta de médicos: Beja e Portalegre sem Urgência de Obstetrícia e Litoral Alentejano sem Cirurgia

Os dois hospitais não têm Urgência de Ginecologia e Obstetrícia desde hoje e durante o fim de semana e, no Hospital do Litoral Alentejano, não se vão realizar cirurgias, por falta de médicos

Falta de médicos: Beja e Portalegre sem Urgência de Obstetrícia e Litoral Alentejano sem Cirurgia

Falta de médicos: Beja e Portalegre sem Urgência de Obstetrícia e Litoral Alentejano sem Cirurgia

Os dois hospitais não têm Urgência de Ginecologia e Obstetrícia desde hoje e durante o fim de semana e, no Hospital do Litoral Alentejano, não se vão realizar cirurgias, por falta de médicos

Fontes dos três hospitais contactadas esta sexta-feira, 16 de agosto, pela agência Lusa explicaram que a falta de médicos especialistas em número suficiente para o preenchimento das escalas de serviço, durante estes dias, inviabiliza o funcionamento dos serviços. Armindo Ribeiro, secretário regional do Alentejo do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), lembrou hoje à agência Lusa que «as dificuldades dos hospitais da região para conseguirem fixar médicos não são novas», mas, «a situação tem-se agravado e acentuado nos últimos meses e no último ano», sendo necessárias «medidas emergentes por parte do Governo».

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Falta de médicos leva ao encerramento da Urgência de Ginecologia e Obstetrícia em Beja

«É preciso avançar com a contratação imediata de médicos. Têm que se criar medidas específicas para aumentar o número de médicos nos hospitais e nos centros de Saúde do Alentejo», reivindicou. No Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja, pertencente à Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA), a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia já esteve encerrada, esta semana, entre as 06:00 de terça-feira e as 08:00 de quarta-feira, por falta de médicos para preencher a escala.

A situação repete-se hoje, confirmou à Lusa fonte hospitalar, estando o mesmo serviço «temporariamente indisponível, desde as 06:00 de hoje até às 08:00 de domingo, por falta de médicos da especialidade». «Está encerrado temporariamente. São necessários dois médicos para fazer a escala e o que acontece é que às vezes temos um, mas, como não encontramos o segundo, não podemos ter a Urgência aberta só com um», explicou a fonte.

Férias e feriado não permitem assegurar a escala

Para preencher as escalas, assinalou, o que «normalmente» se faz é recorrer «aos prestadores de serviços, mas, nestas alturas de férias de verão e com um feriado a meio da semana [na quinta-feira], é mais complicado». «Foram esgotadas todas as possibilidades e não conseguimos assegurar a escala», frisou, assinalando que é a «sexta vez» que este cenário acontece no hospital este ano, mas «não é expectável» que regresse tão depressa: «Até final deste mês e até meio do mês de setembro temos todas as escalas já preenchidas».

O fecho temporário «foi comunicado ao Ministério da Saúde e ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)» do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), entidade «a quem cabe fazer o encaminhamento das grávidas, consoante a sua localização, para outros hospitais», afirmou a fonte, dando como exemplo os de Évora ou de Faro.

Hospital de Portalegre só tem um obstetra

Já no hospital de Portalegre, o mesmo serviço encerra às 20:00 de hoje e volta a funcionar às 08:00 de segunda-feira, com as utentes a terem como alternativa Évora, revelou à Lusa o porta voz da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA), Ilídio Pinto Cardoso. A unidade tem só um obstetra nesta altura, faltando outro para poder completar a escala, explicou, frisando que esta «é quase feita ao dia», o que dificulta poder avançar se a situação se vai repetir este mês.

Hospital do Litoral Alentejano sem cirurgias devido à falta de profissionais

No Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém (Setúbal), o problema é outro durante este fim de semana, mas a causa é a mesma. Devido à falta de profissionais «em número suficiente» para preencher a escala de serviço, não vão ser feitas cirurgias no bloco operatório, explicou à Lusa fonte clínica. «Das 08:00 de sábado às 08:00 de segunda-feira, vão estar um cirurgião e um interno na Urgência de Cirurgia apenas para o diagnóstico e reencaminhamento dos doentes para outras unidades, mas não efetuamos intervenções cirúrgicas porque falta um cirurgião», disse o diretor clínico dos cuidados primários de saúde da Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), Horácio Feiteiro.

No Alentejo, apenas o Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) relatou ter «todos os serviços a funcionar normalmente», segundo fonte contactada pela Lusa. O coordenador do SIM no Alentejo denunciou que o Hospital de Elvas (Portalegre) «está com falta de médicos na triagem do Serviço de Urgência Básica (SUB), porque só tem um clínico», e criticou os «cortes cegos na Saúde implementados pelo Governo». «Dificultam a fixação de médicos e fazem com que outros abandonem a região», argumentou, defendendo «a criação de melhores condições» para atrair clínicos para o território.

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