Fake News: CNCS e Lusa lançam curso ‘online’ para formar cidadãos ‘ciberinformados’

O Centro Nacional de Cibersegurança e a agência Lusa lançaram um curso ‘online’ gratuito para dotar os portugueses de ferramentas que permitam navegar pelo ‘mar de desinformação na web’ e distinguir o que é jornalismo e informação fidedigna.

Fake News: CNCS e Lusa lançam curso 'online' para formar cidadãos 'ciberinformados'

Fake News: CNCS e Lusa lançam curso ‘online’ para formar cidadãos ‘ciberinformados’

O Centro Nacional de Cibersegurança e a agência Lusa lançaram um curso ‘online’ gratuito para dotar os portugueses de ferramentas que permitam navegar pelo ‘mar de desinformação na web’ e distinguir o que é jornalismo e informação fidedigna.

Cada vez que uma pessoa utiliza um computador ou um ‘smartphone’ é inundada por centenas, talvez até milhares, de conteúdos, mas parte desta informação não é fidedigna e há “notícias” que não o são. Foi com esta problemática em mente que a Lusa e o CNCS se juntaram para lançar hoje o curso “Cidadão Ciberinformado”, com o intuito de ajudar as pessoas a perceber melhor o conceito de ‘fake news’ e de desinformação, e identificarem a veracidade de uma notícia ou de qualquer outro tipo de publicação digital.

É possível fazer a inscrição nesta formação através do ‘link’ https://lms.nau.edu.pt/register?course_id=course-v1%3ACNCS%2BCCI101%2B2020_T2&enrollment_action=enroll.

“Sentimos a necessidade de criar este curso no ano em que tivemos três eleições em Portugal [2019], as eleições europeias, as eleições legislativas e as eleições regionais, e também decorrente de uma recomendação da Comissão Europeia (CE) de combater a desinformação, que, de alguma forma, apontava como instrumento de combate às ‘fake news’ e fenómenos associados a aposta na literacia digital e no incremento da literacia mediática”, explicou o coordenado do CNCS, Lino Santos.

O responsável explicou que esta formação e-learning gratuita, que não tem limite de inscrições, é orientada “a qualquer tipo de utilizador”, independentemente da idade, e visa dotar as pessoas de “um sentido crítico no consumo de informação” na internet.

Os módulos podem ser feitos “de uma assentada” e, nesse caso, o tempo de conclusão previsto é de três horas, pelo que no final os participantes que obtiverem uma classificação mínima de 75% vão poder descarregar um certificado.

Contudo, as pessoas podem “ir fazendo aos pedacinhos, módulo a módulo”, sendo essa “uma das vantagens” destas formações pela ‘web’, prosseguiu Lino Santos.

“É essencial que Portugal tenha um jornalismo profissional, eficaz, e que, de facto, se assuma como o quarto pilar da democracia. Nesse sentido, temos de fazer um trabalho eficaz e profícuo no combate à desinformação, e isso passa por ensinar os comportamentos” que as pessoas devem adotar quando se deparam com diferentes tipos de informação, explicitou o coordenador do CNCS.

Lino Santos considerou que é importante que as pessoas percebam que, “quando um cabeçalho é bombástico e apela a algumas emoções, devem cruzar imediatamente [essa informação] com outras fontes”.

Navegar na internet também é saber distinguir “notícias” com um “jornalista por detrás, um corpo editorial por detrás”, de uma fonte que “não tem qualquer tipo de referência, nem é assinada”.

Em consonância com o coordenador da CNCS, o diretor de Inovação e Novos Projetos da Lusa, Pedro Camacho, disse que este curso vai “ajudar as pessoas a distinguir informação jornalística do resto da informação” que circula nas redes sociais, blogues e em vários ‘sites’.

Pedro Camacho sublinhou que também é importante que os cibernautas entendam que “muitas vezes são cúmplices” da difusão da desinformação.

“Cada vez que fazem um ‘like’, cada vez que fazem uma partilha [de um conteúdo falso], vão contribuir para a disseminação dessa informação” que carece de factos, explicou.

Por essa razão, este curso ‘online’ permitirá às pessoas “perceberem se essa informação é uma informação credível, que está assente em fontes credíveis e que está assente em dados, ou se é simplesmente uma opinião de alguém, até pode muito legitimamente estar a dar uma opinião, mas é uma opinião, não é uma notícia”.

As ferramentas e os exemplos que vão estar explícitos na formação também vão permitir perceber as intenções e os “objetivos políticos” que podem estar por detrás de uma ‘fake news’ que foi difundida milhares de vezes.

O diretor de Inovação da agência de notícias portuguesa recordou a utilização da desinformação para manipular as eleições presidenciais norte-americanas, ou o referendo que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, em 2016.

Numa altura em que várias figuras próximas do Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, estão a ser investigadas pela alegada difusão de ‘fake news’ contra magistrados do Supremo Tribunal Federal (SFT) nas redes sociais, é importante que os cidadãos entendam que, enquanto navegam pelo ‘caos da internet’, poderão estar a ser alvo de manipulação.

AFE // JPF

By Impala News / Lusa

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