Exposição “Saudades” percorre trajeto artístico da pintora Paula Rego na Galeria 111

Uma exposição com 27 obras originais de Paula Rego, que revisita o seu percurso artístico desde os anos 1980 até trabalhos mais recentes, provenientes do atelier da pintora, em Londres, é inaugurada no sábado, na Galeria 111, em Lisboa.

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Exposição “Saudades” percorre trajeto artístico da pintora Paula Rego na Galeria 111

Uma exposição com 27 obras originais de Paula Rego, que revisita o seu percurso artístico desde os anos 1980 até trabalhos mais recentes, provenientes do atelier da pintora, em Londres, é inaugurada no sábado, na Galeria 111, em Lisboa.

Sob o título “Saudades”, a exposição, que ficará patente ao público até 15 de janeiro de 2022, junta obras que atravessam várias décadas e temas, desde os anos de 1980, como “Girl and dog”, até pinturas como “Maria Madalena”, de 2017, segundo a galeria.

A iniciativa é da própria Galeria 111 para exprimir o sentimento de saudades da presença da pintora, “que há mais de três anos não vem a Portugal devido à idade e à frágil saúde”, disse à agência Lusa o diretor daquele espaço cultural, Rui Brito, que também é curador da exposição, em conjunto com o filho da pintora, Nick Willing, que selecionou as obras.

O objetivo “foi mesmo abordar técnicas e períodos do percurso artístico de Paula Rego, e, desta forma, criar uma mini-antológica muito forte e muito abrangente”, explicou Rui Brito, cuja família tem uma longa ligação de décadas à artista, continuando a representá-la em Portugal.

“É uma relação de cumplicidade e amizade que continua”, sublinhou o galerista, herdeiro da Coleção Manuel de Brito (1928-2005), um dos primeiros e maiores galeristas e livreiros do país, que reuniu cerca de duas mil obras de arte, desde escultura, pintura e desenho, criando uma das maiores e mais importantes coleções privadas de arte do país.

Daí a decisão de dar o título “Saudades” à exposição, com 27 obras, que será inaugurada no sábado com a presença de Nick Willing em representação da mãe, que continua a residir em Londres, onde se radicou.

Num texto da curadora Helena de Freitas, que consta do catálogo, refere-se que há diversas pinturas da exposição nas quais se destaca a iconografia religiosa, surgindo uma “apropriação de cenas bíblicas ou dos seus símbolos sempre feita em total liberdade, colocando em planos indiferenciados o sagrado, o mítico ou o quotidiano”.

Múltiplas citações religiosas podem ser encontradas, por exemplo, na obra “The Family” (1988), “onde a tensão dos corpos é sustentada pela expectativa salvífica de um oratório”, na pintura alusiva à Guerra do Iraque, “War” (2004), “com a sugestão de uma Pietá nas duas figuras centrais – ambas unidas pela exasperação de um sentimento de perda”.

Essas referências religiosas também surgem na representação da seguidora de Jesus, Maria Madalena, numa pintura sem título de 1995, “que mostra uma mulher a puxar uma cinta para esconder a sua nudez e o desconforto da sua impureza, ou nos sinais iconográficos, mais evidentes como a cruz, ou a escada, que encontramos em muitas das suas obras”, descreve a historiadora de arte.

“As três obras aqui recuperadas do ciclo da Virgem Maria (‘Anunciação’, 2002) estudos para a encomenda do Presidente da República Jorge Sampaio, à artista, para a Capela de Nossa Senhora de Belém, são obras maiores no [seu] percurso, aquelas que, a partir do culto mariano, criaram o espaço de reflexão mais pertinente sobre a voz das mulheres”, sublinha a ex-diretora da Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais.

Paula Rego “tem sido a artista inconformista e insatisfeita que sobrevive a cada rutura e que renasce em sucessivos estados experimentais”, diz ainda, sobre a artista nascida em 1935, que se tornou na única mulher a estudar na London School nos anos de 1950 (1952-1956), ao lado de artistas que se tornariam célebres como Lucian Freud, Francis Bacon, David Hockney e Frank Auerbach.

Foi nessa altura que viria a conhecer o marido, o artista britânico Victor Willing (1928-1988), com quem chegou a viver em Portugal, nos anos de 1957 a 1963.

A obra de Paula Rego assume um “implacável escrutínio da complexa natureza ética e moral” da vida, com uma “abordagem sempre ética, pedagógica e o propósito transformador das consciências e dos comportamentos”, acrescenta Helena de Freitas no texto.

Paula Rego foi elevada, em 2004, à Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada de Portugal, pelo Presidente Jorge Sampaio e, em 2010, foi distinguida pela rainha Isabel II de Inglaterra, pela sua contribuição para as artes, com o grau de Dama Comandante da Ordem do Império Britânico.

A exposição “Saudades”, com obras de Paula Rego, é inaugurada na sexta-feira, às 16:00, na Galeria 111, em Lisboa, e pode ser visitada de terça-feira a sábado, das 10:00 às 19:00, ao próximo dia 15 de janeiro.

AG // MAG

By Impala News / Lusa

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