EUA recebem Cimeira das Américas com crise migratória, violência e pobreza na agenda

A IX Cimeira das Américas começa na segunda-feira em Los Angeles com os principais desafios que o continente americano enfrenta na agenda e a ausência de Cuba, Venezuela e Nicarágua, que os Estados Unidos não convidaram.

EUA recebem Cimeira das Américas com crise migratória, violência e pobreza na agenda

EUA recebem Cimeira das Américas com crise migratória, violência e pobreza na agenda

A IX Cimeira das Américas começa na segunda-feira em Los Angeles com os principais desafios que o continente americano enfrenta na agenda e a ausência de Cuba, Venezuela e Nicarágua, que os Estados Unidos não convidaram.

Crescimento económico, alterações climáticas, violência, pobreza e pandemia de covid-19 estarão “seguramente” em debate no encontro que decorre até 10 de junho na cidade californiana e reúne não só chefes de Estado e de Governo e ministros como também líderes da sociedade civil e empresários de todo o continente, indicou uma porta-voz da Casa Branca, explicando que a agenda do encontro só será divulgada quando houver uma “lista final” de países com participação confirmada.

A ausência de convite aos regimes do cubano Miguel Díaz-Canel, do venezuelano Nicolás Maduro e do nicaraguense Daniel Ortega – justificada pelos Estados Unidos por não serem democracias – desencadeou polémica durante os preparativos da cimeira, fazendo com que o Presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, e outros chefes de Estado latino-americanos com eles se solidarizassem.

Alguns anunciaram, pura e simplesmente, que não estariam presentes, em protesto contra a atitude discriminatória do país anfitrião, ao passo que outros ameaçaram boicotar a cimeira, como López Obrador, que enviou uma carta ao Presidente norte-americano, Joe Biden, dizendo que só participaria no encontro se todos os países do continente americano fossem convidados.

O Presidente mexicano indicou que aguarda ainda uma resposta da Administração Biden, mas acrescentou que, mesmo que não vá, o México estará oficialmente representado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcelo Ebrard, e que, de qualquer maneira, “as relações com os Estados Unidos vão continuar a ser boas, porque são relações de amizade”.

Até agora, disseram que não se farão representar em Los Angeles a Bolívia e países da Comunidade das Caraíbas (Caricom) como São Vicente e Granadinas.

Outros Estados, como Argentina, Chile e Honduras, reiteraram as críticas aos Estados Unidos, mas já tinham confirmado a sua participação e não recuaram.

O chefe da diplomacia hondurenha, Eduardo Enrique Reina, representará o país na Cimeira de Los Angeles, informou neste sábado o Governo, confirmando a ausência da presidente Xiomara Castro.

Também o cubano Díaz-Canel se pronunciou sobre o assunto, afirmando que não iria à cimeira mesmo que tivesse sido convidado.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, disse no sábado que o país caribenho e as demais nações excluídas serão representadas na Cúpula das Américas pela “voz” do presidente da Argentina, Alberto Fernández.

“Parece-me muito bom que ele traga a voz da América Latina e do Caribe ao encontro das Américas (…) estaremos bem representados na voz do presidente Alberto Fernández”, disse o presidente venezuelano.

Já confirmaram a sua presença o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o Presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, e o chefe de Estado do Peru, Pedro Castillo.

Membros do movimento da oposição nicaraguense Unidade Nacional Azul e Branco anunciaram igualmente que marcarão presença na Cimeira das Américas, bem como membros de outras organizações da diáspora e exilados – não na Cimeira de Líderes, evidentemente, nem como delegação oficial, mas em vários fóruns que decorrerão em paralelo.

Em maio passado, o Governo de Biden afirmou que estava a “avaliar opções sobre como incorporar melhor as vozes dos povos cubano, venezuelano e nicaraguense” na reunião do continente americano, e ter posteriormente indicado que estariam igualmente presentes elementos da sociedade civil de Cuba e da Venezuela.

Além da Cimeira de Líderes, cujo anfitrião será Joe Biden, e com o propósito de fomentar uma cimeira mais inclusiva, o Departamento de Estado organizará três fóruns oficiais de partes interessadas na cimeira: o IX Fórum da Sociedade Civil, o VI Fórum de Jovens das Américas e a IV Cimeira de CEO das Américas.

Segundo informação constante do ‘site’ da internet sobre o encontro, “cada fórum promoverá um maior diálogo entre os chefes de Estado e de Governo e os povos e empresas das Américas para discutir os desafios e oportunidades do hemisfério, como a inclusão social, a recuperação económica, as alterações climáticas, a democracia e a transformação digital”.

Entretanto, uma aliança de mais de 150 organizações dos Estados Unidos e da América Latina anunciou a realização entre 08 e 10 de junho da Cimeira dos Povos pela Democracia, também em Los Angeles, em protesto contra a ausência dos temas da imigração e das minorias da Cimeira das Américas.

Segundo Angélica Salas, diretora da União pelos Direitos Humanos dos Imigrantes (CHIRLA), a Cimeira dos Povos pela Democracia abordará “todos aqueles temas importantes que a cimeira presidencial deixou de fora”, como os direitos dos imigrantes, das mulheres e dos trabalhadores.

“Não se vai falar oficialmente de imigração na Cimeira das Américas, e isso é um grande erro. Por isso, nós estamos a fazer esta cimeira, porque queremos garantir que as vozes dos imigrantes são ouvidas”, sustentou.

A cimeira alternativa, que decorrerá a apenas alguns quarteirões do Centro de Convenções de L.A., local que acolherá os representantes oficiais, pretende debater as preocupações com as leis da imigração – como o polémico Título 42, que permite expulsar de imediato imigrantes por razões sanitárias – e a necessidade de aprovar uma reforma migratória nos Estados Unidos, entre outras questões.

A América vive uma das suas maiores crises migratórias, com centenas de milhares de pessoas a tentar entrar nos Estados Unidos para viver o “sonho americano”, cada vez mais difícil devido às constantes deportações e ao perigo das fronteiras, especialmente as do México e a do Panamá com a Colômbia.

 

ANC/PDF // PDF

By Impala News / Lusa

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