Estudo sugere melhor acesso ao rastreio do cancro de mama e via verde para exames

Um estudo que analisou as várias dimensões do cancro da mama em Portugal e que é hoje apresentado sugere a melhoria do acesso e adesão ao rastreio e a criação de uma via verde prioritária para exames no caso das doentes de cancro.

Estudo sugere melhor acesso ao rastreio do cancro de mama e via verde para exames

Estudo sugere melhor acesso ao rastreio do cancro de mama e via verde para exames

Um estudo que analisou as várias dimensões do cancro da mama em Portugal e que é hoje apresentado sugere a melhoria do acesso e adesão ao rastreio e a criação de uma via verde prioritária para exames no caso das doentes de cancro.

Um estudo que analisou as várias dimensões do cancro da mama em Portugal e que é hoje apresentado sugere a melhoria do acesso e adesão ao rastreio e a criação de uma via verde prioritária para exames no caso das doentes de cancro. O Estudo Católica H360º, coordenado pelo oncologista Luis Costa, do Centro Hospitalar Universitário Lisboa Norte, sugere igualmente o aumento da literacia em saúde, não só da população, mas também dos profissionais de saúde.

“Temos de aumentar a literacia em saúde, não só para a população em geral, mas também nos profissionais em saúde. Nós próprios – os profissionais de saúde — ficámos surpreendidos com alguns resultados. (…) Literacia em saúde significa também conhecer melhor aquilo que os doentes passam quando têm um problema deste tipo”, disse à agência Lusa o coordenador do estudo.

O Estudo Católica H360º pretendeu perceber como vive e quais as necessidades da doente com cancro de mama, olhando para a realidade atual e propondo soluções para uma melhor abordagem destas doentes, maximizando os recursos disponíveis no sistema de saúde.

“Se nos demos conta de que uma boa percentagem das mulheres jovens com cancro da mama tem de continuar a trabalhar (…), isso significa que será também necessário uma melhor adaptação dos serviços que fazem os tratamentos, para saber se podem fazer um tratamento num horário que seja mais compatível com as funções profissionais da pessoa”, explicou o oncologista e investigador principal do Instituto de Medicina Molecular.

Para compreender as múltiplas dimensões da doença, a equipa de investigação captou a perspetiva de todos os intervenientes (doentes, médicos e administradores hospitalares) ao longo do percurso da doente no sistema de saúde, em sete hospitais públicos e privados de norte a sul do país.

“A maior parte das vezes, quem diz à pessoa que tem um cancro da mama é o radiologista”

Entre os hospitais que participaram estão o Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, IPO de Coimbra, Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Norte, Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro (Unidade de Vila Real), Hospital do Espírito Santo, Évora, Centro Hospitalar Universitário do Algarve, Faro e o Hospital da Luz, em Lisboa.

O trabalho, liderado pelo Instituto de Ciências da Saúde (ICS) da Universidade Católica Portuguesa e que teve o apoio financeiro da Pfizer, sugere a melhoria das equipas multidisciplinares, integrando médicos especialistas em imagiologia, e propõe a criação de um circuito verde prioritário para elaboração de meios complementares de diagnóstico nas doentes com cancro. “A maior parte das vezes, quem diz à pessoa que tem um cancro da mama é o radiologista. E desde que a pessoa sabe que tem um problema e vai precisar de fazer uma biópsia, até que saiba quando vai ser tratada e qual é o plano terapêutico decorrem por vezes várias semanas. Imagine a angústia destas pessoas até que tenham uma resposta”, exemplificou o especialista.

O estudo propõe ainda a integração regular entre especialidades médicas e não médicas (por exemplo nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas), considerados “fundamentais à gestão da doente com cancro da mama”.

Alem das recomendações na área da literacia e da melhoria das equipas multidisciplinares, os investigadores apresentam ainda recomendações no âmbito do acesso aos cuidados de saúde, sugerindo melhorar o acesso e adesão ao rastreio do cancro da mama a nível nacional nas doentes que não têm médico de família.

O desenvolvimento de aplicações digitais para facilitar a comunicação das doentes com os profissionais de saúde, ter consultas e aceder a exames e resultados, assim como tornar padrão as consultas à distância “sempre que adequado à situação clínica” são outras das sugestões apresentadas.

Os investigadores recomendam ainda a interligação de unidades hospitalares de menor volume de doentes com as consultas multidisciplinares de centros oncológicos de maior volume, através de consultas virtuais, para mitigar desigualdades regionais e promover o acesso equitativo aos cuidados de saúde e aos centros oncológicos.

Sugerem igualmente a possibilidade de hospitalização domiciliária de doentes em cuidados paliativos e, na área dos ensaios clínicos, defendem a necessidade de uma plataforma eletrónica nacional atualizada, com acesso aberto a profissionais de saúde e doentes, para facilitar a referenciação dos doentes.

Entre as recomendações do estudo estão ainda a melhoria na integração entre cuidados de saúde primários e hospitalares – para garantir cuidados atempados e de qualidade e acompanhamento continuado e adequado –, sugerindo que se avalie a possibilidade de passar o seguimento das doentes em hormonoterapia adjuvante para os Cuidados de Saúde Primários a partir dos três a cinco anos de hormonoterapia.

O apoio à doente oncológica e sua integração na sociedade é outra das áreas em que o estudo aponta a necessidade de melhorias e, na área da investigação, recomenda a promoção do acesso e processamento sistemático de dados em saúde, integrando especialistas em estatística e de gestão de dados nas equipas hospitalares.

 

 

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