Estratégias da UE para transição energética diferem, Portugal podia antecipar

Portugal, que já preparou uma estratégia de longo prazo para a transição climática e energética, tem potencial para antecipar a data da neutralidade carbónica, mas há vários Estados-membros atrasados nessas estratégias, indica um estudo hoje divulgado.

Estratégias da UE para transição energética diferem, Portugal podia antecipar

Estratégias da UE para transição energética diferem, Portugal podia antecipar

Portugal, que já preparou uma estratégia de longo prazo para a transição climática e energética, tem potencial para antecipar a data da neutralidade carbónica, mas há vários Estados-membros atrasados nessas estratégias, indica um estudo hoje divulgado.

O estudo envolveu oito países, um deles Portugal, e foi publicado pela Rede Europeia de Ação Climática (CAN-Europe), no âmbito do projeto UNIFY, de acompanhamento da execução dos Planos Nacionais de Energia e Clima dos vários países da União Europeia. A associação ambientalista portuguesa Zero é parceira do projeto e o estudo foi hoje divulgado por ela em comunicado.

No comunicado lembra-se que os Estados devem apresentar estratégias de longo prazo para a transição climática e energética e que, apesar do prazo para a submissão dessas estratégias ter sido a 01 de janeiro de 2020, “ainda falta a submissão de sete países” e o prazo para a avaliação da Comissão Europeia não é claro.

A análise da CAN-Europe incidiu sobre, além de Portugal, Croácia, República Checa, Estónia, Hungria, Polónia, Eslovénia e Espanha. O relatório sublinha que o desenvolvimento e implementação das estratégias de longo prazo têm níveis muito díspares entre os países envolvidos no estudo, a nível de ambição, liderança política e participação pública.

De acordo com o documento, a República Checa não atualizou a sua estratégia de longo prazo e a Croácia, Hungria, Eslovénia e Espanha atrasaram-se na submissão das suas estratégias. A Polónia ainda não a entregou.

“Relativamente à ambição, as estratégias de longo prazo de Portugal, Espanha, Hungria e Eslovénia estabelecem a nível nacional o mesmo objetivo da União Europeia de neutralidade climática até 2050”, nota-se na análise, segundo a qual a Polónia não preparou a estratégia de longo prazo mas sim um documento que está a proteger as companhias energéticas do Estado e as grandes companhias elétricas.

Portugal, com uma estratégia de longo prazo que corresponde ao Roteiro para a Neutralidade Carbónica em 2050, podia, diz a Zero, antecipar a data da neutralidade carbónica, “tornando-a mais próxima de 2040”.

Aliás, acrescenta a organização ambientalista, o Roteiro para a Neutralidade Carbónica devia ser atualizado, já que o final do uso do carvão foi antecipado para este ano e a capacidade instalada de energias renováveis “está a evoluir mais rapidamente do que o previsto”.

No relatório agora divulgado apela-se à Comisso Europeia para exigir rapidamente todas as estratégias de longo prazo em falta e fazer uma avaliação da falta de ambição coletiva.

“Estes planos nacionais poderiam desempenhar um papel importante na implementação dos objetivos do Pacto Ecológico Europeu e deveriam preparar o caminho para a contribuição justa da Europa de limitar o aumento de temperatura a 1,5°C”, diz, citado na análise, o diretor da CAN-Europe, Wendel Trio.

FP // CSJ

By Impala News / Lusa

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