Espetáculo sobre tolerância em que árvore e nuvem trocam de cor estreia-se hoje no teatro Lu.Ca

A Plataforma 285 criou um mundo a verde e branco, onde uma nuvem e uma árvore trocam de cor, para falar de tolerância, num espetáculo para crianças, que se estreia hoje no teatro Lu.Ca, em Lisboa.

Espetáculo sobre tolerância em que árvore e nuvem trocam de cor estreia-se hoje no teatro Lu.Ca

A Plataforma 285 criou um mundo a verde e branco, onde uma nuvem e uma árvore trocam de cor, para falar de tolerância, num espetáculo para crianças, que se estreia hoje no teatro Lu.Ca, em Lisboa.

“A Árvore Branca”, criado e interpretado por Raimundo Cosme, surgiu com a ideia de ser “um espetáculo sobre singularidade na pluralidade”. “Um espetáculo sobre a possibilidade de podermos ser tudo, sobre esta questão de poder ser tudo num mundo cinzento, aqui num mundo verde e branco”, referiu Raimundo Cosme, em declarações à Lusa.

O espetáculo, para crianças com idades entre os três e os cinco anos, é inspirado no livro “Troca-Tintas”, do ilustrador Gonçalo Viana, que assina a cenografia.

Lembrando que a Plataforma 285 “nunca faz adaptações, trabalha a partir de [obras em que se inspira] ou a partir de temas”, Raimundo Cosme referiu que “a coisa mais fácil era adaptar o livro, porque ele estava fantástico”.

“Mas o que nos interessou foi fechar a ilustração do livro nesta ideia do verde e do branco, de uma nuvem e uma árvore que trocam de lugar e do caos que isso causa à volta”, explicou à Lusa.

A ideia de criar o espetáculo surgiu em 2018, quando “Troca-Tintas” era apenas “um esboço” e Gonçalo Viana estava a trabalhar com a editora Orfeu Negro “para chegar à edição final”.

Raimundo Cosme nunca tinha acompanhado a construção de um livro, “ainda por cima de um livro da Orfeu, que é muito interessante, porque aquilo são álbuns ilustrados, em que a história é muito curta”.

O ator e encenador explicou que primeiro Gonçalo Viana “escreveu uma história completa e depois passou-a para ilustração”. Neste processo “teve que se cortar logo metade do texto” e, na fase seguinte, “foi preciso redefinir os desenhos em função do novo texto, redefinir todo o texto para ele fazer sentido num texto muito curto”.

“Quando comecei a trabalhar sobre ele, comecei a trabalhar sobre todas as versões do texto, e comecei a criar uma outra versão, até chegarmos à conclusão de que não podíamos trabalhar assim e que a ideia era partir desta ideia da árvore e da nuvem que trocam de lugar, do caos que isso causa à volta, num mundo que devia ser todo verde e branco e onde não há qualquer outra possibilidade: o verde pertence ao sítio do verde e o branco pertence ao sítio do branco e nem sequer é exequível pensar noutras cores”, contou.

Essa falta de exequibilidade era o que mais interessava ao criador e interprete do espetáculo, “todas as leituras que isto abre e todas as sementes que podem ser plantadas na infância, nesta infância, que é dos três aos cinco anos”.

O livro tem muitas cores, mas no espetáculo é tudo verde e branco, até as luzes, porque a Raimundo Cosme interessava “criar essa dicotomia, trabalhar sobre este binómio de ser verde ou ser branco e na impossibilidade de ser outra coisa”.

Além disso, em palco, a nuvem e a árvore “estão noutro plano”, mais elevado: “O facto de elas estarem tão alto também é porque deviam estar noutro plano, num plano em que o facto de elas trocarem não é um problema”.

“O problema é para nós, pessoas, que vamos agarrá-las, testá-las, ver o porquê, e depois obrigá-las a tomar a decisão que achamos correta. Ali em cima, nesta troca, não há um problema, na nossa consciência desta troca é que depois existe um problema”, defendeu Raimundo Cosme.

Enquanto trabalhou em “A Árvore Branca”, Raimundo Cosme a restante equipa da Plataforma 285 tiveram “sempre como pano de fundo” um episódio que se passou na digressão de um outro espetáculo que fizeram para crianças.

“Nesse espetáculo eu vou de ténis cor-de-rosa. Fizemos dezenas de apresentações e nunca tinha acontecido isto: uma criança no final perguntou-me por que é que eu tinha uns ténis cor-de-rosa e disse que não existem ténis cor-de-rosa, só existem ténis pretos ou brancos. Na verdade não era aquele problema, o problema era um rapaz poder usar uns ténis cor-de-rosa, e ver numa criança uma ideia tão formatada legitimou completamente a necessidade de fazer este espetáculo, para mim”, contou à Lusa.

“A Árvore Branca” estará em cena entre hoje e 16 de fevereiro. Hoje e nos dias 12, 13 e 14 as sessões (às 10:30 e às 14:30) são para as escolas, no sábado (16:30) e no domingo (11:30 e 16:30) e nos dias 15 (16:30) e 16 (11:30 e 16:30) de fevereiro são dirigidas às famílias.

As apresentações dos dias 14, às 10:30, e 16, às 16:30, têm tradução em Língua Gestual Portuguesa.

O espetáculo estará depois em cena no Cine-Teatro de Torres Vedras, a 11 de março, no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, entre 30 de março e 08 de abril, no O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo, em 18 de abril, e no Centro de Artes e Espetáculos de Sever do Vouga, entre 13 e 15 de maio.

No sábado, às 17:30, o Lu.Ca acolhe a apresentação do livro que inspirou “A Árvore Branca”.

A Plataforma 285 é uma das estruturas consideradas elegíveis para apoio nos concursos bianuais 2020/2021 da Direção-Geral das Artes (DGArtes), mas que não foram contempladas.

O espetáculo “A Árvore Branca” estava incluído na candidatura da Plataforma 285 e, segundo Raimundo Cosme, só é possível levá-lo a cena “porque existem outros coprodutores”, o Lu.Ca, A Oficina e o Centro de Artes e Espectáculos de Sever do Vouga.

JRS // MAG

By Impala News / Lusa

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