“Espectros” de Ibsen e o direito à felicidade no palco do Teatro Carlos Alberto

A peça de teatro “Espectros”, de Henrik Ibsen, fala sobre a negação do direito que temos à felicidade neste mundo, e estreia-se na próxima sexta-feira, dia 20, no Teatro Carlos Alberto, no Porto.

“Espectros” de Ibsen e o direito à felicidade no palco do Teatro Carlos Alberto

A peça de teatro “Espectros”, de Henrik Ibsen, fala sobre a negação do direito que temos à felicidade neste mundo, e estreia-se na próxima sexta-feira, dia 20, no Teatro Carlos Alberto, no Porto.

“Esta peça faz uma pergunta muito engraçada, que é ‘que direito temos nós à felicidade neste mundo?’ Aliás, é o Pastor Manders que a diz. E, basicamente, a história é a negação disso, é a nossa abdicação disso”, resumiu aos jornalistas Nuno Cardoso, encenador da peça de teatro “Espectros”, no ensaio de imprensa que decorreu hoje à tarde, no Teatro Carlos Alberto.

Nuno Cardoso defendeu, todavia, que nós não temos “um direito à felicidade”, antes o dever.

“Acho que temos o dever de ser felizes, porque é a única maneira de sermos bons cidadãos. É sermos felizes para que os outros também sejam felizes, porque de outro modo mentimos e ofuscamos, e depois pagamos nós e paga quem vive connosco”, observou.

A peça, inspirada no dramaturgo norueguês Henrik Ibsen (1828-1906), que arranca com a personagem Regina Engstrand a pronunciar o verbo “être” (ser ou estar, em francês) mais de 20 vezes seguidas, para logo se iniciarem os preparativos da inauguração de um orfanato em honra do capitão Alving, que era tido como um benemérito.

A partir daqui a história desenrola-se de forma a que o espectador vai percebendo que o capitão Alving tinha uma vida “dissoluta”, com um filho, Osvald Alving, que está doente por causa disso, e com uma filha ilegítima, Regina (Engstrand).

“Como o Ibsen faz muito bem, por detrás da espécie da normalidade da sociedade burguesa, esconde-se um conjunto de segredos, de espectros, de constrangimentos, de preconceitos, etc., que fazem com que, quando estalam, os personagens entrem num vórtice de confrontação e, de alguma forma, se identifiquem um conjunto de valores que temos como norteadores da nossa conduta e que a maior parte das vezes são apenas máscaras que escondem as verdadeiras pulsões dos personagens”, explica Nuno Cardoso.

Para Nuno Cardoso, esta peça de teatro, tal como as peças de teatro na generalidade são um bocadinho como os casos práticos que aparecem para refletir num exame do curso de Direito, explicou aos jornalistas.

“Apresentam-nos situações, personagens, conflitos, que nos levam a refletir sobre as nossas opções e eu acho que isso é que é importante no teatro, que é criar uma história e criar uma situação, criar num espaço e um tempo (…), em que o próprio público possa tirar alguma utilidade disso para a sua própria vida”, disse o encenador.

O espetáculo “Espectros”, uma produção própria do Teatro Nacional São João, fica em cena até dia 06 de junho, e insere-se no repertório da Casa pelas mãos do seu diretor artístico, Nuno Cardoso.

“A peça reflete sobre a herança do passado, tão forte e persistente nos nossos dias”, lê-se na nota de imprensa entregue à comunicação social, relembrando que, apesar dos 140 anos que separam a publicação da obra e esta sua apresentação em palco, “muitos dos assuntos abordados [se] mantêm atuais”, tais como doenças venéreas, hereditariedade, a condição da mulher e a vontade de viver.

Como acrescentou Nuno Cardoso, “todas as peças que fazem parte de reportório são peças que sobram, que vencem o tempo, porque falam de alguma coisa que é essencial ao homem”.

As peças quando foram escolhidas não se sabia, “nem de perto, nem de longe” que o mundo ia “passar por este sofrimento”, mas como são peças que são importantes, que falam coisas, é natural que nós, na nossa situação as relacionemos imediatamente com a nossa situação, e isso não diz tanto da pandemia ou da escolha, mas diz muito da importância do repertório no contexto da nossa vivência”, acrescentou.

Henrik Ibsen, descrito como um dramaturgo com “aversão ao moralismo”, junta-se a outros nomes maiores do teatro como, Georg Büchner, António Ferreira e Jean Genet, cujas obras o encenador Nuno Cardoso fez questão de recriar ao serviço do Teatro Nacional São João.

“Espetros” vai estar em cena no palco do Teatro Carlos Alberto, na Baixa do Porto, de 20 de maio a 06 de junho. De quarta-feira a sábado, o espetáculo acontece às 19:00 e, ao domingo, às 16:00.

A récita do dia 21 de maio conta com tradução em linguagem gestual e os ingressos têm um valor de 10 euros.

Do elenco da peça fazem parte os atores Afonso Santos, Joana Carvalho, João Melo, Maria Leite, Mário Santos e Rodrigo dos Santos

CCM // MAG

By Impala News / Lusa

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