Espanha avança com plano de reestruturação mesmo que tenha de emitir dívida inicialmente

Espanha vai avançar com o seu plano de recuperação da economia, mesmo que os fundos europeus cheguem mais tarde e tenha de emitir dívida pública para enfrentar as necessidades iniciais, segundo a ministra da Economia espanhola.

Espanha avança com plano de reestruturação mesmo que tenha de emitir dívida inicialmente

Espanha avança com plano de reestruturação mesmo que tenha de emitir dívida inicialmente

Espanha vai avançar com o seu plano de recuperação da economia, mesmo que os fundos europeus cheguem mais tarde e tenha de emitir dívida pública para enfrentar as necessidades iniciais, segundo a ministra da Economia espanhola.

“O que vamos fazer é ajustar e articular a emissão de dívida pública a nível nacional com os pagamentos comunitários, de forma a minimizar o custo em termos de juros a pagar com a dívida (…), durante 2021”, disse Nadia Calviño por vídeoconferência a um grupo de jornalistas estrangeiros em Espanha.

A União Europeia chegou a acordo em julho passado para criar um fundo de recuperação de 750 mil milhões de euros, dos quais 390 mil milhões em ajudas diretas (a fundo perdido) e o restante em crédito, para apoiar a lutar contra as consequências da pandemia de covid-19.

Deste montante, Espanha deverá receber entre 2021 e 2026 um total de 140 mil milhões de euros, dos quais 72.700 milhões de ajudas diretas, que é um valor correspondente a 11,2% do PIB espanhol de 2019.

Nadia Calviño afirmou que Madrid “gostaria que os recursos comunitários chegassem o mais cedo possível”, mas o país “não pode atrasar a implementação desse plano de recuperação”.

O Plano de Recuperação, Transformação e Resiliência para reanimar a economia do país foi apresentado pelo Governo espanhol na semana passada, para “canalizar” os 140 mil milhões de euros previstos.

“É agora que precisamos de implementar este plano de recuperação”, insistiu a ministra da Economia espanhola, adiantando que para 2021 o Orçamento do Estado vai “contemplar um volume de investimentos de 27 mil milhões de euros” e que a emissão de dívida será “ajustada” à chegada de liquidez dos fundos comunitários.

O Plano de Recuperação espanhol prevê “mobilizar” e “concentrar” 72 mil milhões de euros nos primeiros três anos do programa (2021-2023) que, segundo Madrid, poderá levar a um aumento de dois a três pontos percentuais ao PIB [Produto Interno Bruto] durante esse período.

A ministra da Economia espanhola afirmou que o país vai começar por utilizar a parte correspondente às transferências a fundo perdido e que os créditos poderão ser “ativados” a seguir.

Uma parte importante dos investimentos previstos para os próximos anos serão dedicados à transição ecológica, que absorverá 37% dos fundos, e à transição digital, que irá concentrar 33%.

Nadia Calviño (socialista) voltou a defender a necessidade de diminuir a crispação política, principalmente na região de Madrid, dominada pela direita, que tem atacado a gestão que o Governo minoritário de esquerda tem feito das medidas de luta contra a covid-19.

A ministra afirmou que não é uma especialista em epidemiologia, acrescentando que o vírus tem atacado mais a Espanha talvez por o país ter “uma série de características”, como o facto de ser muito “aberto”, com grande “mobilidade interna” e uma “dinâmica familiar” própria.

Na semana passada, o Governo espanhol piorou em 2,1 pontos percentuais a queda do PIB em 2020, para -11,2%, devido à crise provocada pela covid-19, segundo o novo quadro macroeconómico aprovado na ocasião.

Apesar de agravar ainda mais a diminuição da criação de riqueza, Madrid melhora em 1,9 pontos percentuais a taxa de desemprego para o corrente ano, para 17,1%.

Para o próximo ano, prevê uma recuperação crescimento para 7,2% do PIB (Produto Interno Bruto), enquanto a taxa de desemprego irá diminuir para 16,9%.

Espanha é um dos países mais afetados pela pandemia tendo registado até hoje 908.056 de casos de pessoas infetadas e de 33.413 mortes com a doença.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de um milhão e noventa e três mil mortos no mundo desde dezembro do ano passado, incluindo 2.117 em Portugal.

Na Europa, o maior número de vítimas mortais regista-se no Reino Unido (43.155 mortos, mais de 654 mil casos), seguindo-se Itália (36.289 mortos, mais de 372 mil casos), Espanha (33.413 mortos, mais de 908 mil casos) e França (33.037 mortos, mais de 779 mil casos).

FPB // EL

By Impala News / Lusa

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