Conheça o poder da equitação terapêutica que ajuda idosos que sobreviveram ao cancro

Neste projeto trabalham-se «várias competências, mas principalmente a emocional»

Conheça o poder da equitação terapêutica que ajuda idosos que sobreviveram ao cancro

Conheça o poder da equitação terapêutica que ajuda idosos que sobreviveram ao cancro

Neste projeto trabalham-se «várias competências, mas principalmente a emocional»

Um projeto de equitação terapêutica, em Matosinhos, há um ano que ajuda idosos sobreviventes ao cancro, na maioria mulheres, a ter uma vida melhor e a realizar sonhos, trabalhando os aspetos físicos e emocionais.

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Terapia trabalha várias competências, com maior ênfase na emocional

No terreno há uma década, a trabalhar com pessoas portadoras de deficiência, a Associação Equiterapêutica do Porto e Matosinhos (AEPM) aceitou há um ano o repto da Associação de Apoio a Pessoas com Cancro (AAPC) para fazer nascer um novo projeto, agora dedicado a sobreviventes de doenças oncológicas.

«Percebemos nos últimos anos que a utilização de cavalos para fins terapêuticos, ou mesmo em atividades lúdicas e pedagógicas, é muito útil», justificou à Lusa, a presidente da AEPM, Joana Pereira. As terapias «decorrem uma vez por semana», com a «participação de oito utentes de cada vez», no picadeiro do Lar do Comércio, em Matosinhos, podendo «durar cerca de duas horas», acrescentou.

«Trabalham-se várias competências, mas principalmente a emocional, a relação que se estabelece com o animal», disse Joana Pereira, enaltecendo também como mais-valias «o trabalho físico [em cima do cavalo] e as competências mentais». Na mesma linha de pensamento, Susana Pires Duarte, coordenadora da AAPC, destacou os «ganhos diversos», a partir do momento em que os idosos, com a ajuda de dois técnicos, sobem os degraus para montar uma égua de 14 anos.

«Estamos a falar de doentes oncológicos que estão numa fase de sobrevivência»

«Estamos a falar de doentes oncológicos que estão numa fase de sobrevivência. Falamos de emoções, de isolamento social e os ganhos são tentar recuperar, ainda melhor, numa fase de sobrevivência [em que ainda há] consequências da doença, quimioterapia e radioterapia», vincou a coordenadora.

E prosseguiu: «são terapias que podem auxiliar, por exemplo, na falta de memória, que é uma consequência dos tratamentos, ao ter [acesso a] exercícios repetitivos, todos os meses ou semanas». Na «maioria mulheres sobreviventes do cancro da mama», informou Susana Pires Duarte, a faixa etária dos utentes na equitação terapêutica vai dos 35 aos 73 anos, distribuindo-se por duas turmas de oito.

Utentes têm também consultas de psicologia

Esta proposta foi recebida pelos utentes com muito agrado, pois uma parte deles nunca teve contacto com cavalos e tinha esse desejo e vontade.

Associação que tem «finalidade prestar assistência e apoio a pessoas carentes portadores de cancro», na AAPC, segundo a coordenadora, ocorre depois, nas consultas de psicologia, a segunda parte do tratamento, fazendo-se a «ponte das emoções vividas».

Maria fala sobre o poder da equitação terapêutica

Em cima da égua Cabriola, depois de duas voltas ao picadeiro, Maria Cunha, de 70 anos, falou à Lusa dos efeitos da terapia que a ajuda hoje a continuar a combater os efeitos do cancro da mama que venceu há 23 anos. «Estas aulas descontraem-me. Há uma presença com os animais e nós convivemos com isso. Os exercícios, o equilíbrio, as emoções», descreveu, numa conversa a que colou a memória de ter sido vizinha, enquanto criança, do Sport Club do Porto, altura em que nasceu a «paixão» pelos cavalos.

Garantindo que a «terapia é muito válida», porque transmite «paz», Maria Cunha repetiu a ordem e a Cabriola retomou o circuito circular, com vários aparelhos, distribuídos para exercitar os utentes enquanto cavalgam.

Eva sobre a experiência: «Eu tive com ela [égua] um enlace tamanho, de um soluço incontrolável que ela entendeu e me deixou chorar e agarrar a ela»

Eva Silva, de 65 anos, não escondeu à Lusa a emoção «fabulosa» quando falou dos passeios em cima da égua branca, que lhe permitiu cumprir o sonho de quando tinha quatro anos. «Eu tive com ela um enlace tamanho, de um soluço incontrolável que ela entendeu e me deixou chorar e agarrar a ela», descreveu a utente da AAPC, sublinhando as benfeitorias à «coluna cervical» que lhe traz «fazer o jogo de cintura» a cavalo e a «paz ao ego» que é estar com a égua.

Projeto é aberto a todas as pessoas que estejam a viver ou já tenham ultrapassado o cancro

E concluiu: «é algo que me dá em dobro aquilo que eu preciso. De carinho, de amor, de compreensão. Ela não fala, mas escuta tudo o que eu lhe digo». O projeto é aberto a todas as pessoas que estejam a viver ou já tenham ultrapassado a doença, informou Susana Pires Duarte.

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