Enviado da ONU diz que só quem não tem vergonha pode negar situação atual do clima

O enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson, defendeu hoje que só quem não tem vergonha é capaz de negar atualmente os efeitos nefastos do aquecimento global, que se agravarão nos próximos anos.

Enviado da ONU diz que só quem não tem vergonha pode negar situação atual do clima

Enviado da ONU diz que só quem não tem vergonha pode negar situação atual do clima

O enviado especial do secretário-geral das Nações Unidas para o Oceano, Peter Thomson, defendeu hoje que só quem não tem vergonha é capaz de negar atualmente os efeitos nefastos do aquecimento global, que se agravarão nos próximos anos.

Ao falar durante uma conferência promovida pelo Clube de Lisboa, o embaixador referiu que, graças aos relatórios dos peritos e aos desastres naturais que estão a afetar a humanidade, começam a conhecer-se as verdadeiras causas do aquecimento global. “Só quem não tem verdadeiramente vergonha é capaz de negar agora a situação difícil em que nos encontramos”, disse.

“Se continuarmos no caminho atual, de aquecimento global, ao longo da vida dos nossos filhos e dos nossos netos, os efeitos far-se-ão sentir com crescente frequência e ferocidade”, advertiu, ao encerrar uma sessão da conferência “O Oceano que Pertence a Todos”, realizada ‘online’.

O enviado da ONU recordou as palavras do secretário-geral da organização, António Guterres, quando em dezembro alertou que a humanidade está a travar “uma guerra suicida” contra a natureza.

Na ocasião, Guterres referiu que um milhão de espécies estão em risco de extinção e que os ecossistemas estão a desaparecer “diante dos nossos olhos”.

Afirmou ainda que o oceano está a sofrer com a sobrepesca, a sufocar com resíduos plásticos, e que, devido às emissões de gases com efeito de estufa, os recifes de Coral estão a morrer.

“Estamos no meio de um desses efeitos neste momento, com esta pandemia de covid-19”, considerou Thomson.

O problema, frisou, é que é não é possível “ter um planeta saudável sem um Oceano saudável”.

“O mundo está atualmente no caminho para chegar a mais três graus até ao final do século XXI. Este é um mundo em chamas”, lamentou.

De acordo com enviado especial, este é o momento da tomada de consciência e da ação: “Não é segredo que muitos dos compromissos estão a ficar para trás, estamos atrasados no cumprimento dos nossos compromissos”.

“Pretendia-se a chamada economia com emissões zero até 2050. A única solução é uma mudança rápida e imediata por todos: governos, cidadãos e empresas”, instou.

Os cientistas estabeleceram que o alvo deve ser um mundo em que não se emita mais Co2 do que aquele que se retira da atmosfera.

“O oceano está em declínio, a principal causa deste declínio são os níveis crescentes de gases com efeito de estufa que lançamos para a atmosfera e que são depois absorvidos pelo Oceano”, explicou, frisando que uma economia de emissões zero é “absolutamente fundamental para terminar o ciclo de declínio em que a saúde do Oceano foi apanhada”.

A resposta é “a intensificação da ciência”, do planeamento e de financiamento: “90% do Oceano é desconhecido para a ciência, por isso vamos corrigir esse défice nesta década Ciência dos Oceanos das Nações Unidas, que se iniciou no mês passado, com base em ciência sólida”.

O embaixador manifestou esperança de que durante a próxima década surjam planos sustentáveis para os oceanos em cada zona económica exclusiva do planeta.

“Com base nestes planos, de base científica, estamos confiantes de que o financiamento vai começar a surgir à escala necessária para permitir a transição global para uma economia azul verdadeiramente sustentável”, declarou.

Salientou também “o profundo empenho de Portugal na saúde do Oceano” e estimou que a Conferência dos Oceanos da ONU que vai realizar-se em Lisboa, no próximo ano, será “um momento de inovação, de verdade, de reforço, de partilha” da determinação para a adoção dos objetivos sustentáveis.

“As expectativas para a conferência de Lisboa são muito elevadas”, disse.

Peter Thomson encerrou uma sessão que teve início com a participação do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

AH // ZO

By Impala News / Lusa

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