Entidades portuguesas e galegas unidas para melhorar previsões e aumentar segurança de portos

Entidades do Norte de Portugal e da Galiza uniram-se para, através da instalação e aperfeiçoamento de radares de observação, melhorarem a “capacidade das previsões atmosféricas” e com isso contribuírem para uma maior segurança dos portos e da população.

Entidades portuguesas e galegas unidas para melhorar previsões e aumentar segurança de portos

Entidades portuguesas e galegas unidas para melhorar previsões e aumentar segurança de portos

Entidades do Norte de Portugal e da Galiza uniram-se para, através da instalação e aperfeiçoamento de radares de observação, melhorarem a “capacidade das previsões atmosféricas” e com isso contribuírem para uma maior segurança dos portos e da população.

“Este projeto pode melhorar e muito a capacidade operacional dos portos”, disse, em declarações à Lusa, José Carlos Matos, responsável pela área da energia eólica do Instituto de Ciência e Inovação em Engenharia Mecânica e Engenharia Industrial (INEGI), no Porto.

A parceria entre o INEGI e as várias entidades galegas surgiu há “quase 10 anos” no âmbito dos RAIA, projetos de observação oceânica de “média dimensão” que integram o Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal (POCTEP) e que culminaram, agora, num projeto de maior enfoque: o “RADAR ON RAIA”.

Iniciada em julho de 2019 e financiado em mais de um milhão de euros pelo Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER), esta colaboração transfronteiriça visa “reforçar a capacidade de observação” e, com isso, “melhorar as previsões atmosféricas”.

“Quando falamos em capacidade de observação estamos a falar essencialmente de radares que nos permitem a observação de condições atmosféricas e de ondulação a uma distância elevada da costa”, explicou o responsável, adiantando que estas observações vão permitir “corrigir as previsões”.

“Ao juntarmos as observações às previsões atmosféricas, vamos poder corrigir as previsões e melhorar a sua precisão significativamente. Isto torna-se muito útil quando, por exemplo, uma autoridade portuária está a planear operações de entrada e saída de barcos”, exemplificou José Carlos Matos.

A monitorização das embarcações de pesca e de recreio, ou a organização de eventos náuticos são alguns dos exemplos e das aplicações que o projeto poderá vir a ter assim que as infraestruturas de observação oceânicas (rede de radares de alta frequência), já existentes na Galiza, começarem a ser implementadas no Norte de Portugal.

Segundo o responsável, além das duas torres de observação que já existem a sul da zona de Ovar, no distrito de Aveiro, e que vão auxiliar no processo de observação, está prevista a instalação, “até ao final do semestre”, de mais três torres meteorológicas nos portos de Aveiro, Leixões e Viana do Castelo.

“Estamos em processo de aquisição das torres e em negociações com as administrações dos portos, na tentativa de assegurar as condições logísticas necessárias para que operem sem problemas”, afirmou José Carlos Matos, fazendo referência àquela que é a tarefa do INEGI no âmbito desta colaboração transfronteiriça.

Além da criação da rede de torres, o INEGI vai desenvolver “modelos de assimilação”, tendo por base os dados provenientes dos radares, ou seja, das observações acerca de correntes, vento e ondulações, e as previsões meteorológicas, com vista à elaboração de “mapas em tempo real”.

À semelhança do INEGI, integram este projeto o Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC), no Porto, que vai desenvolver “uma infraestrutura de dados para receber toda a informação”, e o Instituto Hidrográfico, que é responsável pela recuperação de radares e pela compra de equipamentos.

“Tudo isto está inserido numa lógica de segurança das pessoas e dos equipamentos. Depois há outros aspetos que não decorrem do projeto em si, mas que ele adquire, que é toda esta questão de conseguirmos alimentar as previsões com observações para serem mais precisas e que podem ter um sem número de aplicações a nível de domínios que não este do mar”, concluiu José Carlos Matos.

O “RADAR ON RAIA” – que tem como coordenador o Centro Tecnológico del Mar e como parceiros galegos o Instituto tecnológico para el control del medio marino de Galicia, a Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas, o Organismo Público Puertos del Estado, a Universidade de Vigo e a Universidade de Santiago de Compostela – tem uma duração prevista de 36 meses, isto é, até 2021.

SPYC // ROC

By Impala News / Lusa

Impala Instagram


RELACIONADOS