“Enigma de família” conduz autora Cláudia Galhós a Berlim

A autora portuguesa Cláudia Galhós, vencedora da sétima edição do Prémio Residência Literária em Berlim, vai investigar um “enigma de família” que deverá dar origem a uma obra literária no “território da ficção documental”.

“Enigma de família” conduz autora Cláudia Galhós a Berlim

A autora portuguesa Cláudia Galhós, vencedora da sétima edição do Prémio Residência Literária em Berlim, vai investigar um “enigma de família” que deverá dar origem a uma obra literária no “território da ficção documental”.

Depois de uma bolsa realizada no ano passado, que deu origem a um livro já praticamente terminado, a escritora, jornalista e especialista em artes performativas continuou a pesquisar.

Cláudia Galhós decidiu perseguir o rumor de uma sua tia-avó na vida real, que terá encontrado a morte num campo de concentração nazi, após uma breve vida de bailarina em Berlim.

“Lembrei-me que a minha avó, que morreu com 96 anos, me contou que haveria um familiar, uma irmã, mais nova, que teria fugido de Moura, Alentejo, para a Espanha. Mais tarde teria dado notícias de que estaria em Berlim”, revelou, em declarações à Lusa.

“Quando surgiu esta bolsa eu andava já a investigar este rumor não palpável. Batia completamente certo com a pesquisa que eu estava a fazer, por isso concorri”, assumiu.

A autora admite estar “muito no início” do caminho.

“Comecei a pesquisar sobre a década de 1930, como ela também dançou, associei à dança contemporânea, que é a minha área de especialidade como jornalista. […] Estou atrás de um segredo, de um rumor, de um fantasma”, disse.

Para o trabalho de pesquisa, Cláudia Galhós tem um nome, que é “bastante comum”, e várias pistas que vai seguir em outubro, mês que passará em Berlim na residência literária.

A análise de candidaturas foi feita por representantes da Embaixada, do Camões — Instituto da Cooperação e da Língua e da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas.

“A ideia é escrever um livro que espero que tenha valor literário, no território da ficção documental. É uma residência literária que parte de uma pesquisa de um enigma de família. A pesquisa em si é um caminho que dará uma obra literária. É a isso que me proponho”, contou à Lusa.

Cláudia Galhós nasceu em Lisboa, a 30 de janeiro de 1972. Escreve sobre cultura em geral desde 1994, em publicações como Blitz, O Independente, Público, Jornal de Letras, Mouvement, Visão, entre outras. Atualmente, escreve sobre artes performativas para o semanário Expresso.

Para televisão, foi editora do magazine cultural semanal sobre cultura “AGORA” e editora do suplemento semanal “Artes de Palco”, do programa “Magazine” do Canal 2 da RTP (de 2004 a 2006).

É autora dos livros de ficção “Sensualistas” (2001), “Conto de Verão” (2002), “O Tempo das Cerejas” (2007), todos pela editora Oficina do Livro/Leya. É autora dos livros sobre dança e/ou artes “Corpo de Cordas — 10 anos de Companhia Paulo Ribeiro” (2006, Assírio & Alvim), “Pina Bausch — Sentir Mais” (ensaio biográfico, Dom Quixote, 2010), “15 anos do Espaço do Tempo” (2016, Centro Coreográfico de Montemor-o-Novo, de Rui Horta), “Colher para Semear — 25 anos de GDA e 10 anos de Fundação GDA” (2021, GDA).

A Residência Literária em Berlim começou em 2016, ano em que passou pela capital alemã Patrícia Portela. Seguiu-se Rui Cardoso Martins, em 2017, Isabela Figueiredo em 2018, Miguel Cardoso em 2019, Afonso Cruz em 2020, e Judite Canha Fernandes em 2021.

JYD // TDI

By Impala News / Lusa

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