Energias Renováveis permitiram reduzir em seis milhões de toneladas as emissões de CO2

Energias Renováveis permitiram reduzir em seis milhões de toneladas as emissões de CO2

As renováveis permitiram, em 2018, reduzir as emissões de dióxido de carbono face a 2017, resultando numa poupança de 1,3 mil milhões de euros de importações de combustíveis fósseis.

Lisboa, 12 dez (Lusa) — As energias renováveis permitiram, em 2018, reduzir em seis milhões de toneladas as emissões de dióxido de carbono (CO2), face a 2017, resultando numa poupança de 1,3 mil milhões de euros de importações de combustíveis fósseis.

Em comunicado conjunto hoje divulgado, a associação ambientalista ZERO e a Associação Portuguesa de Energias Renováveis (APREN), indicam que 2018 foi o ano em que se “bateram recordes”, acrescentando que em março do ano passado a produção renovável “foi suficiente para satisfazer o consumo total de eletricidade em Portugal Continental”, com especial contribuição das tecnologias eólica e hídrica.

“Houve uma redução entre 2017 e 2018 de cerca de 6 milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono associadas à produção de eletricidade, passando-se de 19,4 milhões de toneladas em 2017 para 13,5 milhões de toneladas em 2018. Esta redução representa cerca de 10% das emissões nacionais”, refere a nota.

As duas associações contam que, em termos médios, 2018 foi marcado por uma incorporação renovável no consumo elétrico de 55,1%, o que corresponde a um aumento de 28% face a 2017, sublinhando que este facto “advém de uma maior produtividade das grandes hídricas que foi mais do dobro do que em 2017, representando 24,1% do consumo”.

A tecnologia eólica correspondeu a 24,3% do consumo, “o que a tornou, pela primeira vez, a maior fonte de eletricidade em Portugal Continental”.

Estes níveis de incorporação das energias renováveis proporcionam, segundo estas associações, “grandes benefícios económicos e ambientais para o país”, nomeadamente “uma poupança em importações de combustíveis fósseis” de 1,268 mil milhões de euros, assim como “evitar a aquisição de licenças de emissão de CO2 no valor de 191 MEuro (milhões de euros), correspondente a um total de 12 milhões de toneladas de emissões equivalentes de CO2”.

Em relação a 2019, a APREN e a ZERO “consideram crucial” a implementação de um quadro regulamentar sólido que permita definir um plano estratégico para as políticas de energia e clima.

“Estas políticas devem ser apoiadas por regras e medidas que proporcionem uma previsibilidade das necessidades de investimento e desenvolvimento de atividades de baixo teor em carbono, assentes na substituição de soluções energeticamente ineficientes e com impactes negativos no meio ambiente, por outras mais eficazes e economicamente sustentáveis numa perspetiva de médio e longo prazo”, salienta o comunicado.

As duas associações dizem, contudo, que são “preocupantes” a “estagnação da produção solar” e o “aumento do consumo de eletricidade sem eficiência energética”.

“Apesar de estarmos num bom caminho, o ano de 2018 veio reforçar a ideia de que há ainda muito ainda por fazer no setor da eletricidade renovável por forma a cumprir os objetivos definidos pelo Governo para atingir 80% de eletricidade renovável em 2030 (PNEC 2030) e ser neutro em carbono com 100% de eletricidade renovável em 2050 (RNC 2050)”, afirmou o presidente da APREN.

António Sá da Costa acrescenta, citado no mesmo comunicado, que as recentes orientações definidas pelo Governo “vão no sentido de fomentar a reativação do setor que atravessou nos últimos anos um forte abrandamento”.

“Espero, que os resultados se venham a sentir já em 2019”, sublinhou.

Por seu lado, Francisco Ferreira, presidente da ZERO, considera que Portugal “tem de investir muito mais na eficiência energética e nas energias renováveis para ser neutro em carbono em 2050”.

“Esse investimento tem de ser fortemente acelerado. O aproveitamento da energia solar é crucial e é preciso informar, simplificar e ultrapassar os obstáculos que impedem termos muito mais edifícios com telhados preenchidos com painéis fotovoltaicos ou no caso de grandes centrais solares dando preferência a áreas sem outra utilização significativa”, declarou Francisco Ferreira.

JGS // ZO

By Impala News / Lusa

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